ELISA RIVER.
Meu coração disparou tão forte que achei que fosse sair pela boca. Fiquei parada por um segundo, segurando a toalha com força, olhando em volta e tentando entender o que ele fazia ali. Então olhei para a figura deitada, completamente à vontade, na minha cama.
Victor.
Soltei o ar de uma vez, levando a mão ao peito.
— Meu Deus, Victor! — reclamei, ainda assustada. — Você quer me matar do coração? Como entra no meu quarto assim, sem avisar, e fica aí deitado como dono do lugar, ainda me assustando desse jeito?
Ele estava deitado de forma completamente folgada, como se aquele quarto fosse dele, com uma expressão tranquila e quase divertida no rosto. Muito confortável, aquele abusado. Mas esse era o Victor. Ele sorriu daquele jeito irritantemente bonito e debochado.
— Você é exagerada.
Peguei a primeira almofada que vi e joguei nele.
— Exagerada? Você entra escondido no meu quarto, no escuro! Quase me matou de susto! Esqueceu que estou grávida, porra?
Ele segurou a almofada e riu baixo. Que homem irritante e folgado.
— Olha a boca, amor. Vai acordar Melissa. E eu não fiz por mal, não foi minha intenção te assustar. Não brigue comigo, amor.
Cruzei meus braços, ainda indignada.
— O que você está fazendo aqui?
Victor apoiou a cabeça no travesseiro com a maior naturalidade do mundo.
— Resolvi que vou dormir aqui com vocês.
Pisquei devagar, olhando para aquele descarado.
— O quê?
Ele sorriu ainda mais.
— Isso mesmo o que ouviu. Decidi que, a partir de hoje, vou dormir aqui. Não faz sentido eu dormir tão longe de você e de Mel. E também evito subir tantos lances de escada.
— Além disso, eu já dormi aqui várias vezes e conheço cada parte do seu corpo delicioso. Qual é o problema?
Senti meu rosto queimar. Olhei para ele esparramado na minha cama, ocupando praticamente todo o espaço, como se fosse o legítimo dono daquele território. Não sobrava quase lugar nenhum para mim.
Apontei para aquela cena absurda.
— O problema é que você é muito espaçoso.
Ele olhou ao redor, como se estivesse sinceramente tentando entender meu ponto.
— Não estou vendo problema nenhum. E não sou espaçoso, só sou maior que você, então preciso de mais espaço. Fora que estou em recuperação de um acidente e de uma cirurgia. Preciso ficar confortável.
Revirei os olhos.
— É mesmo? Sabe do que eu me lembro muito bem? Que você também dormiu algumas vezes naquele sofá. Então pode ficar nele de novo. O que acha de sair da minha cama e ocupar seu sofá preferido?
Falei, apontando para o sofá no canto do quarto.

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