Neste momento, no entanto, ela estava vestindo roupas de ficar em casa, e aquele quarto era o dela.
Clarice saiu do quarto na ponta dos pés, enquanto o homem que fingia estar em um sono profundo na cama já havia aberto os olhos.
Apoiou a cabeça na mão, olhando na direção da porta, apreciando cada um dos pequenos movimentos cuidadosos de Clarice.
Seus lábios se curvaram ligeiramente, com os olhos cheios de diversão.
Ela era realmente adorável!
No andar de baixo, a empregada viu Clarice e a cumprimentou com um sorriso.
— Srta. Adriel, está se sentindo melhor? A febre já passou?
Clarice puxou a cadeira e se sentou, com o rosto cheio de pontos de interrogação.
— Febre?
Enquanto falava, tocou a própria testa, que estava fresquinha!
— Eu tive febre ontem à noite?
Ela não tinha a menor lembrança disso.
— Sim, ontem à noite a senhora se trancou no quarto, tomou um banho bem demorado e acabou desmaiando na banheira.
— O Erasmo chamou o médico da família, que disse que a senhora estava com febre induzida por estresse.
— Eu queria cuidar da senhora pessoalmente, mas a senhora ficou agarrada ao Erasmo sem querer soltar, então no fim das contas foi ele quem cuidou da senhora a noite toda!
Clarice parou no meio do gole de leite. Ela se lembrou: ontem o Orlando enlouqueceu e quase a violentou.
Por causa do nojo, ela foi tomar banho.
Mas, febre induzida por estresse? E ela ainda ficou agarrada ao Erasmo sem soltar.
Meu Deus, que vergonha absoluta.
Será que o Erasmo vai rir da cara dela quando descer?
Enquanto pensava nisso, ouviu passos no andar de cima.
A empregada chamou pelo Erasmo, e Clarice seguiu o som com o olhar.
O homem, vestindo roupas de casa em tom escuro, estava com a gola levemente aberta, uma mão no bolso e um sorriso diabólico nos lábios.
Ele caminhava em direção a ela, passo a passo, relaxado e imponente.
De frente para a luz, os raios de sol dourados cobriam-no com uma camada brilhante.
Começou a mastigar com pequenas mordidas, esbanjando uma elegância majestosa.
— Como foram as conversas sobre o divórcio?
Erasmo mudou de assunto no momento oportuno. Apenas a menção do divórcio fez o humor de Clarice despencar.
Os olhos escuros de Erasmo se estreitaram levemente.
— Se arrependeu? Se você tiver se arrependido...
— Não me arrependi. É que ele não quer assinar, e eu ainda tenho algo que preciso recuperar — Clarice apressou-se em explicar, não se importando mais com aquele traste.
— Quer a minha ajuda?
Erasmo terminou de comer o ovo, pegou o copo de leite e deu um pequeno gole.
O jovem mestre elegante exibia uma nobreza inata.
Clarice balançou a cabeça.
— Não precisa, eu posso resolver isso sozinha.
O divórcio por si só já não era algo digno de orgulho, muito menos se tratando de um casamento infeliz, resultado de sua própria ingenuidade durante cinco anos.

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