VICTOR BALTIMOR.
Notei imediatamente a mudança nele. Foi sutil, mas clara. Seu corpo ficou mais rígido, seu olhar desviou. Aquilo me chamou a atenção. Continuei observando.
— As sessões estão me ajudando. Os remédios também. Não resolvem tudo, mas ajudam a lidar com o trauma.
Pablo permaneceu em silêncio. Agora eu tinha certeza. Olhei diretamente para ele e questionei.
— Você não está fazendo acompanhamento?
Ele respondeu rápido demais.
— Não.
Foi uma resposta seca, defensiva e imediata. Franzi levemente a testa.
— Por quê?
Pablo se levantou no mesmo instante. Como se aquela pergunta tivesse pesado demais. Ficou de costas para mim, olhando para a janela, com o corpo inteiro tenso. Aquilo dizia muito mais do que qualquer resposta. Eu o observei por alguns segundos.
— O que está acontecendo? — Minha voz saiu mais séria.
— Por que você não aceita ajuda?
Ele demorou para responder. Quando falou, sua voz estava baixa e carregada.
— Porque eu não consigo.
Franzi a testa com a sua resposta.
— Não consegue o quê?
Ele respirou fundo.
— Me abrir com alguém.
Finalmente virou um pouco o rosto, mas ainda sem me encarar completamente.
— Meu pai vem tentando me ajudar. Ele insiste, conversa, se preocupa… mas eu não consigo.
Havia frustração ali, vergonha e culpa.
— Eu não consigo sentar na frente de alguém e falar sobre isso. Não consigo colocar para fora. Não consigo dizer em voz alta tudo o que está aqui dentro.
Esperei alguns segundos antes de responder. Então falei:
— Mas você está falando comigo.
Aquilo o fez finalmente se virar. Seus olhos estavam cansados e cheios de lágrimas.
— Porque com você é diferente, irmão.
Aquela frase me tocou profundamente, pois demonstrava que ele confiava em mim. Pablo se aproximou um pouco.
— Victor… você me entende como ninguém. — Sua voz falhava no meio, mas continuou.
— Você viveu a mesma coisa que eu. Você estava lá. Você viu tudo. Você sabe exatamente do que estou falando sem que eu precise explicar.
Ele passou a mão no rosto outra vez, mostrando seu nervosismo.
— E temos intimidade. Mesmo que nunca fiquemos sentados falando sobre sentimentos como duas adolescentes…


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE.