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A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV romance Capítulo 744

A garganta de Luana ficou seca, parecendo apertar as palavras que tentavam sair.

— Você... tem algum problema na cabeça? O que deu em você para falar essas coisas absurdas logo de manhã?

Os olhos de Ricardo permaneceram fixos na tela, como se pudessem atravessar a distância e tocá-la de verdade.

— Não tente fugir de mim de novo. Se você fizer isso, as coisas vão complicar... —Advertiu ele.

Ela ergueu o queixo, desafiando-o:

— Vai complicar como? Vai fazer o quê?

Ele deu um sorriso de canto de boca, respondendo:

— Compro uma passagem para Macondo agora mesmo e apareço na sua porta.

E ela sabia, no fundo da alma, que ele era o tipo de homem que cumpria cada uma de suas promessas. Engasgando com a própria respiração, Luana entrou em pânico. O desespero ficou evidente em sua voz quando ela exclamou:

— Nem pensar! Você não ouse fazer isso!

Sem a menor pressa, Ricardo se sentou na cama, afastando os lençóis amassados. Ele apoiou o celular em um móvel próximo e começou a vestir uma camiseta de algodão, mostrando toda a sua tranquilidade.

— Então me dê uma resposta decente e pare de enrolar. — Ordenou ele.

Aquele tom autoritário e confiante era idêntico ao homem dominante com quem ela era casada por tanto tempo. Ela rangeu os dentes, puxando o ar com força para encher os pulmões de coragem.

— Escuta aqui, Ricardo, as regras do nosso jogo mudaram. Sou eu quem dita as cartas agora. Quem você acha que é para decidir quando a gente começa ou quando termina? E quer saber mais? Tenho uma arma secreta poderosa contra você agora, então pode guardar as suas ameaças para si mesmo, pois não tenho o menor medo.

Os movimentos dele pararam por uma fração de segundo. Curioso, ele pegou o celular de novo, inclinando a cabeça.

— Uma arma secreta contra mim? Que tipo de arma?

Ela sorriu com uma pitada de malícia, provocando:

— Uma arma de destruição em massa. Você nem imagina o poder que ela tem.

Os olhos escuros de Ricardo se estreitaram, focados na expressão misteriosa da ex-esposa.

— O que é que você está escondendo?

Luana deu de ombros, encerrando o assunto:

— Fique aí quebrando a cabeça para descobrir. Tenho mais o que fazer. Tchau!

Sem dar tempo para uma resposta, ela desligou a chamada de vídeo. Exato naquele instante, o som de batidas na porta ecoou pelo quarto. Deixando o aparelho sobre os cobertores, ela caminhou até a porta e girou a maçaneta.

Vinícius estava parado no corredor, segurando uma caixa nas mãos. Ele estendeu o pacote na direção dela, explicando:

— Quase deixei passar batido. Chegou essa encomenda para você no meio da semana passada, mas com a correria das festas, esqueci de te entregar.

A testa de Luana se enrugou em confusão.

— Mas eu não comprei nada pela internet nos últimos dias...

O irmão apontou para a etiqueta de envio, sugerindo:

Lutando para engolir o nó na garganta, ela redobrou o papel com reverência e o guardou de volta no envelope. Tomando o celular nas mãos, abriu o aplicativo de mensagens, determinada a enviar algumas palavras de gratidão para Gustavo.

No entanto, ela digitava uma frase, apagava tudo, reescrevia outra, e o processo se repetiu por um longo tempo. O botão de enviar parecia bloqueado por uma barreira invisível.

O frio da tela de vidro e as letras digitais pareciam vazios. Textos não conseguiriam transmitir a imensidão da gratidão e do alívio que aqueciam sua alma naquele instante. A melhor alternativa seria arrumar um espaço em sua agenda para visitar o velho mestre e expressar seus sentimentos olhando direto nos olhos dele.

...

Enquanto isso, em Oeiras.

O sol brilhava fraco sobre a fachada do lar de repouso onde Glória fora instalada havia poucos dias. Por fim, após intensas negociações, Janice conseguiu uma brecha para visitá-la.

Anos se passaram desde a última vez que seus caminhos se cruzaram. Essa seria a primeira vez, depois de uma eternidade de mágoas e silêncio, que ela voltaria a ficar frente a frente com a mulher que lhe havia dado a luz.

A clínica geriátrica, situada nos arredores da cidade, não era uma prisão de segurança máxima. O seu maior obstáculo era a sua localização. Por estar cravada no subúrbio e pertencer à jurisdição de um município vizinho, o acesso era difícil e as vias de transporte se mostravam escassas, mantendo os residentes em um isolamento quase natural.

Os corredores abrigavam, em sua imensa maioria, idosos que já não possuíam forças para cuidar de si mesmos, abandonados à própria sorte por filhos ausentes. Eram raros os casos de residentes que ainda gozavam de alguma autonomia física e mental.

Uma enfermeira com expressão cansada guiou Janice pelo jardim interno até o bloco principal. O elevador antigo rangeu até parar no terceiro andar. Elas caminharam até uma porta no fim do corredor, ao lado de uma janela com vista para o pátio. A funcionária se virou para a visitante e anunciou:

— A Sra. Glória está alojada neste quarto.

Agradecendo com um aceno rápido, Janice girou a maçaneta com o coração palpitando.

— Obrigada.

O ambiente interno foi revelado aos poucos. Os móveis que compunham o quarto carregavam as marcas pesadas do tempo e de usos passados, exibindo uma rusticidade melancólica. Contudo, apesar do desgaste com clareza estampado em cada canto, o local exalava um cheiro de produto de limpeza e se mostrava muito mais digno do que o cenário aterrorizante que Janice havia pintado em seus pensamentos.

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