Rhys estava vestido, esperando por Lucretia no altar. Um dos Anciães estava lá, pronto para realizar a cerimônia. Ele olhou para o Alfa e sorriu de leve. Viu Rhys crescer e sabia que para que ele decidisse se casar, não era algo impensado. Rhys Jarsdel não se casaria apenas por uma conveniência e, segundo ele ficou sabendo, o relacionamento com a filha dos Bellanti — uma surpresa, após a briga de anos antes — era real. Isso o alegrava.
Jamil estava ali próximo, com o Beta Martin. Este esperava por Haylie.
— Acalme-se, Alfa. Ela em breve chegará. — O Ancião disse e Rhys, pego de surpresa, olhou para trás.
— Eu estou calmo.
— Pode camuflar o seu cheiro, mas eu o conheço há muito tempo. Está nervoso e isso é normal. Não só a noiva fica desse jeito.
Rhys não respondeu nada, não queria admitir. Porém, a realidade era aquela, mesma: o coração dele parecia apertado. A cada segundo que Lucretia não aparecia, ele sentia que ela podia ir embora, desistir.
Lucretia chegou no local e o pai dela, Corrado, já a esperava. Ela não queria entrar com ele, no entanto, ela não faria uma confusão naquele dia, menos ainda na frente de tantas pessoas e Alfas.
Corrado, por sua vez, parecia orgulhoso. Ele podia ter os problemas dele com Lucretia, no entanto, seria mentira se ele dissesse que não se sentia orgulhoso pela filha que ela era e, claro, pelo fato de que os Bellanti se uniriam com os Jarsdel. Era algo que já deveria ter acontecido, se não tivesse ocorrido o incidente de anos antes. E agora, a Deusa da Lua parecia de fato favorecê-los!
— Pronta? — Corrado perguntou e olhou Lucretia de cima a baixo. — Você está muito parecida com a sua mãe. Deslumbrante.
Lucretia segurou a língua e apenas remexeu o maxilar. Por dentro, ela o chamava de hipócrita. Como ele se atrevia a mencionar a mãe de Lucretia, depois de ter colocado chifres nela com aquela fêmea sem classe e maliciosa que era Jeane? E, ainda por cima, arrumar uma filha ilegítima? Se não fossem as ações dele, a mãe de Lucretia não teria se deteriorado tanto de tristeza e morrido.
— Não a mencione. — Foi só o que ela disse em um tom sério e, ainda que Corrado quisesse retrucar, não era o momento. Não quando eles precisavam entrar no salão de cerimônias e selar a união entre os dois bandos.
As portas duplas foram abertas e, conforme iam andando, Lucretia viu Deidra e a mãe, uma ao lado da outra, olhando-a com desdém. Enquanto isso, Kolby a mirava com algo que ela não saberia explicar, mas ele definitivamente não estava feliz.
Lucretia para em frente a Rhys, Corrado a entrega a ele e vai sentar-se ao lado de Jeane.
A cerimônia começa, o Ancião falando os ritos tradicionais e invocando a Deusa da Lua para que abençoasse a união.
— Pode marcar a noiva.
Rhys aproximou-se mais de Lucretia e beijou-lhe de leve os lábios, antes que seus olhos brilhassem e os caninos se alongassem. A energia dele era forte e todos ali podiam sentir. Lucretia sentia uma espécie de fisgada, puxão, em direção a Rhys.
No entanto, o som de um tiro foi ouvido.

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