Ao sair do Grupo Carneiro, Clarice dirigiu direto para o Parque das Acácias.
Assim que chegou ao quarto, trancou-se e entrou na banheira, esfregando o corpo meticulosamente.
Ela tentava pegar o sabonete líquido repetidas vezes, mas não conseguia.
Suas mãos tremiam incontrolavelmente.
Aquele cachorro louco do Orlando, ela quase foi violada por ele.
A empregada olhou para a direção do quarto de Clarice e, após hesitar um pouco, acabou ligando para Erasmo.
Meia hora depois.
Bateram na porta de Clarice repetidas vezes, mas ninguém respondeu.
— Clarice, sou eu, o Erasmo, estou entrando.
Depois de avisar, ele fez um sinal para a empregada abrir a porta, e com um clique, a porta se abriu.
O quarto estava limpo e arrumado, mas vazio.
O som de água corrente vinha do banheiro, e Erasmo caminhou até lá.
— Clarice, preciso falar com você, pode sair um pouco?
Sem obter resposta, Erasmo franziu o cenho em um nó, e seus lábios finos se comprimiram em uma linha reta.
Será que algo havia acontecido?
Com o semblante sombrio e frio, ele não hesitou mais e empurrou a porta do banheiro.
A primeira coisa que viu foi uma imensidão branca; a mulher na banheira havia adormecido.
O rosto rosado e corado, enquanto os seios eram cobertos pela água morna.
O braço esguio repousava na borda da banheira, expondo a pele alva do pescoço e das clavículas.
O olhar de Erasmo escureceu, e seu pomo de Adão moveu-se involuntariamente.
Ele deveria ter se virado rapidamente, mas a água da banheira continuava a fluir, e ele viu o corpo dela escorregar lentamente para o fundo da água.
Com um salto rápido, Erasmo a puxou, pegou a toalha de banho próxima, enrolou-a e a pegou nos braços.
A temperatura de onde ele a tocava estava assustadoramente alta.
Clarice soltou um gemido fraco, com a voz extremamente rouca, e suas mãos procuravam por qualquer lugar gelado para se agarrar.
Ao ser colocada na cama macia, Clarice abraçou o pescoço de Erasmo como um polvo e não soltou.
Sua mãozinha úmida e escorregadia já havia entrado pela gola da camisa dele.
A luz do sol atravessava as cortinas de voil branco e iluminava as duas pessoas estreitamente abraçadas, ou, mais precisamente, a mulher que estava agarrada ao homem como um polvo.
Clarice havia dormido muito bem naquela noite. Soltou um suspiro confortável e esfregou a cabeça contra ele de forma aconchegante.
Ela moveu os dedos levemente rígidos, mas tocou em algo morno.
Apertou e apalpou com as mãos; a textura era macia e firme.
Seus lindos olhos se abriram abruptamente.
Uma fragrância refrescante e envolvente roçou a ponta do seu nariz, e sua mente clareou no mesmo instante.
Ela levantou o olhar devagar, até que o rosto absurdamente sedutor de Erasmo encheu a sua visão.
Clarice fechou os olhos com força e os abriu novamente; o rosto impecavelmente bonito continuava ali.
Ao dar mais uma olhada em sua posição de dormir, Clarice teve vontade de dar um tapa em si mesma.
Que animal, como pôde tratar o Erasmo daquela forma? Afinal, ele sempre foi uma das pessoas mais importantes da vida dela.
Ela deu mais uma espiada e, por sorte, Erasmo ainda não havia acordado, caso contrário, não escaparia de ser provocada e repreendida.
Começou a mover o corpo na ponta dos pés, tão desesperada que nem sequer notou que, na noite anterior, estava no meio do banho.

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