A frustração tomou conta do rosto de Luana. Ela mordeu o lábio inferior com força e disparou o aviso:
— Pois fique sabendo que você vai se arrepender muito disso.
Antes mesmo que Ricardo pudesse processar a ameaça ou tentar impedi-la, ela virou as costas, entrou em casa a passos duros e bateu a porta de madeira com firmeza. O peito dela subia e descia num ritmo acelerado.
"Se eu ficasse parada lá fora por mais um segundo, eu ia acabar cedendo e contando tudo.", ela admitiu para si mesma, encostando a testa na porta fria.
Do lado de fora, Ricardo voltou para o banco do motorista. Ele ligou o motor do carro, mas não arrancou. O empresário continuou ali, com os olhos fixos na fachada da casa, e só deu a partida para ir embora quando viu a luz do quarto de Luana acender no andar de cima.
...
Na manhã seguinte, o saguão do aeroporto estava um caos por causa da véspera de Carnaval. Luiz estacionou o carro perto do portão de embarque do Terminal Dois. Os dois desceram do veículo em silêncio, e o rapaz fez questão de dar a volta para tirar a mala pesada do porta-malas. Ele entregou a bagagem nas mãos dela, com uma expressão de quem ia sentir muita saudade, e pediu:
— Luana, faz o favor de me mandar uma mensagem assim que o avião pousar lá, tá bom? Quero saber se você chegou bem.
A moça segurou a alça da mala, abriu um sorriso reconfortante e concordou:
— Pode deixar, eu aviso sim.
Sem prolongar a despedida para não chorar, ela virou de costas e caminhou em direção às portas de vidro automáticas do saguão. Depois de enfrentar a fila quilométrica do raio-x, Luana seguiu direto para a sala VIP do seu portão de embarque para descansar um pouco as pernas enquanto aguardava a chamada do voo. Ela afundou numa poltrona de couro, pegou o celular e começou a rolar o feed das redes sociais para matar o tempo. De repente, o seu dedo parou na tela. Uma foto postada há poucos minutos a deixou de queixo caída.
"Espera aí, a Liliane também está no aeroporto hoje? Não me diga que ela...", murmurou para si mesma.
Sem pensar duas vezes, Luana procurou o contato da amiga e apertou o botão de ligar. A chamada não tocou nem três vezes antes de ser atendida. A voz animada de Liliane ecoou do outro lado da linha:
— Oi, Luana! O que manda?
Luana foi direto ao ponto.
— Acabei de ver a foto que você postou. Você está no aeroporto agora?
Liliane respondeu com o tom de voz um pouco abafado.
— Isso mesmo, estou bem na fila do raio-x neste exato momento!
O barulho de rodinhas de malas e os avisos do alto-falante ao fundo confirmavam a história. Luana franziu a testa, tentando montar o quebra-cabeça.
— E você está indo para onde, criatura? Vai voltar para Valdória ou tem outro destino em mente?
Liliane resmungou algumas palavras ininteligíveis, deu uma risadinha nervosa e confessou:
— Ah, sabe como é, né... Eu resolvi criar coragem e ir atrás do amor da minha vida.
Luana arregalou os olhos, chocada com a audácia.
— E você vai largar o feriado de Carnaval para trás assim, do nada?
A justificativa veio carregada de um drama exagerado.
— Ah, Carnaval tem todo ano, Luana. Se eu perder os bloquinhos dessa vez, ninguém vai morrer. O problema maior é que a minha mãe colocou na cabeça que o Valentino é o meu namorado oficial. Se eu aparecer em casa para o feriado sem ele a tiracolo, ela me tranca para fora e não me deixa nem pisar na sala!
Luana balançou a cabeça, rindo da situação absurda da amiga.
— Tá bom, sua maluca. Olha só, eu também estou aqui no aeroporto. Que horas é o seu voo? Se você ainda tiver um tempinho sobrando, vem aqui para a sala VIP fazer companhia para mim.
A surpresa tomou conta da voz de Liliane.
— Mentira! Você já vai voltar para casa?
Luana suspirou.
— Pois é, chegou a minha hora.
A curiosidade bateu forte do outro lado da linha.
— E o Ricardo, como é que fica nessa história toda?
Luana abriu a bolsa de mão, tirou um protetor labial e começou a passar nos lábios ressecados pelo ar-condicionado forte do ambiente.
— Eu mando uma mensagem avisando ele mais tarde.
— Moça, me desculpa a intromissão, mas a gente já se conheceu antes? O seu rosto não me é estranho.
A mulher de cabelos curtos apenas piscou, mantendo uma expressão vazia, e não soltou uma única palavra em resposta.
Percebendo que Luiz continuava encarando a médica como se ela fosse uma assombração, Sebastião revirou os olhos. Ele passou o braço ao redor do pescoço do amigo, puxou-o para o canto do jardim e sussurrou num tom de repreensão:
— Ei, ei, ei, abaixa a bola aí, cara. Você está secando a mulher na cara dura. Cadê a sua educação, maluco?
Luiz tentou se desvencilhar do abraço, sussurrando de volta com urgência.
— Não é nada disso que você está pensando, idiota. Estou falando sério, conheço essa mulher de algum lugar. Faz o seguinte, pergunta para ela se por acaso ela conhece a Luana...
Sebastião soltou um suspiro cansado e cortou o raciocínio do amigo.
— Não adianta perguntar nada para ela. — Ele olhou de soslaio para a médica, que continuava parada no mesmo lugar, arrastou Luiz para ainda mais longe e bateu o dedo indicador na própria têmpora, explicando o drama. — A coitada sofreu algum tipo de trauma e perdeu a memória. Ela não faz a menor ideia de qual é o sobrenome dela ou de onde ela veio. A única coisa que sobrou na cabeça dela é a certeza de que ela é médica. E o pior é que a mulher entende mesmo do assunto, ela sabe examinar as pessoas direitinho.
Luiz arregalou os olhos, chocado com a revelação.
— Como assim ela perdeu a memória?
Sebastião continuou a fofoca em voz baixa. Ele contou que o tal amigo de infância tinha encontrado a mulher vagando sem rumo perto da região da fronteira. Quando a resgataram, ela estava sem bolsa, sem celular e sem nenhum documento de identidade. A amnésia era tão severa que o passado dela era um buraco negro. As únicas lembranças que sobreviveram ao apagão mental foram os conhecimentos de medicina e o primeiro nome, Isadora.
A boca de Luiz caiu aberta. Ele olhou para Sebastião como se o rapaz tivesse enlouquecido.
— Você perdeu o juízo de vez? Como é que você tem a coragem de trazer uma pessoa completamente desconhecida, sem documento e sem passado, para dentro da nossa casa para examinar a Luana?
Sebastião deu de ombros, tentando justificar a loucura.
— Ah, o meu parceiro ficou com pena da situação dela, né? Além do mais, trazendo ela para a cidade grande, a gente pode acabar ajudando a descobrir quem ela é de verdade. E eu não estou mentindo sobre a capacidade dela. O meu amigo tem um problema crônico nas costas há anos, e ela diagnosticou a dor dele só de bater o olho. Como a Luana também é da área da saúde, eu pensei que as duas pudessem se entender. Não custava nada tentar, vai que a mulher resolve a dor de estômago dela.
Enquanto tagarelava, Sebastião enfiou a mão no bolso da calça para pegar o celular. Antes que ele pudesse desbloquear a tela para ligar para Luana, Luiz deu um tapa na mão dele, empurrando o aparelho de volta. O rapaz balançou a cabeça e jogou um balde de água fria nos planos do amigo:
— Pode guardar esse telefone, porque não vai adiantar nada ligar. A Luana já foi embora.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...