Por um golpe de sorte do destino, a universidade onde Sarah estudava ficava a uma curta viagem de metrô do instituto de pesquisa. Nesses encontros frequentes regados a conversas profundas, as duas desenvolveram uma conexão genuína, como se fossem velhas conhecidas separadas pelas circunstâncias. E foi assim que Luana começou a descobrir as camadas da história da nova amiga.
Sarah era natural de Riviera. Cresceu em um ambiente acadêmico, com o avô e o pai lecionando em uma das universidades federais cariocas. A mãe, por sua vez, havia trocado a carreira brilhante nos tribunais para se dedicar de forma integral à criação dos filhos. Apesar de não nadarem em dinheiro, a família vivia com conforto de sobra, e o amor que nutriam pela filha era evidente em cada escolha. Tanto que, quando a garota anunciou o sonho de estudar artes plásticas, os pais não hesitaram em investir na jornada dela no exterior.
Ciente do sacrifício gigantesco da família, Sarah havia feito uma promessa inquebrável a si mesma. Bancaria todo o seu custo de vida trabalhando em bicos e empregos de meio período, recusando-se a pedir um centavo a mais para casa.
Toda essa garra e independência refletiam a própria trajetória de Luana no passado. Enxergar os próprios percalços na figura daquela jovem fez com que a amizade florescesse com uma intensidade rara, deixando no ar aquela sensação deliciosa de que deveriam ter se cruzado há muitos anos.
Enquanto a amizade das duas se fortalecia, a vida no apartamento de Luana seguia o seu curso normal.
Esparramado no sofá da sala, Vinícius terminava uma videochamada de negócios com Vitor. Assim que o assistente concluiu o relatório sobre as operações corporativas no país, a porta da frente se abriu, revelando uma Luana exausta, mas com um brilho no olhar. Ele fechou o laptop com um estalo seco e virou o pescoço para encará-la, erguendo uma sobrancelha em tom de cobrança.
— Posso saber por que você tem passado os últimos dias batendo perna pelas ruas como se não tivesse uma casa para voltar?
— Como assim "batendo perna"? Eu estava jantando com a Sarah, que é uma companhia adorável, muito diferente de certos rabugentos que habitam este lugar. — Retrucou ela, com um sorriso maroto, largando a bolsa pesada na poltrona e se jogando ao lado dele no sofá macio.
Vinícius cruzou os braços sobre o peito, franzindo a testa em uma demonstração clara de ciúmes fraterno.
— Pelo visto, você já arrumou alguém mais interessante para te fazer companhia neste fim de mundo. Acho que não precisa mais da minha ilustre presença, estou certo?
— Ah, não começa com esse seu drama, por favor. — Ela se encolheu contra o ombro dele, buscando aconchego após um longo dia. — Você é o meu irmão, a minha família. A Sarah é a primeira amiga de verdade que eu fiz depois que cheguei aqui. São amores muito diferentes e ambos têm espaço no meu coração.
— Vocês se conhecem há poucos dias e ela já foi promovida ao posto de melhor amiga? — Provocou ele, balançando a cabeça em descrença.
Sem dar trela para a implicância, Luana concordou com um aceno entusiasmado.
— Pois eu só lamento não ter esbarrado com ela antes. Sabe de uma coisa muito louca, Vinícius? — A expressão dela ficou séria de repente, os olhos arregalados pela coincidência do destino. — Ela é de Riviera! O pai dela dá aula na Universidade de Riviera. Morei naquela cidade maravilhosa durante aquele tempo todo e nunca cruzei com a família dela. O mundo é um ovo, mas às vezes a gente demora uma eternidade para encontrar as pessoas certas. Que desperdício de tempo!
Encostando a cabeça no móvel, Vinícius manteve a postura relaxada, ouvindo o monólogo animado da irmã sem o menor traço de impaciência.
— Tudo bem, mas aonde você quer chegar com essa história toda?
— Lugar nenhum, eu apenas gosto de pensar sobre as voltas que o mundo dá. — Ela se espreguiçou esticando os braços para o teto e caminhou em direção à cozinha, abrindo os armários em busca de algum lanche noturno. — O que me deixa com o coração apertado é ver o quanto a carga dela é pesada. Imagina só, atravessar o oceano para estudar fora, trabalhar até a exaustão para pagar as contas e ainda ter que lidar com o mercado de artes virando as costas para os novos talentos. A rotina dela não deve ser nada fácil nos dias de hoje.
Inconformada, Amy deslizou a cadeira até ficar colada nela.
— Acorda para a vida real, amiga! Somos apenas artistas batalhadoras tentando sobreviver em um mercado cruel que não dá a mínima para quem está começando. Vencer na vida só com talento é uma ilusão. Olha para a sua situação, nenhum estúdio quer te contratar e as suas dívidas não param de crescer. Tenta enxergar o cenário com maturidade. É só tapar o nariz e aguentar as investidas dele por uns meses. Você deixa ele quitar os seus boletos e depois curte a paz! Presta atenção na vizinha do andar de baixo. A garota não chega aos seus pés no quesito beleza, mas tem um motorista em um carro importado esperando na porta todo santo dia. Ela vive igual a uma rainha de novela, enquanto você está aqui sofrendo!
Sarah soltou um riso amargo e carregado de deboche, sem acreditar no absurdo que acabara de escutar.
— Que conselho maravilhoso. Se for para aceitar esse tipo de acordo sujo, qual seria a diferença entre mim e uma prostituta? Seguindo essa sua lógica, acho melhor eu ir logo me oferecer na esquina de uma vez e cobrar por hora!
— Não seria a pior ideia do mundo, sendo bem franca. Nos tempos de hoje, garantir o próprio dinheiro é a única regra que importa! — Disparou Amy, sem o menor traço de vergonha na cara.
Revirando os olhos com tamanha força que eles quase doeram, Sarah rebateu com uma moral inabalável:
— Se o meu pai ouvisse uma barbaridade dessas saindo da minha boca, ele cairia duro no chão. A honra é o pilar da nossa família. Podemos passar dificuldades e comer pão seco todo dia, mas eu jamais vou rasgar os meus princípios!
— É muita ignorância... — Amy estalou a língua no céu da boca, revoltada com tamanha teimosia e apego à moralidade. — O universo te dá um banquete em uma bandeja de prata para você viver como princesa, e você insiste em revirar o lixo na rua!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...
São quantos capítulos?...
Kd o capítulo 520???...