Dona Alves passou por uma hora inteira de procedimentos na emergência, mas, quando saiu, já estava consciente.
Após acomodá-la em um quarto VIP, Ezequiel, preocupado com o estado da mãe, aproximou-se rapidamente da cama.
— Mãe, como a senhora está se sentindo?
Quem diria que as primeiras palavras da idosa seriam para chamar Erasmo e Clarice.
Ela inclusive empurrou a mão de Ezequiel para longe.
— Saia da frente. Preciso falar com o Erasmo e a Clarice.
O rosto de Ezequiel congelou. Chamar Erasmo era até compreensível, mas qual era o sentido de chamar Clarice?
Como ele não se moveu, a matriarca se irritou.
— Eu mandei sair da frente, cof, cof, cof.
Ela começou a tossir violentamente de novo. O médico, que estava ao lado, alertou.
— A senhora não pode passar por aborrecimentos. Ainda bem que a trouxeram a tempo, caso contrário, teríamos que colocar um stent no coração dela.
A Família Alves inteira estava lá, lotando o quarto ao redor da cama.
Ao ouvir as palavras do médico, Ezequiel afastou-se depressa para acalmá-la.
— Não se exalte.
— Venham logo para cá.
O tom de Dona Alves estava péssimo. Não dava para saber se era de raiva ou por algum outro motivo.
Os outros familiares imediatamente abriram caminho.
Erasmo segurou a mão de Clarice e aproximou-se da cama. O rosto de Dona Alves ainda estava um pouco pálido.
— Vó, eu...
Dona Alves estendeu a mão para segurar a dela, reconfortando-a com um sorriso.
— Eu te dei um belo susto, não foi? Eu estava entediada e pedi para você me fazer companhia, mas acabei te assustando.

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