O tapa foi tão inesperado que Luana sequer teve tempo de reagir, e até Agatha, ao lado, se sobressaltou.
Com o rosto carregado e o dedo em riste, Douglas apontou para ela e disparou:
— Você quer se divorciar do Ricardo? Pois eu já digo de uma vez, isso não vai acontecer! Não enquanto eu estiver vivo!
A respiração dele estava pesada, a voz impregnada de reprovação.
— Você acha que qualquer mulher consegue entrar numa família rica? Foi um golpe de sorte que você conseguiu essa posição, um presente de Deus! Não ouse ser ingrata!
Sorte?
Luana engoliu em seco. Sim, se ele queria chamar assim... Aquela "sorte" só veio porque, quando era jovem, ela esteve ao lado de Ricardo nos dias mais sombrios da vida dele, arriscando tudo para ajudá-lo a fugir e a sobreviver. E hoje, a família Ferraz lhe devia uma dívida que jamais teria como pagar.
Um riso curto escapou dos lábios dela, mas não havia humor nele, apenas a raiva que deixava seus olhos avermelhados.
— Pai, eu não consigo entender. Eu também sou sua filha. Por que, aos seus olhos, parece que só o meu irmão é seu filho? Quantas vezes o senhor me chamou aqui? Oitenta por cento das vezes era por causa dele! Nem precisa inventar desculpa dizendo que é para jantar em família. No fundo, o que o senhor quer é que eu vá pedir dinheiro ao Ricardo por vocês. Para o senhor e para a mamãe, tudo que diz respeito ao Luiz é importante, e tudo que é meu não vale absolutamente nada, não é?
As palavras pesaram no ar. Douglas desviou o olhar, visivelmente desconfortável, como se tivesse sido desarmado.
— Você é a irmã mais velha e ele é o seu irmão. Ajudá-lo não é dever seu?
Luana manteve o queixo erguido, tentando conter as lágrimas.
— Sustentar ele é obrigação de vocês, não minha.
— Você... — A fúria subiu à voz de Douglas, que ergueu a mão, prestes a bater nela outra vez.
Mas Luana não recuou. Inclinou levemente o rosto para frente e desafiou:
— Vá em frente! Se tiver coragem, bata de novo!
Douglas estremeceu, tomado pelo ódio, mas a mão não chegou a se mover.
— Douglas, chega! — Agatha, enfim recobrando o controle, segurou o braço do marido e o afastou alguns passos. Em seguida, se aproximou da filha, dizedno com a voz mais calma, porém apressada. — Luana, pare com isso. O Luiz se meteu num problema sério desta vez. Ele está detido na delegacia. Eu e seu pai pensamos que, por causa da ligação que você tem com a família Ferraz, talvez o Ricardo pudesse encontrar uma forma de tirá-lo de lá.
O coração de Luana gelou. Mais uma vez, tudo girava em torno de Luiz. A preocupação deles nunca era com ela, era sempre com ele.
— Eu não posso ajudar.
— Luana, ele é seu irmão de sangue...
A pressão dentro dela explodiu.
— Ricardo! — A voz animada de Vanessa ecoou pelo corredor. Ela vinha apressada, com um sorriso radiante.
— Terminou a reunião? — Ela perguntou, já se aproximando.
Ele respondeu apenas com um murmúrio quase inaudível. Vanessa lançou um olhar rápido à porta fechada do consultório de Luana e, sem hesitar, segurou o braço dele com intimidade.
— Veio me procurar? Meu consultório não fica aqui, você sabe.
A enfermeira que estava por perto ficou sem graça. Então talvez tivesse se enganado? Ricardo não estava atrás de Luana, e sim de Vanessa?
Ele não esclareceu nada e, com um leve movimento, soltou o braço dela.
— Ainda não terminou seu trabalho?
— Ainda não. — Vanessa se aproximou, o corpo quase colado ao dele. Para quem visse de fora, era a imagem de um casal apaixonado. — Ah, e mais tarde você vai comigo buscar o Leo?
Ricardo estava prestes a responder quando o celular vibrou em sua mão. Ao ver o nome de Luana na tela, um quase imperceptível arco surgiu no canto dos lábios dele. Afastou-se alguns passos, levando o telefone ao ouvido.
— Pensou melhor? Está pronta para pedir desculpas?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Quero ler o livro completo como faço?...
Ler o livro a partir do capitulo 561...
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