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A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV romance Capítulo 826

Liliane paralisou por uma fração de segundo, mas logo recuperou a própria pose defensiva, arrancando o celular da mão dele de forma brusca.

— O que eu faço ou deixo de fazer não é da sua conta! — Disparou ela, tentando disfarçar a culpa estampada em suas feições.

No momento em que ela deu o primeiro passo na intenção de fugir dali, o braço forte do homem avançou e agarrou o seu pulso com firmeza, impedindo qualquer tentativa de fuga.

— Ei, me solta agora...

— Você tem toda a razão, eu não tenho nenhum direito de controlar os seus passos. — Valentino a interrompeu, implacável. Os olhos dele eram poços escuros, intensos e carregados de uma seriedade ameaçadora. — A minha única questão aqui é tentar entender o que exatamente o Ricardo exigiu que você fizesse por ele.

Incapaz de sustentar aquele contato visual tão pesado, ela desviou o olhar para o asfalto, mas manteve o tom de desafio a todo custo.

— Você vai largar o meu braço ou não? Porque se continuar com essa agressividade, eu vou começar a gritar por socorro!

Valentino permaneceu inabalável, como se nem a tivesse ouvido fazer a ameaça.

— Responda à minha pergunta.

Liliane usou a mão livre para tentar soltar os dedos dele, mas o aperto parecia ser feito de ferro maciço. Após gastar toda a sua energia em uma luta física inútil, ela por fim desistiu, bufando de raiva contida.

— Se você quer tanto descobrir os segredos daquele cara, vá procurar o Ricardo e pergunte a ele!

— Precisamos conversar em um lugar adequado.

— Eu não tenho nada para falar com você! — Negou ela, impaciente.

Ele continuou plantado no mesmo lugar, estudando cada detalhe do rosto da moça com aquela escuridão absurda no olhar.

— O que você prefere beber? A conta fica por minha responsabilidade.

— Eu já disse que não quero...

Antes que a recusa saísse por completo dos lábios da jovem, Valentino tomou a frente e a puxou consigo pelo caminho, ignorando qualquer outra objeção que ela pudesse criar.

A iluminação do corredor comercial era forte, e o som dos passos apressados de ambos ecoava pelo piso de mármore do andar. Ao longo do trajeto, a mulher tentava de todas as formas se desvencilhar do toque dele, mas a força de Valentino era constante e não dava margem para escapatórias.

— Qual é o seu problema, afinal? — Reclamou ela em voz alta, a indignação tomando conta. — Já deixei bem claro que não vou abrir a boca para falar nada. Você está perdendo o seu tempo bancando o detetive comigo!

— Não faz diferença alguma, porque eu já sei de tudo mesmo sem você confessar.

A resposta curta e fria de Valentino foi o suficiente para calar Liliane de vez, deixando-a sem chão e sem argumentos.

Em poucos minutos, ele a guiou até uma cafeteria ao ar livre localizada no segundo andar do shopping, onde o movimento ainda era intenso, com diversas mesas ocupadas por clientes rindo e conversando. Valentino parou diante do caixa, fez o próprio pedido com a atendente e, em seguida, girou o corpo na direção da moça.

— O que você vai querer beber? — Indagou ele, mantendo um tom sereno.

Liliane suspirou, correndo os olhos pelo cardápio iluminado na parede sem o menor interesse.

Recostando-se na cadeira com um ar despretensioso, Valentino cruzou as longas pernas. O olhar dele carregava um traço quase imperceptível de diversão irônica.

— Eu não consigo entender qual é a grande lógica na cabeça do Ricardo. Usar justo você como isca para testar as águas da concorrência chega a ser cômico.

O ato de beber foi interrompido com brutalidade. Os olhos da garota escureceram, tomados por uma frieza cortante, revelando o quanto aquela frase casual havia tocado em uma ferida antiga.

— Por um acaso, você também é do tipo que me enxerga como alguém de todo inútil? — Perguntou ela, ríspida, a mágoa transbordando na voz.

Segundos atrás, o empresário brincava com a borda da xícara de forma despreocupada. No entanto, ao perceber a mudança drástica no estado emocional da mulher à sua frente, qualquer vestígio de sarcasmo sumiu do seu rosto.

— Eu não quis dizer isso. — Ele se corrigiu, assumindo uma postura bem mais contida e respeitosa.

— Pode poupar as suas palavras de consolo. — Liliane soltou uma risada seca e cheia de desgosto, encarando a própria bebida. — Sei muito bem qual é a visão que todos vocês têm sobre mim. Acham que sou uma piada ambulante e que, mesmo diante da tarefa mais simples da face da terra, eu vou dar um jeito espetacular de estragar tudo.

— Liliane. — Valentino pronunciou o nome dela com uma seriedade absoluta, inclinando o tronco sobre a mesa para garantir a atenção da moça. — Você já parou para pensar nas consequências reais de tudo isso? Já passou pela sua cabeça que, se as pessoas erradas descobrirem o que você está fuçando, a sua vida pode correr um perigo sem tamanho?

Uma nova risada escapou dos lábios dela, desta vez carregada de amargura e de uma tristeza pesada.

— Perigo de quê, exatamente? O que você acha que eu represento aos olhos dessa gente rica e engravatada? Se formos poéticos, sou um caixa eletrônico ambulante. Se formos sinceros até o osso, sou só uma bajuladora barata, uma garota de recados que acha que pode resolver tudo ostentando um dinheirinho fácil! Que tipo de figurão perderia tempo e poder para eliminar um lixo tão insignificante quanto eu?

Mesmo sabendo que ela estava atirando todas aquelas ofensas crueis contra si mesma, o homem conseguia ouvir a voz feminina tremendo aos poucos, como um cristal prestes a se despedaçar sob o menor toque. O peso daquela vulnerabilidade inesperada o pegou desprevenido. De repente, Valentino sentiu como se uma mão invisível apertasse o seu coração com força, criando um nó na garganta diante do desespero silencioso da garota.

— Você está muito longe de ser essa bagunça que descreve. — Afirmou ele, quebrando o silêncio tenso com uma voz firme e acolhedora. — E você, com toda certeza, não é inútil para este mundo.

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