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A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV romance Capítulo 845

Na manhã seguinte, quando Isadora desceu as escadas após acordar, encontrou Luana à sua espera na sala de jantar.

— Já está de pé? Bom dia. — Cumprimentou a anfitriã.

Isadora retribuiu com um aceno tímido e se aproximou da mesa. Diante dela havia um café da manhã farto, porém adaptado: uma tigela de mingau de aveia, um prato com macarrão de ovos e uma porção de legumes.

— Como eu estou grávida, meu estômago não aceita comidas pesadas, então mandei preparar um café da manhã mais leve hoje. — Explicou Luana, notando o olhar da outra para a comida.

— Não tem o menor problema. — Isadora se apressou em responder, temendo parecer ingrata. — Como qualquer coisa, de verdade.

Aquelas palavras fizeram o coração de Luana pesar. Na sua memória, a Isadora do passado dividia a mesma personalidade vibrante de Liliane, dona de um orgulho cativante e de uma atitude destemida. No entanto, a vida havia apagado todo esse brilho, e a mulher à sua frente agora era contida, medindo cada passo com um medo constante de incomodar.

— Fiquei sabendo que você conheceu a Liliane lá na empresa. — Comentou Luana, puxando assunto.

Isadora parou o garfo no meio do caminho e ergueu o rosto. Após engolir a comida, perguntou curiosa:

— Você conhece a Liliane também?

— Conheço e muito! — Luana abriu um sorriso nostálgico. — Na verdade, o jeito dela lembra bastante como você costumava ser.

Os cílios longos de Isadora tremeram de leve.

— E como eu costumava ser?

— Você era uma mulher radiante, cheia de autoconfiança e com uma pitada de orgulho. Sabia amar e odiar com a mesma intensidade. — Luana apoiou o rosto na mão e continuou, mergulhada em lembranças. — Naquela época, eu, você e a Renata éramos unha e carne. Dávamos super bem lá no hospital em Riviera.

Isadora voltou a tomar o seu mingau, ouvindo o relato em silêncio absoluto. Era uma sensação estranha. Tudo soava como a biografia de uma desconhecida, uma vida que não lhe pertencia. Contudo, ao fim da narrativa, seus olhos já estavam vermelhos e marejados.

O choque de realidade foi brutal. Quando os pais ficaram cara a cara com Isadora e perceberam o vazio em seu olhar, o mundo da família desabou. A Sra. Barbosa agarrou a filha num abraço desesperado, chorando aos prantos e culpando a si mesma pela tragédia sem parar. O Sr. Nelson, preso à sua cadeira de rodas, virou o rosto para o lado e secou as lágrimas que insistiam em cair em silêncio.

Apertada contra o peito daquela mulher, Isadora não possuía nenhuma memória afetiva para resgatar. Contudo, a dor dilacerante daquela mãe atravessou as barreiras da amnésia, atingindo o seu coração em cheio. Sem pensar duas vezes, ela retribuiu o abraço com força, deixando as lágrimas rolarem livres pelo próprio rosto.

Testemunhar aquela cena comovente foi demais para Renata e Luana, que também começaram a chorar no canto da sala.

Mais tarde, as duas saíram para respirar um pouco de ar puro na varanda. Luana repousou a mão no ombro da amiga e disse com gratidão:

— Você trabalhou duro nesses últimos dias, muito obrigada por tudo.

— Que nada, não foi incômodo algum. — Minimizou Renata, espiando para dentro da casa. — Eu fiquei com tanta pena da Sra. Barbosa e do Sr. Nelson... A minha vontade era ajudar no que fosse possível. Luana, será que a Isadora vai voltar a lembrar do passado algum dia?

— Acredito que sim. — Respondeu Luana, após alguns segundos de reflexão. Ela mirou o horizonte e concluiu num tom melancólico. — Mas, pensando bem, se as lembranças do que ela viveu forem muito cruéis, talvez esquecer tudo para o resto da vida seja uma verdadeira bênção.

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