Lutando contra o nó na garganta, ela apontou com a mão trêmula para as portas duplas da sala de reanimação. As palavras saíam quebradas, sufocadas pelo choro.
— Ele ainda está lá dentro... — As lágrimas começaram a rolar livres pelo rosto manchado de maquiagem. — Joaquim, e se acontecer alguma coisa grave com o nosso menino? Se ele não resistir, eu não sei o que faço da minha vida...
O coração de Joaquim deu um salto doloroso no peito. Ele a envolveu em um abraço desajeitado, tentando passar uma força que não tinha.
— Pare de falar bobagens. Ele vai ficar bem.
Bernardo nunca foi um filho fácil. Desde a adolescência, vivia se metendo em confusões, e as farras intermináveis já eram rotina. Mas acabar na beira da morte em um hospital era cruzar todos os limites. A mistura de angústia e fúria fazia o peito de Joaquim subir e descer em uma respiração pesada. Depois de um longo minuto de silêncio tenso, ele rosnou entre os dentes:
— Aquele moleque irresponsável!
O tempo parecia se arrastar até que, por fim, o médico responsável cruzou as portas da emergência, tirando a máscara cirúrgica. Janice se desvencilhou dos braços do marido e correu até o doutor, quase tropeçando nos próprios pés.
— Doutor, pelo amor de Deus, como está o meu filho?
O médico adotou um tom calmo para tranquilizá-la.
— Nós realizamos uma lavagem gástrica e administramos a medicação necessária. O quadro dele já está estabilizado e fora de perigo.
Joaquim se aproximou, a testa franzida em confusão.
— Mas o que causou isso, doutor? Ele está acostumado a beber em eventos sociais, nunca teve um apagão desse nível. Como ele foi parar nesse estado?
— O paciente sofreu uma intoxicação alcoólica severa devido ao excesso. — O médico explicou com seriedade. — Esse colapso pode ter sido causado por uma quantidade de álcool muito superior ao que o corpo dele tolera, ou pela mistura irresponsável de diferentes tipos de bebidas. Vocês tiveram muita sorte. Como ele estava deitado de bruços, o vômito não bloqueou as vias respiratórias, evitando uma asfixia. Se ele estivesse de barriga para cima e passasse a noite inteira sozinho naquele estado, ele não teria chegado vivo aqui. — O profissional suspirou, lançando um olhar de advertência aos pais. — Ele é um rapaz muito jovem. Se houver alguma chance de ele buscar tratamento e parar de beber, eu sugiro que comecem o quanto antes.
Ao ouvir aquelas palavras, o rosto de Janice perdeu toda a cor. A imagem da mesa do hotel, abarrotada com dezenas de garrafas vazias, voltou à sua mente, assombrando-a. Um calafrio percorreu sua espinha ao perceber o quão perto estiveram de perder o filho.
Assim que Bernardo foi transferido para um quarto particular, Joaquim e Janice se instalaram em poltronas ao lado da cama, recusando-se a sair. A tensão só abandonou os ombros do casal quando o rapaz abriu os olhos, piscando confuso contra a claridade.
— Bernardo, meu amor... como você está se sentindo? — Janice perguntou, acariciando os cabelos do filho.
— Água... minha garganta está seca... — Ele murmurou, a voz áspera e fraca.
— Filho, não brigue com o seu pai agora. O importante é que estamos juntos. Nós já compramos as passagens de avião, vamos embora do país amanhã mesmo. Vamos passar um tempo fora até que toda essa poeira abaixe.
— Não vou a lugar nenhum. — A resposta veio fria e direta.
Janice arregalou os olhos, chocada.
— O quê? Mas por que não?
— E por que eu iria? Vocês de fato são ingênuos a ponto de acreditar que fugir para o exterior vai resolver alguma coisa? Acham que, quando voltarmos, o mundo vai estar de braços abertos para recomeçarmos do zero? — Bernardo soltou uma risada sem humor, um som oco e doloroso. — Acordem para a realidade. Nós já perdemos essa guerra faz tempo.
O maxilar de Joaquim travou de tensão. Ele girou nos calcanhares, encarando o filho com os olhos faiscando.
— Não me interessa quem ganhou ou perdeu! Essa viagem é para salvar o que resta do seu futuro! O seu avô tomou a decisão de ficar para enfrentar as consequências, e o mínimo que você pode fazer é garantir a sua sobrevivência para não decepcioná-lo ainda mais!
— Que futuro, pai? — Bernardo rebateu, a voz embargada por uma desesperança profunda. O brilho de arrogância que sempre o acompanhou havia se apagado por inteiro, deixando apenas um homem quebrado. — Não passo de um playboy inútil que só sabe gastar dinheiro e beber. Se formos falar de inteligência, competência ou poder, eu não chego aos pés do Ricardo. Tudo aquilo que passei a vida inteira desejando e lutando para ter, ele consegue com um estalar de dedos. Não importa o quanto eu tente, o quanto eu me esforce... eu nunca vou ser melhor do que ele.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...