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A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV romance Capítulo 867

Quando Liliane finalmente alcançou a margem do açude, percebeu que havia chegado tarde demais. O som de um mergulho brusco rompeu o ar; a mulher havia se atirado nas águas escuras com uma determinação desesperada de quem queria acabar com tudo.

Paralisada de pavor diante daquela cena, Liliane começou a gritar por socorro com toda a força dos pulmões, movida pelo puro instinto. Quase no mesmo instante, um vulto passou por ela feito um raio e mergulhou no açude para tentar o resgate.

Os gritos desesperados atraíram com rapidez as outras pessoas que estavam na fazenda, incluindo a senhora que havia acabado de sair para cuidar dos afazeres diários. Ao perceber que alguém estava tentando tirar a própria vida ali mesmo, a mulher entrou em pânico.

— Meu Deus, o que a gente faz agora?! — Berrou a senhora, gesticulando com pura aflição. — Liguem para o SAMU, rápido! Não fiquem aí plantados!

Não demorou muito para Valentino puxar a mulher das águas turvas, contando com a ajuda das pessoas na margem para içá-la até a terra firme. Sem perder um segundo sequer, ele a deitou no chão, posicionou as mãos sobre o peito dela e iniciou as compressões torácicas da reanimação.

Liliane sentia o coração na boca e estava pálida de tanto susto. A sua única reação foi rezar em silêncio para que a desconhecida sobrevivesse àquela tragédia. Enquanto isso, mais afastada e escondida atrás dos curiosos, uma figura observou todo o resgate em silêncio e se afastou de fininho, sem fazer alarde.

Quando a ambulância finalmente chegou ao local com a sirene ligada, a mulher já havia recobrado a consciência. Como não havia parentes por perto, Liliane e Valentino assumiram a responsabilidade de acompanhantes e seguiram na viatura com ela até o pronto-socorro.

O médico estava encharcado da cabeça aos pés, coberto apenas por uma manta térmica felpuda cedida pelos socorristas. Ao descobrirem que Valentino possuía registro médico ativo e era colega de profissão, os profissionais do SAMU puxaram um pouco de conversa durante o trajeto para aliviar a tensão.

Assim que chegaram ao hospital e desceram da viatura, os dois ficaram observando a equipe médica levar a paciente às pressas em uma maca para dentro do saguão. Liliane deu alguns passos em direção à entrada, mas percebeu que o rapaz havia ficado para trás. Ao virar o rosto, notou a palidez incomum na pele dele e voltou correndo.

— Você está se sentindo bem? — Perguntou ela, transparecendo uma grande preocupação.

— Não é nada. — Respondeu Valentino, a voz soando um pouco mais áspera do que o normal.

— Você está branco que nem cera! — Insistiu Liliane, agarrando o braço dele sem qualquer hesitação. — De jeito nenhum que vou deixar por isso mesmo. Vou levar você lá para dentro e fazer uma ficha agora!

Ela tentou arrastá-lo com força, mas o homem era pesado e não cedeu um milímetro sequer. Num movimento reflexo, Valentino puxou o próprio braço na tentativa de se soltar. Como Liliane segurava firme demais e não o soltou a tempo, acabou perdendo o equilíbrio e caindo com tudo contra o peito dele.

A garota ficou estática, abraçada a ele por puro acidente. Mesmo com a barreira da manta térmica, ela podia sentir a firmeza do corpo do rapaz contra o seu. As roupas dele pingavam água fria, mas a pele irradiava um calor intenso, quase febril.

Valentino permaneceu ereto feito uma estátua, baixando os olhos escuros para encará-la. Uma tempestade de emoções pareceu cruzar o olhar profundo do médico por uma fração de segundo. No entanto, ele ergueu um pouco o queixo, fugindo daquele contato visual tão direto, e respirou fundo até que a sua habitual máscara de frieza voltasse ao lugar de sempre. Com as duas mãos apoiadas nos ombros da jovem, ele a afastou do seu abraço com certa delicadeza.

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