Saulo, o delegado-chefe, saiu da sala com o rosto carregado de tensão, fazendo um gesto brusco para que o jovem policial entrasse primeiro.
A mulher e o marido trocaram olhares nervosos, ainda sem compreender a real gravidade da situação que os aguardava.
— Sr. Saulo, o que o senhor quer dizer com isso? — A voz da mulher carregava desespero mal disfarçado. — Antes o senhor sempre dava uma consideração ao meu irmão, e além disso o senhor conhece muito bem a situação delicada do meo filho!
O rosto de Saulo se contorceu numa expressão de fúria contida, suas faces ficaram vermelhas como brasa.
— Justamente porque sei da situação é que estou falando isso! Vocês, como pais, não sabem controlar o próprio filho? — Sua voz ecoou pelo corredor com autoridade inabalável. — Com ele nesse estado mental vocês não arranjam alguém para vigiá-lo direito. Quantas vezes já aconteceu esse mesmo tipo de acidente? E toda vez não sou eu que tenho que quebrar o galho de vocês e tirá-lo da encrenca!
O casal ficou mudo diante da avalanche de palavras certeiras de Saulo, sem conseguir encontrar uma única resposta que pudesse amenizar a situação.
Saulo balançou as mãos com impaciência e se virou para partir, mas parou no meio do movimento.
— Não é que não quero ajudar vocês dessa vez. O problema é que ele mexeu com quem não devia mexer. Se eu tentar ajudar vocês agora, meu cargo vai ter que ser ocupado por outra pessoa no dia seguinte!
A mulher ergueu o queixo com teimosia desesperada.
— Não me importo com isso, meu filho está doente e precisa de ajuda. Quero ver que tipo de pessoa tão poderosa assim não se deve mexer!
Vendo a atitude ignorante e desafiadora da mulher, o rosto de Saulo ficou negro como carvão. Álvaro, presidente da Receita Federal, tinha o azar de ter uma irmã tão idiota. Parecia que toda a sorte da família tinha ido pro ralo de uma vez só.
— É a família Ferraz! — As palavras saíram como uma sentença final. — Se tem tanta coragem assim, vá mexer com eles e veja o que acontece!
A mulher ficou completamente atônita, como se tivesse levado um tapa violento da realidade crua. Seu corpo inteiro se paralisou no lugar, incapaz de processar a informação devastadora.
...
À noite, Luana dormia inquieta entre sonhos confusos e pesadelos fragmentados. Quando abriu os olhos pesados, vagamente percebeu uma silhueta escura sentada ao lado da cama e acordou de sobressalto, o coração disparando no peito.
Aproveitando a luz fraca do corredor que se espalhava timidamente pelo quarto escuro, ela conseguiu distinguir claramente o perfil elegante do homem escondido na penumbra densa.
Ricardo estava sentado na cadeira de acompanhante com as pernas cruzadas numa postura relaxada, esfregando o mostrador prateado do relógio com o dedo indicador num movimento repetitivo e hipnótico.
— Por que não me disse sobre a internação? — Sua voz cortou o silêncio como uma lâmina afiada.
Luana se recuperou do susto inicial e vagarosamente se sentou na cama, puxando o cobertor para cima.
— Faz diferença eu contar ou não contar? Aliás, o Sr. Ricardo aparecer aqui no hospital é uma raridade digna de nota.
Ouvindo ela chamá-lo de "Sr. Ricardo" de forma tão repetitiva e distante, Ricardo ergueu as pálpebras pesadas e fixou o olhar penetrante em seu rosto pálido e abatido.
Após um longo momento de tensão visível, ele se inclinou para frente na cadeira, aproximando o rosto do dela.
— Você precisa falar comigo sempre dessa forma tão sarcástica e cortante?
— Não foi você mesmo que disse que em público devíamos agir como dois perfeitos estranhos? — Ela devolveu a pergunta sem hesitar.
Ricardo a encarou com intensidade crescente, o músculo da mandíbula se contraiu de forma visível sob a pele, mas ele permaneceu em silêncio absoluto.
Luana sentiu que, entre os dois, com certeza um havia perdido o juízo.
— Sr. Ricardo, não me diga que pretende passar a noite inteira aqui nesta cama?
— Sim, é exatamente isso que pretendo fazer.
Luana ficou paralisada ali, completamente sem reação. Quase achou que havia tido uma alucinação auditiva provocada pelos remédios.
Antes, quando ela ficava doente na cama, ele nem sequer olhava na direção dela. E agora ele queria passar a noite acompanhando-a numa cama apertada de hospital?
Os olhos de Ricardo eram sombrios e insondáveis como um poço sem fundo, refletindo segredos que nem ele mesmo conseguia decifrar.
Por quê? Como ele poderia saber a resposta para aquela pergunta?
Ele mesmo queria descobrir o que havia nessa mulher frágil que o estava afetando de forma tão profunda e inexplicável.
— Luana. — Ele chamou seu nome com uma suavidade que ela não estava acostumada a ouvir.
Luana ficou confusa com a mudança súbita no tom de voz dele.
— Já nos conhecíamos antes? — Perguntou Ricardo, a voz carregada de uma melancolia estranha.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...