— Ela é uma amiga muito próxima da minha irmã. Como eu prezo pela segurança da minha família, achei prudente investigar um pouco para saber exatamente com quem ela anda se relacionando. — Rebateu Vinícius, cortando a brincadeira do homem cabeludo com um tom gélido e prático.
Apesar da negação verbal, seus olhos escuros continuavam acompanhando os movimentos cautelosos da garota no meio da equipe de filmagem.
O amigo soltou uma risada frouxa, sem se deixar intimidar pela seriedade habitual do outro.
— Fala sério, cara! Sua irmã já é bem crescidinha, não acha? Que necessidade é essa de bancar o guardião superprotetor a essa altura do campeonato?
Vinícius desviou o olhar da sessão de fotos e o encarou de soslaio, erguendo uma sobrancelha.
— Algum problema com isso?
O homem de cabelos longos sacudiu as mãos no ar, em sinal de rendição.
— Esquece. É perda de tempo tentar argumentar com um cara que tem complexo de irmão coruja. — Voltando a atenção para Sarah, que tentava se posicionar diante das câmeras e da equipe barulhenta, ele retomou o fio da fofoca. — Olha, eu confesso que não sei todos os detalhes sobre a vida pessoal dela. Mas você sabe como as coisas funcionam... gente que chama muita atenção na universidade sempre acaba envolvida em fofoca e confusão. Por acaso você já ouviu falar de um cara chamado Renan Leal?
A expressão de Vinícius continuou impassível, como se o nome não lhe causasse o menor impacto.
— Nunca ouvi falar.
— É, faz sentido. Esse cara vive fora do país há muito tempo, não tinha como vocês terem se cruzado na vida. Mas do irmão dele você com certeza se lembra, o Cláudio Leal. Puxa pela memória, lembra daquele garoto insuportável que tomou uma surra sua na época do ensino médio e acabou sendo despachado para estudar no exterior logo em seguida?
A menção ao nome de Cláudio fez uma vaga memória despertar nas profundezas da mente de Vinícius. Se o amigo não tivesse tocado no assunto com tanta especificidade, ele provavelmente jamais lembraria da existência daquele sujeito arrogante do passado.
— E qual é a relação desse Renan com o Cláudio? — Questionou Vinícius, com a voz grave demonstrando um leve traço de interesse.
— São irmãos de sangue, meu caro. — Respondeu o cabeludo, jogando o braço de forma descontraída sobre os ombros largos de Vinícius. — O mundo dá muitas voltas, não é verdade? Pensa bem na coincidência. Se você não tivesse me mandado mensagem há dois dias avisando que estava em Nova Aurora, eu não teria pegado um avião só para te visitar e usar meus contatos acadêmicos para investigar a vida dessa garota para você. E foi justamente vasculhando os podres dela que eu descobri que o irmão caçula do Cláudio está bem aqui.
Vinícius manteve um silêncio absoluto. A briga que tivera com Cláudio era águas passadas, um mero detalhe banal de sua juventude, e a existência desse tal de Renan não lhe causava a menor preocupação ou estado de alerta.
— Sabendo muito bem da péssima índole do irmão mais velho, você já deve imaginar que o caçula não fica atrás. Esse moleque é um playboy mimado e inconsequente, com uma fama terrível espalhada por aí. O que rola nos corredores é que ele passou os últimos dois anos rastejando atrás da Sarah. O cara apelou para tudo, comprou presentes caros, e mesmo assim tomou um belo de um fora. — Enquanto falava sem parar, o amigo esfregava o queixo com a mão livre, observando pelo canto do olho qualquer alteração no semblante rígido de Vinícius.
— A fama da Sarah no campus é de ser uma garota difícil de lidar, muito dona de si e que não abaixa a cabeça. O Renan, com aquele ego fragilizado de macho rejeitado, não aguentou a humilhação pública e começou a espalhar ameaças pelo círculo social, dizendo que qualquer um que tentasse se aproximar dela estaria comprando briga com ele. Mesmo pagando de machão possessivo, ele continua tentando a sorte feito um carrapato. Mas, cá entre nós, dá para entender a obsessão do moleque. A garota é realmente deslumbrante. — O cabeludo soltou uma risadinha maliciosa, ajeitando a postura. — Sinceramente, se eu não fosse um homem bem casado e de família, até eu arriscava entrar nessa fila...
— Pode deixar que eu farei questão de repassar essa sua declaração exata para a sua esposa. — Retrucou Vinícius, cortando o clima com uma ironia implacável.
— Vai te catar, seu filha da...
O palavrão bem-humorado do rapaz morreu no meio do caminho. Sem aviso prévio, Vinícius disparou em direção ao aglomerado de pessoas no centro do estúdio, movendo-se com a agilidade assustadora de um felino em bote. Em questão de segundos, um estalo seguido de um estrondo ensurdecedor tomou conta do ambiente quando o pesado painel do cenário cedeu, desabando de forma catastrófica sobre a estrutura metálica dos equipamentos de iluminação.
O pior de tudo era que Sarah estava posicionada exatamente no ponto de impacto.
— O que você quer que eu diga? — Indagou Vinícius, franzindo o cenho em evidente irritação com as brincadeiras infantis do parceiro.
Sérgio o encarou incrédulo, sentindo vergonha alheia.
"É com essa simpatia de porta que ele acha que vai conquistar alguém na vida?", pensou, segurando a vontade de revirar os olhos.
Abaixando os cílios por um breve instante, Sarah pareceu ligar os pontos em sua cabeça e voltou sua atenção para o homem estoico que a protegia.
— Ah, claro! Muito obrigada por ter me puxado agora há pouco, você literalmente me livrou de um desastre. Você é... o Sr. Freitas, irmão mais velho da Luana, estou certa? — Perguntou ela, tentando soar o mais educada e formal possível.
Sérgio travou no lugar, arregalando os olhos em um espanto cômico. Dois segundos depois, a ficha caiu por completo e ele explodiu em uma gargalhada escandalosa, precisando abraçar a própria barriga para não cair no chão de tanto rir da cena.
Observando a reação espalhafatosa do outro homem, Sarah sentiu um arrepio ruim subir pela espinha. O clima se tornou denso e incrivelmente constrangedor.
"Meu Deus, será que eu cometi alguma gafe imperdoável?", perguntou a si mesma, apertando as mãos suadas de nervosismo.
Foi então que a voz grave, profunda e imponente de Vinícius cortou o ar tenso, corrigindo-a sem qualquer tipo de rodeio:
— Meu sobrenome é Souza.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...