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A Pele Que o CEO Não Esqueceu romance Capítulo 38

Era madrugada. Faltavam poucas horas para a execução do plano de fuga.

A noite estava fria, vestida de um silêncio espesso, quase sólido. O quarto, mergulhado na penumbra, respirava junto com ela.

O único som constante era o dos ponteiros do relógio girando em círculos — irônicos, impiedosos, marcando um tempo que Dayse já não contava, apenas sentia vibrar sob a pele.

A luz do banheiro permanecia acesa. Era o sinal.

O pacto silencioso entre ela e "R."

O plano fora traçado com obsessiva precisão. Às quatro da manhã, ela deixaria o quarto, cruzaria o corredor sem fazer ruído e seguiria pela escada de serviço nos fundos da cozinha antiga — agora destrancada, graças a ele.

A partir dali, desceria pela escada de incêndio acoplada à lateral da mansão. O caminho levava ao portão de serviços, onde “R.” prometera estar com o carro ligado, motor ronronando como promessa de liberdade.

Cada detalhe fora pensado, cada movimento ensaiado.

As roupas escolhidas pela praticidade, já dobradas aos pés da cama.

Os mantimentos escondidos no forro da bolsa.

O calçado mais silencioso.

Tudo resultado de noites em claro e medo contido — de uma mulher que se recusava a aceitar a sentença que lhe foi imposta.

Dayse sentou-se na beirada da cama com cuidado. O ventre pesava, uma lua cheia sob sua pele, lembrando-lhe que o tempo urgia — não apenas o do relógio, mas o da vida que carregava dentro de si. O bebê se mexeu levemente, como se sentisse o que estava por vir.

Ela passou a mão pelo rosto, respirou fundo e deixou que seus olhos varressem o quarto pela última vez. Não sentia apego. Só memória — memórias que doíam. Ali, ela aprendeu a silenciar os próprios gritos. Ali, ela enterrou partes de si que jamais recuperaria.

Mas não levaria essa prisão consigo. Não deixaria que seu filho nascesse sob o jugo de uma família que tratava vidas como bens herdáveis.

Ela era mais do que isso.

Eles seriam mais.

Lentamente, vestiu-se. Cada movimento exigia esforço. Mas havia algo que a impulsionava — mais forte do que a dor, mais implacável do que o medo: a promessa de liberdade.

Perto da porta, hesitou por um instante. Ouvidos atentos...nada.

O corredor estava escuro. O coração, descompassado.

Era chegada a hora.

E ao dar o primeiro passo rumo à escuridão, ela não caminhava apenas para fora da mansão — caminhava para dentro de si mesma. Para o reencontro com a mulher que se recusava a morrer ali dentro.

Mas o corpo tinha outros planos. E ele disse não.

A primeira contração veio como uma sentença. Brutal, inesperada, avassaladora. Começou nas costas, uma dor cortante que atravessou sua lombar como uma lâmina em brasa, espalhando-se pela barriga com a fúria de um raio desgovernado. Dayse perdeu o fôlego. Curvou-se sobre a cama e gritou — um som que não era apenas de dor, mas de revolta, de incredulidade.

— Não… não agora… falta uma noite… por favor… — murmurou, quase implorando a um universo surdo.

Mas a vida não espera. Não negocia. Ela simplesmente acontece — implacável.

A dor voltou. Mais intensa. Mais profunda. Mais real.

Em minutos, as contrações se tornaram ritmadas, uma onda crescente e devastadora que não deixava espaço para dúvida. Dayse sabia. Nunca havia passado por aquilo antes, mas seu corpo, sábio e soberano, estava no comando.

Era o parto. A hora havia chegado — e ela estava sozinha.

Capítulo 38 — A Vida Insistiu — Os Quatros Gritos 1

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Capítulo 38 — A Vida Insistiu — Os Quatros Gritos 3

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