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A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE. romance Capítulo 204

VICTOR BALTIMOR.

Eu estava ansioso para encontrar Pablo, saber como ele estava. O outro único sobrevivente daquela desgraça, além de mim. O único que consegui salvar e manter vivo. Vê-lo ali vivo me dava um alívio imenso e confortava meu coração, pois consegui salvar uma vida.

Mas eu não estava preparado para vê-lo daquele jeito. E fiquei muito apreensivo com seu estado.

Pablo estava abatido, magro demais. O rosto estava pálido, as olheiras profundas denunciando noites sem dormir, e o braço imobilizado. Mas não era aquilo que mais me preocupava.

Era o seu olhar. Aquele olhar vazio, perdido, sem vida. Aquilo me acertou com força, me causando preocupação.

Nós não nos víamos desde o acidente. Desde que tudo aconteceu. Desde aquele inferno de fogo, fumaça, gritos e desespero.

A última vez que o vi naquele lugar, eu ainda estava tentando nos manter vivos e o resgate havia chegado. Depois disso, perdi os sentidos.

Eu já havia sido informado de que Pablo estava bem. Que havia quebrado apenas o braço, passado por uma cirurgia e sofrido algumas escoriações. Disseram que ele não corria risco de morte.

Aquilo me trouxe alívio. Mas vê-lo agora, diante de mim, naquele estado…

Aquilo ligou um alerta imediato dentro de mim. O que estava acontecendo com meu fiel escudeiro?

Eu conhecia Pablo há décadas. Literalmente o vi crescer. Ele era quase dez anos mais novo que eu, e eu ainda me lembrava dele correndo pela casa em que cresci, quando seu pai ainda trabalhava para os meus pais.

Foi ali que tudo começou. Desde cedo, nós nos demos bem. Ele sempre foi inteligente, observador, absurdamente determinado, muito fiel e amigo. Quando fundei minha primeira empresa, disse a ele que sempre haveria um lugar para ele ao meu lado. E eu estava sendo sincero.

E Pablo levou aquilo a sério.

Formou-se em administração, se especializou em várias áreas, estudou como um louco e fez questão de construir cada degrau para chegar até ali, ao meu lado.

Uma vez, ainda muito novo, ele me disse que me via como um irmão mais velho. E como seu melhor amigo. Eu nunca esqueci aquilo. E também nunca duvidei do potencial dele.

Por isso o trouxe para perto. Por isso o fiz meu assessor, meu braço direito, meu vice-presidente. O homem em quem eu confiava minha vida sem hesitar.

E justamente por conhecê-lo tão bem… eu sabia. Pablo não estava bem. Muito longe disso.

Ele caminhou até mim devagar, tentando sustentar aquela postura firme que sempre fazia questão de manter. Quando se aproximou, estendeu a mão do braço bom para me cumprimenta.

Olhei para aquela mão por um segundo. E simplesmente ignorei. Segurei seu braço e o puxei com força. Pablo caiu praticamente sentado ao meu lado no sofá, claramente surpreso.

E então eu o abracei forte, sem pensar, sem medir. Eu não era homem de fazer aquilo. Não daquela forma e com ele. Não tão impulsivamente.

Mas naquele momento, eu sabia que ele precisava daquilo. Precisava mais do que qualquer palavra. No início, ele ficou completamente rígido. Claro que ficou, eu nunca fiz isso com ele.

Eu quase podia imaginar sua expressão de olhos arregalados, em completo choque. Victor Baltimor abraçando alguém que era de sua família, daquele jeito, provavelmente era um evento raro o suficiente para ser registrado em livro.

CAPÍTULO DUZENTOS E CINCO — MEU AMIGO. 1

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