Liliane paralisou por uma fração de segundo, mas logo recuperou a própria pose defensiva, arrancando o celular da mão dele de forma brusca.
— O que eu faço ou deixo de fazer não é da sua conta! — Disparou ela, tentando disfarçar a culpa estampada em suas feições.
No momento em que ela deu o primeiro passo na intenção de fugir dali, o braço forte do homem avançou e agarrou o seu pulso com firmeza, impedindo qualquer tentativa de fuga.
— Ei, me solta agora...
— Você tem toda a razão, eu não tenho nenhum direito de controlar os seus passos. — Valentino a interrompeu, implacável. Os olhos dele eram poços escuros, intensos e carregados de uma seriedade ameaçadora. — A minha única questão aqui é tentar entender o que exatamente o Ricardo exigiu que você fizesse por ele.
Incapaz de sustentar aquele contato visual tão pesado, ela desviou o olhar para o asfalto, mas manteve o tom de desafio a todo custo.
— Você vai largar o meu braço ou não? Porque se continuar com essa agressividade, eu vou começar a gritar por socorro!
Valentino permaneceu inabalável, como se nem a tivesse ouvido fazer a ameaça.
— Responda à minha pergunta.
Liliane usou a mão livre para tentar soltar os dedos dele, mas o aperto parecia ser feito de ferro maciço. Após gastar toda a sua energia em uma luta física inútil, ela por fim desistiu, bufando de raiva contida.
— Se você quer tanto descobrir os segredos daquele cara, vá procurar o Ricardo e pergunte a ele!
— Precisamos conversar em um lugar adequado.
— Eu não tenho nada para falar com você! — Negou ela, impaciente.
Ele continuou plantado no mesmo lugar, estudando cada detalhe do rosto da moça com aquela escuridão absurda no olhar.
— O que você prefere beber? A conta fica por minha responsabilidade.
— Eu já disse que não quero...
Antes que a recusa saísse por completo dos lábios da jovem, Valentino tomou a frente e a puxou consigo pelo caminho, ignorando qualquer outra objeção que ela pudesse criar.
A iluminação do corredor comercial era forte, e o som dos passos apressados de ambos ecoava pelo piso de mármore do andar. Ao longo do trajeto, a mulher tentava de todas as formas se desvencilhar do toque dele, mas a força de Valentino era constante e não dava margem para escapatórias.
— Qual é o seu problema, afinal? — Reclamou ela em voz alta, a indignação tomando conta. — Já deixei bem claro que não vou abrir a boca para falar nada. Você está perdendo o seu tempo bancando o detetive comigo!
— Não faz diferença alguma, porque eu já sei de tudo mesmo sem você confessar.
A resposta curta e fria de Valentino foi o suficiente para calar Liliane de vez, deixando-a sem chão e sem argumentos.
Em poucos minutos, ele a guiou até uma cafeteria ao ar livre localizada no segundo andar do shopping, onde o movimento ainda era intenso, com diversas mesas ocupadas por clientes rindo e conversando. Valentino parou diante do caixa, fez o próprio pedido com a atendente e, em seguida, girou o corpo na direção da moça.
— O que você vai querer beber? — Indagou ele, mantendo um tom sereno.
Liliane suspirou, correndo os olhos pelo cardápio iluminado na parede sem o menor interesse.
Recostando-se na cadeira com um ar despretensioso, Valentino cruzou as longas pernas. O olhar dele carregava um traço quase imperceptível de diversão irônica.
— Eu não consigo entender qual é a grande lógica na cabeça do Ricardo. Usar justo você como isca para testar as águas da concorrência chega a ser cômico.
O ato de beber foi interrompido com brutalidade. Os olhos da garota escureceram, tomados por uma frieza cortante, revelando o quanto aquela frase casual havia tocado em uma ferida antiga.
— Por um acaso, você também é do tipo que me enxerga como alguém de todo inútil? — Perguntou ela, ríspida, a mágoa transbordando na voz.
Segundos atrás, o empresário brincava com a borda da xícara de forma despreocupada. No entanto, ao perceber a mudança drástica no estado emocional da mulher à sua frente, qualquer vestígio de sarcasmo sumiu do seu rosto.
— Eu não quis dizer isso. — Ele se corrigiu, assumindo uma postura bem mais contida e respeitosa.
— Pode poupar as suas palavras de consolo. — Liliane soltou uma risada seca e cheia de desgosto, encarando a própria bebida. — Sei muito bem qual é a visão que todos vocês têm sobre mim. Acham que sou uma piada ambulante e que, mesmo diante da tarefa mais simples da face da terra, eu vou dar um jeito espetacular de estragar tudo.
— Liliane. — Valentino pronunciou o nome dela com uma seriedade absoluta, inclinando o tronco sobre a mesa para garantir a atenção da moça. — Você já parou para pensar nas consequências reais de tudo isso? Já passou pela sua cabeça que, se as pessoas erradas descobrirem o que você está fuçando, a sua vida pode correr um perigo sem tamanho?
Uma nova risada escapou dos lábios dela, desta vez carregada de amargura e de uma tristeza pesada.
— Perigo de quê, exatamente? O que você acha que eu represento aos olhos dessa gente rica e engravatada? Se formos poéticos, sou um caixa eletrônico ambulante. Se formos sinceros até o osso, sou só uma bajuladora barata, uma garota de recados que acha que pode resolver tudo ostentando um dinheirinho fácil! Que tipo de figurão perderia tempo e poder para eliminar um lixo tão insignificante quanto eu?
Mesmo sabendo que ela estava atirando todas aquelas ofensas crueis contra si mesma, o homem conseguia ouvir a voz feminina tremendo aos poucos, como um cristal prestes a se despedaçar sob o menor toque. O peso daquela vulnerabilidade inesperada o pegou desprevenido. De repente, Valentino sentiu como se uma mão invisível apertasse o seu coração com força, criando um nó na garganta diante do desespero silencioso da garota.
— Você está muito longe de ser essa bagunça que descreve. — Afirmou ele, quebrando o silêncio tenso com uma voz firme e acolhedora. — E você, com toda certeza, não é inútil para este mundo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...