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A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE. romance Capítulo 206

VICTOR BALTIMOR.

Notei imediatamente a mudança nele. Foi sutil, mas clara. Seu corpo ficou mais rígido, seu olhar desviou. Aquilo me chamou a atenção. Continuei observando.

— As sessões estão me ajudando. Os remédios também. Não resolvem tudo, mas ajudam a lidar com o trauma.

Pablo permaneceu em silêncio. Agora eu tinha certeza. Olhei diretamente para ele e questionei.

— Você não está fazendo acompanhamento?

Ele respondeu rápido demais.

— Não.

Foi uma resposta seca, defensiva e imediata. Franzi levemente a testa.

— Por quê?

Pablo se levantou no mesmo instante. Como se aquela pergunta tivesse pesado demais. Ficou de costas para mim, olhando para a janela, com o corpo inteiro tenso. Aquilo dizia muito mais do que qualquer resposta. Eu o observei por alguns segundos.

— O que está acontecendo? — Minha voz saiu mais séria.

— Por que você não aceita ajuda?

Ele demorou para responder. Quando falou, sua voz estava baixa e carregada.

— Porque eu não consigo.

Franzi a testa com a sua resposta.

— Não consegue o quê?

Ele respirou fundo.

— Me abrir com alguém.

Finalmente virou um pouco o rosto, mas ainda sem me encarar completamente.

— Meu pai vem tentando me ajudar. Ele insiste, conversa, se preocupa… mas eu não consigo.

Havia frustração ali, vergonha e culpa.

— Eu não consigo sentar na frente de alguém e falar sobre isso. Não consigo colocar para fora. Não consigo dizer em voz alta tudo o que está aqui dentro.

Esperei alguns segundos antes de responder. Então falei:

— Mas você está falando comigo.

Aquilo o fez finalmente se virar. Seus olhos estavam cansados e cheios de lágrimas.

— Porque com você é diferente, irmão.

Aquela frase me tocou profundamente, pois demonstrava que ele confiava em mim. Pablo se aproximou um pouco.

— Victor… você me entende como ninguém. — Sua voz falhava no meio, mas continuou.

— Você viveu a mesma coisa que eu. Você estava lá. Você viu tudo. Você sabe exatamente do que estou falando sem que eu precise explicar.

Ele passou a mão no rosto outra vez, mostrando seu nervosismo.

— E temos intimidade. Mesmo que nunca fiquemos sentados falando sobre sentimentos como duas adolescentes…

Meu corpo inteiro ficou alerta. Aquilo acendeu algo imediato dentro de mim.

Um perigo real e urgente. Ele continuou:

— Então eu…

Começou, mas parou. Como se não tivesse força, ou talvez coragem, ou vergonha. Me inclinei para frente e coloquei a mão em seu ombro.

— Pode me contar, irmão.

Minha voz saiu baixa, lhe passando segurança.

— Você sabe que pode confiar em mim.

Pablo levantou os olhos para mim. E naquele olhar havia dor, cansaço e desespero demais para uma pessoa só suportar.

Depois, abaixou novamente a cabeça. Quando falou, sua voz quase não saiu.

— Quero morrer, Victor.

Senti meu corpo gelar. Mas ele continuou. E cada palavra foi pior que a anterior.

— E eu quase tirei minha própria vida.

Meu coração bateu acelerado no peito, batidas fortes e violentas.

— Se não fosse meu pai… eu teria me suicidado.

Arregalei os olhos, completamente assustado com o que acabava de ouvir.

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