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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 102

"Lorena"

A casa estava mergulhada em um silêncio reconfortante e ao mesmo tempo incômodo. Sem a voz doce da Alice, sem o barulho dos carrinhos de serviço e limpeza e, principalmente, sem a presença incômoda e vigilante da Adelaide. O Érick tinha cumprido a promessa: estávamos sozinhos.

E assim que ficamos sozinhos, ele pegou a minha mão e nós subimos juntos as escadas. Eu estaquei na porta do meu quarto antes de entrar. A porta estava aberta, as sacolas e caixas deixadas sobre a cama e sobre o banco aos pés da cama. Mas o que me chamou a atenção não foi o que eu vi, foi o que eu senti.

O cheiro do meu perfume estava mais forte, como se alguém tivesse borrifado no ar. Eu entrei devagar e fui até o closet. As roupas nos cabides estavam concentradas do lado oporto que eu geralmente deixava, o fecho da mala sobre o banco não estava exatamente como eu o deixei. O calafrio voltou, dessa vez mais forte. A Adelaide tinha estado ali. Ela estava procurando algo para me derrubar.

- O que foi, Lô? - O Érick estava parado na entrada do closet, me observando.

- Nada... foi só uma sensação. - Eu achei melhor não dizer nada a ele, chamar a atenção da Adelaide de novo só a deixaria mais furiosa. Quem me ajudaria com a Adelaide era a D. Heloísa.

Ele se aproximou e me encarou com aquela intensidade que sempre me fazia perder o norte.

- Então... o fim de semana chegou. Você vai finalmente me mostrar tudo o que tem nessa mala? - A pergunta dele estava carregada de malícia.

- Eu disse, Albelini, você precisa se comportar, mas você não se comporta. - Eu brinquei e ele riu, me dando um beijo rápido.

- Por que nós vamos guardar isso aqui, Lô? - Ele perguntou, a voz baixa e vibrante.

- Porque este é o meu quarto, Érick. - Eu respondi e me virei para tirar as minhas antigas roupas e dar espaço aos novos vestidos.

- Não. - Ele deu um passo em minha direção, diminuindo a distância entre nós até que eu pudesse sentir o calor do seu corpo. - Este é o quarto da funcionária que você não é mais. O meu quarto fica no fim do corredor, e é lá que você deveria estar.

- Érick, nós já conversamos sobre isso. - Eu suspirei, sentindo a luta interna entre o desejo de estar com ele, o medo de que eu acordasse daquele sonho e a necessidade de ter um refúgio só meu. - É cedo demais. A Alice...

- Lorena, a Alice está encantada com o seu novo status nesta casa, você não percebeu?

- Érick, ela não tem dimensão do que esse novo status significa. Para ela somos amigos que vão morar juntos "para sempre".

- Você realmente acha que ela não entendeu o que eu disse no pátio daquela escola? Você acha que ela não entende o que significa eu dizer que você é minha mulher?

- Ela pode ter alguma idéia, Érick. Ela disse para a sua mãe que eu sou "a mais linda das mamães da escola". Percebe como isso é sério? Eu não quero dar a ela a esperança de uma família para depois tirar.

- Você está pensando em ir embora, Lorena? Em nos deixar? - Ele perguntou e na voz dele eu percebi uma pitada de mágoa.

- Não, Érick, eu quero a mesma coisa que a Alice quer, ficar para sempre, mas você pode...

- Você ainda não se deu conta, Lorena? Ainda não entendeu que você não é um capricho meu? - Ele me virou de frente para ele e olhou nos meus olhos, havia sinceridade ali.

- Foi você? - Eu sussurrei para ele.

- Não. - O Érick respondeu, os olhos azuis se estreitando. - Eu estava pensando em tocar no assunto e tentar te convencer esse final de semana, mas eu não fiz nenhum pagamento, como você me pediu.

- Dr. Mariano, é possível rastrear quem fez o pagamento? - Eu perguntei, a voz trêmula.

- É aí que está o problema, Lorena. O depósito veio de uma conta fantasma, rastreada por uma holding internacional. Não há nome, apenas um registro de "quitação por interesse de terceiros". Você acha que o seu ex pode estar arrependido e...

O Erick grunhiu à menção do Carlos Eduardo e eu soltei uma risada amarga.

- Aquele cretino covarde seria incapaz de se arrepender, Mariano! - Eu falei, porque eu tinha certeza.

- Isso não é bom, Lorena. - O Dr. Mariano comentou.

- Dr. Mariano, diga ao meu advogado para fazer o que for preciso para descobrir isso. - O Érick avisou.

Eu agradeci ao advogado e desliguei o telefone, sentindo o ar fugir dos meus pulmões. Se não foi o Érick, quem teria interesse em limpar o meu passado financeiro? E, mais importante, o que essa pessoa queria em troca? O Érick caminhou até a janela, o maxilar travado. A paz do nosso fim de semana tinha acabado de ser ameaçada por um movimento de um "fantasma" que nenhum de nós previu.

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