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A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE. romance Capítulo 218

VICTOR BALTIMOR.

Meu coração disparou. O enfermeiro nem piscou. Antes que eu abrisse a boca, o enfermeiro foi mais rápido:

— É só um remédio para dor de cabeça. O senhor Baltimor comentou que estava com um incômodo.

Ela me olhou na mesma hora, preocupada.

— Amor, você está com muita dor?

Depois voltou-se para o enfermeiro, preocupada.

— Isso é normal?

Antes que ele abrisse a boca, eu respondi:

— Não é nada demais, meu amor. Acho que exagerei nos exercícios e acabei não comendo direito. Fiquei com dor de cabeça. Sempre acontecia isso quando eu me esforçava demais e não me alimentava quando estava na correria do dia a dia.

Ela ainda me observou por alguns segundos, desconfiada… mas acabou acreditando e cedendo. Eu havia conseguido despistar.

Suspirei aliviado.

— Se piorar, você me fala.

— Falo, prometo. — falei para tranquilizá-la. Mas eu não falaria, não queria preocupá-la.

Suspirei sozinho ao lembrar daquela situação enquanto observava os funcionários retirando minhas coisas daquele quarto improvisado que eu detestava. E sorri por estar deixando esse quarto.

Aquilo nunca foi meu lugar. Serviu, sim. Mas parecia um quarto de hospital. Sem identidade, sem vida, sem privacidade. Gente entrando e saindo a qualquer momento, como se fosse um espaço público. A equipe médica entrava sem ao menos bater.

Aquilo me irritava profundamente. Meus funcionários me conheciam bem, então era raro entrarem aqui, e quando um vinha, sempre batia e esperava eu autorizar a entrada.

Agora era diferente, não quero mais lembrar desse período. Agora eu estava voltando para o meu quarto. Para o meu espaço.

Elisa subia as escadas ao meu lado, com Melissa nos braços. Eu estava ansioso para chegar lá… mas, após dez degraus, meu corpo já começava a cobrar. Eu sentia os dias que passei deitado numa cama e sentado naquela cadeira.

Respirei mais fundo. E, quando lembrei que ainda havia outro lance de escadas, me irritei.

— Droga… — murmurei baixo.

Devia ter escolhido um quarto mais próximo. Eu poderia ter escolhido um quarto no segundo andar, perto delas. Mas não. Fiz questão de ir para o meu. Agora não podia retroceder. Pegaria mal. Agora tinha que aguentar. Continuei.

Quando finalmente chegamos, eu estava exausto. Sentei-me na cama e Elisa, sem dizer nada, colocou Melissa ao meu lado. Minha filha ficou ali, pequena, tranquila… e aquilo, por si só, já fez tudo valer a pena. Eu até me esqueci do esforço e da irritação. Elisa me auxiliou a me acomodar na cama. Meu corpo praticamente afundou no colchão.

— Você está bem? — Elisa perguntou, me observando com atenção, com aquele olhar que sempre enxergava mais do que eu dizia.

— Estou. — respondi.

E estava mesmo. Dentro do possível. Bem, de certa forma, era verdade. Eu estava melhor. Muito melhor.

Olhei ao redor. Elisa não estava. Mas o som do chuveiro indicava onde ela estava. Caminhei até o berço. Melissa dormia tranquila. Sorri automaticamente.

— Você sabe que o papai está aqui te protegendo, não sabe, pequena? — sussurrei, passando levemente o dedo pela mãozinha dela.

Ela se mexeu, mas não acordou. Afastei-me e fui até a cama. Deitei. E, no mesmo instante, senti.

Aquele conforto, aquele pertencimento. Era ali que eu queria estar e era ali que eu ficaria.

Não voltaria mais para o meu quarto. A não ser que elas viessem comigo.

Fechei os olhos por um instante. E esperei. Minutos depois, ouvi a porta do banheiro se abrir.

Abri os olhos. E prendi a respiração.

Elisa saiu, envolta em um robe, secando o cabelo, completamente alheia à minha presença.

Ela estava linda. Simplesmente… linda.

Suspirei, observando cada detalhe. Mas o momento durou pouco. Porque, quando ela me viu…

A reação veio imediatamente. E nada tranquilo. A voz dela veio carregada. Nada de suave.

Ela estava… brava.

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