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A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV romance Capítulo 839

No banheiro, a água quente do chuveiro escorria pelos seus ombros e pescoço, levando um pouco da tensão embora. Em meio ao vapor espesso que tomava conta do ambiente, ela levou a mão até a cicatriz do tiro no ombro e parou, paralisada pelo toque áspero na pele.

Por mais que forçasse a mente, não conseguia se lembrar do motivo de ter levado aquele tiro, nem da razão que a levou a perder a memória e acabar separada dos pais. Era um vazio angustiante, uma escuridão que a impedia de saber que tipo de vida levava antes de tudo aquilo ou que tipo de sofrimentos havia suportado no passado.

Foi por aquele motivo que, quando Túlio disse que conhecia a sua família, ela agarrou essa esperança com unhas e dentes. Acreditando ter encontrado alguém que detinha as chaves do seu passado, ela permaneceu ao lado dele, trabalhando com dedicação cega. Aquela lealdade durou até o momento em que descobriu o esquema de contrabando de remédios falsificados, uma revelação que desencadeou uma longa e dolorosa batalha interna.

Agora, diante da possibilidade de que seus pais ainda estivessem procurando por ela, sentiu o peito apertar de novo, dominado por uma dor surda e sufocante.

O barulho da água parou de repente.

Ela estendeu a mão e fechou o registro do chuveiro. Com os cabelos molhados grudados na testa e grossas gotas de água escorrendo pela linha da mandíbula, ela encarou o espelho embaçado. Passou os dedos com força pelo vidro, abrindo um clarão nítido para encarar o próprio rosto pálido e assustado refletido ali.

"As palavras do Flávio não merecem um pingo de confiança.", pensou ela, com o olhar firme. "Só existe mais uma pessoa capaz de me ajudar agora!"

No dia seguinte, a primeira coisa que Sebastião fez ao colocar os pés no país foi procurar Ricardo para reclamar da forma como havia sido largado sozinho no exterior.

A sala do escritório parecia pequena para abrigar tanta indignação do rapaz, enquanto Fernanda, parada ali perto, mal conseguia segurar o riso diante de tamanho drama.

— Qual é a graça da situação? — Sebastião se levantou e caminhou na direção dela, abrindo os braços em um gesto de frustração. — Se eu não tivesse muita sorte, teria caído em um golpe e acabado sem os meus rins!

Fernanda ergueu o olhar e o encarou com um toque de ironia.

— Com o seu histórico, o mais provável é que você arrancasse os rins do golpista, não acha?

— Olha o jeito que você fala...

— Você conhece essa moça? — Ricardo cortou a discussão, jogando uma pasta com documentos sobre a mesa de centro.

Sebastião se aproximou, pegou o arquivo e deu uma olhada rápida, franzindo a testa em confusão.

— Ué, essa não é a Isadora?

Fernanda deu um passo à frente, avaliando a reação dele com olhos de investigadora criminal.

— Então você conhece ela mesmo.

— Claro que conheço. Mas o que aconteceu com ela? — O rapaz intercalou o olhar entre os dois, sem entender o peso daquele interrogatório.

Ricardo baixou os olhos e girou o relógio no pulso com calma, deixando que Fernanda fizesse as honras da explicação.

— Ela é uma das suspeitas no caso dos medicamentos falsificados daquela fábrica. — Explicou a assistente, mantendo o tom sério. — É a braço-direito do Túlio, e estamos atrás do paradeiro dela.

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