Na manhã seguinte àquela confissão inesperada, Sarah saiu do quarto e espiou a sala de estar com extrema cautela. Encontrou Vinícius na bancada da cozinha, preparando café e terminando de montar a mesa do café da manhã com uma tranquilidade que a deixava desconcertada.
"Foi ele quem disse todas aquelas coisas absurdas, mas fui eu quem passou a noite inteira rolando na cama sem conseguir pregar os olhos.", pensou ela, sentindo o coração acelerar.
Ela precisou respirar fundo algumas vezes antes de criar coragem para entrar de vez no cômodo. Vinícius ergueu o olhar, observando-a puxar a cadeira e se sentar sem demonstrar muita reação. Em seguida, ele deslizou um prato com torradas, ovos fritos e algumas frutas frescas para a frente dela.
— Eu só sei preparar o básico na cozinha. A funcionária responsável pela casa só começa a trabalhar amanhã. — Comentou ele, quebrando o silêncio com a sua voz grave.
— Vocês contrataram mesmo alguém para cuidar de tudo? — Perguntou Sarah, surpresa com a informação.
"Bem, considerando a posição social e o estilo de vida deles, era óbvio que dinheiro não seria um problema.", refletiu ela consigo mesma.
— Ter alguém para manter o lugar limpo é o de menos. O principal motivo é que, com mais uma pessoa circulando por aqui durante o dia, você não vai se sentir tão desconfortável morando sob o mesmo teto que eu. — Explicou ele, encarando-a com seriedade.
Sarah ficou paralisada, com a torrada a meio caminho da boca.
"Ele percebeu que eu ficaria sem graça com essa situação?", ela se indagou mentalmente. Temendo que ele tivesse interpretado o seu distanciamento de um jeito ruim, ela se apressou em justificar a sua postura.
— Não foi isso que eu quis dizer, por favor, não me entenda mal. Eu sei que você é um homem de respeito, não estou com medo de você nem tentando me proteger de nada...
No entanto, quanto mais ela tentava se explicar, mais a frase soava comprometedora.
"Falar isso não é o mesmo que admitir em voz alta que eu gosto de ficar sozinha com ele?", percebeu tarde demais, sentindo o rosto esquentar de vergonha.
Vinícius mexeu o café com uma colher pequena, tocou a borda de porcelana da xícara com a ponta dos dedos e ergueu os olhos escuros para encará-la com uma intensidade que a fez prender a respiração.
— Eu não sou tão santo assim. — Rebateu ele, com um tom de voz baixo e perigoso.
O movimento de Sarah parou no ar. O pomo de adão dele subiu e desceu ao engolir em seco. Desviando o olhar para a mesa, ele levou a xícara aos lábios de forma lenta antes de continuar.
— Você não deveria abaixar a guarda e confiar tanto em mim. Afinal de contas, eu sou um homem.
Ainda atônita com a franqueza daquelas palavras, Sarah pegou a torrada no prato e deu uma mordida mecânica, sentindo as pontas das orelhas arderem como brasa.
"Mas é exatamente por enxergar você como um homem que eu não consegui fechar os olhos a noite toda.", confessou em seus pensamentos, incapaz de formular qualquer resposta em voz alta.
Logo após o almoço, quando Vinícius finalmente saiu de casa para resolver os seus compromissos, Sarah aproveitou a oportunidade para ir ao encontro de Luana e tentar acalmar os próprios nervos.
Luana colocou um copo de suco gelado na frente da amiga e se sentou ao lado dela no sofá.
— Menina do céu, você quase matou a gente do coração ontem à noite. Chegamos a pensar que o pior tinha acontecido com você na rua. — Disparou ela, transbordando preocupação.
Sarah não respondeu de imediato, perdida em seus próprios devaneios. Ao notar as olheiras marcadas e o olhar distante da amiga, Luana baixou o tom de voz e perguntou com doçura:
— Aconteceu alguma coisa grave?
— Hã? — Sarah piscou, voltando à realidade de supetão. Ao encontrar o olhar atento de Luana, desviou o rosto, sem graça com a situação. — Não foi nada demais. Eu só estava com a cabeça cheia ontem e precisei de um tempo sozinha no parque para colocar as ideias no lugar. Me desculpe por ter deixado vocês preocupados à toa.
Percebendo que a amiga não queria entrar em detalhes sobre a noite anterior, Luana balançou a cabeça e decidiu não insistir no assunto.
Luana percebeu a mudança brusca de comportamento, mas fingiu não notar o constrangimento evidente. Em vez disso, abriu um sorriso travesso e lançou a isca:
— E o que você acha do meu irmão?
— Eu... eu acho ele uma pessoa muito boa. — Gaguejou Sarah, tropeçando nas próprias palavras.
— Pois é, mas de que adianta ser um homem incrível se nenhuma mulher se interessa por ele? — Provocou Luana, soltando um suspiro dramático e exagerado para dar ênfase à encenação.
— Como assim nenhuma mulher se interessa? — Sarah ficou genuinamente indignada com a afirmação. — O seu irmão é lindo, super educado, gentil e atencioso com todo mundo. Qualquer garota ficaria encantada por um homem com esse perfil!
Luana apoiou o queixo nas mãos, sustentando o teatro com maestria.
— Acredite se quiser, mas a fila dele não anda de jeito nenhum.
— Então... então o problema é que essas mulheres não têm bom gosto. — Retrucou Sarah, abaixando a cabeça para tomar mais um gole de suco e tentar esconder o nervosismo que tomava conta de seu corpo.
Por dentro, ela estava perplexa. Como era possível que ninguém quisesse um homem como Vinícius?
"Será que as mulheres de hoje em dia ficaram exigentes a esse ponto?", ela se questionou, ainda sem acreditar naquilo.
Incapaz de segurar o riso por mais tempo diante da inocência da amiga, Luana fechou o notebook e se sentou mais perto dela no sofá.
— Já que você acha ele tão maravilhoso assim, o que acha de eu apresentar vocês dois e bancar o cupido?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...