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A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE. romance Capítulo 205

VICTOR BALTIMOR.

Fiquei em silêncio, olhando para Pablo depois daquelas palavras. “Eu preciso.”

Aquilo, por si só, já dizia muita coisa. O pedido de ajuda estava explícito ali. Pablo nunca foi homem de pedir ajuda. Ele sempre gostou de fazer tudo sem reclamar, nunca dizia não consigo, ou vou precisar de ajuda. Essa determinação dele sempre me chamou a atenção, desde criança.

Pablo sempre foi forte, centrado, racional. O tipo de pessoa que resolvia tudo sozinho e ainda aparecia impecável no dia seguinte, como se nada tivesse acontecido, como se não tivesse tido nenhum esforço.

E ver meu amigo naquele estado me deixava profundamente preocupado. Respirei fundo e me ajeitei melhor no sofá, ainda sentindo o desconforto das costelas, mas ignorando aquilo.

Naquele momento, Pablo era mais importante. Olhei para ele com calma.

— Me conta, o que está lhe atormentando.

Minha voz saiu firme, mas baixa, sem pressão, sem julgamento. Apenas espaço para que ele falasse. Pablo passou a mão no rosto, como se tentasse organizar os próprios pensamentos.

Mas eu sabia que não era isso. Ele estava tentando encontrar coragem. Após alguns segundos, finalmente começou.

— Eu não consigo esquecer. Nem lidar com tudo que vivemos naquele maldito acidente.

Sua voz saiu rouca e fraca. Até um pouco desesperada. Como se cada palavra pesasse mais do que deveria. Eu nada disse, apenas escutei e ele continuou.

— Tudo volta o tempo todo. O acidente… o barulho… o fogo… os gritos…

Ele engoliu em seco, eu permaneci em silêncio, sem interrompê-lo, dando-lhe espaço para desabafar.

— As pessoas, Victor… vejo aquelas pessoas o tempo inteiro. Eles eram nossos colegas de trabalho, vivemos anos juntos. Alguns eu conhecia as famílias.

Seu olhar ficou distante. Como se ele não estivesse mais ali comigo, como se tivesse voltado para aquele avião. E vi o horror estampado no seu olhar. Eu lembrava daquele olhar, era o mesmo que vi nele enquanto estávamos naquele avião e tentávamos sobreviver ao frio.

— E vejo principalmente aqueles que pereceram na minha frente. Os dois seguranças, eu os vi morrendo com a explosão. E isso está me consumindo. Eu podia ter feito mais, podia ter salvado eles. Mas fui um inútil. Eu nem me salvei. Se não fosse você, eu estaria morto.

Aquilo apertou meu peito. Ouvi seu lamento, tocava numa ferida aberta em mim. Porque eu também via tudo que aconteceu, também lembrava deles morrendo. Lembrava de tudo e era muito doloroso, demais. É difícil para quem sobrevive viver com a culpa de estar vivo e não ter conseguido salvar ninguém.

CAPÍTULO DUZENTOS E SEIS — NÃO ESTÁ SENDO FÁCIL PARA MIM. 1

CAPÍTULO DUZENTOS E SEIS — NÃO ESTÁ SENDO FÁCIL PARA MIM. 2

CAPÍTULO DUZENTOS E SEIS — NÃO ESTÁ SENDO FÁCIL PARA MIM. 3

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