— Tô indo. — Lucretia diz. Suspirando, ela se levanta, dá um beijo na testa de Haylie e sai do quarto.
Enquanto anda pelos corredores, Lucretia vê ômegas, cuidando de seus afazeres, e, quando ela passa, eles não falam nada, mas movem as cabeças um leve e curto aceno silencioso de reconhecimento. Ela faz o mesmo.
Pensar em meses antes. Aqueles mesmos ômegas olhavam para ela com desprezo e nojo. Ela não passava de uma escrava. Agora, eles podiam não reconhecê-la em seus corações, mas respeitavam Rhys e, por isso, tratavam-na como Luna.
No escritório, Lucretia parou em frente à porta e levantou a mão, batendo e esperando.
— Entre!
Ela girou a maçaneta, entrou, fechou a porta com cuidado e se virou, encarando Rhys. Ele tinha os olhos baixos, lendo algum documento, com a expressão calma.
Ela lembrou também de quando ele colocou aquela coleira no pescoço dela. O sinal da humilhação.
— Venha cá. — Ele disse, ainda sem levantar os olhos, apenas movendo a mão. Lucretia franziu a testa, mas obedeceu.
Assim que parou ao lado da mesa, viu Rhys assinar alguma coisa no papel, fazer uma anotação, depois colocá-lo de lado.
Ele vestia uma calça preta, social, e, mesmo sentado, Lucretia podia ver as pernas musculosas. A camisa, preta também, com os primeiros botões abertos, exibindo o peitoral de onde Lucretia estava, marcava bem o quão em forma ele estava.
Lucretia engoliu em seco e viu um sorriso se formar nos lábios de Rhys.
— Pedi que trouxessem o seu vestido de noiva. — Ele falou calmamente, levantando finalmente os olhos e encontrando com os de Lucretia. Ele fez sinal com a mão, ao bater na coxa dele mesmo, para que ela se sentasse. Ela virou-se de lado e o fez, passando os braços pelo pescoço dele. — Espero que não tenha esquecido. Amanhã.
Lucretia se remexeu no colo de Rhys e ele apertou os dentes. Pela expressão de falsa inocência, ele sabia que Lucretia havia feito de propósito para provocá-lo.
— Eu lembro. — Ela falou e passou a língua pelos lábios, mantendo os olhos na gola de Rhys. O viu engolir em seco. — Rhys?

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