Erasmo aconselhou Clarice a ignorar Kelton e disse que, se o rapaz tentasse ultrapassar os limites novamente, ela não precisava ser educada.
Em seguida, Erasmo lembrou-se de um detalhe crucial: a segurança física dela.
Ela era uma mulher sem qualquer treinamento de defesa pessoal. Se alguém tentasse machucá-la, ela não teria a menor chance de reagir.
Ainda por cima tinha o Orlando, que continuava obcecado por ela, e agora também o Kelton.
Sendo assim, os dois chegaram a um acordo: Clarice começaria a aprender defesa pessoal e algumas técnicas básicas de sobrevivência.
Dessa forma, se enfrentasse algum assédio ou perigo no futuro, ela não ficaria totalmente vulnerável.
E o instrutor de lutas? O próprio Erasmo.
Clarice concordou imediatamente. Ela conhecia as habilidades de combate de Erasmo, e tê-lo como professor seria perfeito.
Para garantir a segurança dela fora de casa, Erasmo contratou duas guarda-costas mulheres, ambas altamente treinadas.
No dia seguinte, justo quando os dois se preparavam para ir ao hospital visitar Dona Alves, o celular de Erasmo tocou.
Era uma ligação de Kátia.
Ela avisou que Ezequiel a havia convocado repentinamente para a mansão da Família Alves, e que já estava a caminho de lá.
Após trocar algumas palavras rápidas de instrução, Erasmo desligou o telefone.
— Vá primeiro ao hospital ver a vó. Eu preciso passar na Vila de Alves.
— Tudo bem. Devo avisar a vó sobre isso?
Afinal, Kátia era quem havia salvado a vida de Dona Alves no passado. Se o filho da matriarca estivesse criando problemas para sua benfeitora, a idosa deveria estar ciente da situação.
Porém, Clarice temia que o coração da matriarca não suportasse o estresse.
— Pode contar toda a verdade para ela. A vó sabe muito bem como lidar com isso.
Clarice ergueu os olhos e fitou Erasmo.
— O Tio Ezequiel não vai tentar dificultar as coisas para você, vai?
Erasmo abriu um sorriso de lado e bagunçou o cabelo dela com carinho.
— Você acha mesmo que eu tenho medo dele?
Clarice deu risada. Era verdade. A sua preocupação excessiva havia ofuscado o seu julgamento; ela estava sofrendo por antecipação.
A convocação de Kátia por Ezequiel provavelmente era apenas uma tentativa de intimidação.
Erasmo levou Clarice até o hospital antes de virar o carro e seguir rumo à Vila de Alves.
Assim que Clarice chegou à porta do quarto, ouviu o som de risadas. Ao empurrar a porta, deparou-se com o ambiente alegre.
Ela entrou sorrindo e perguntou.
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