"Érick"
A Adelaide deu o play, eu já tinha deixado na parte da briga que interessava. A governanta arregalou os olhos ao ouvir a Victória a chamar de inútil e peso morto, se dando conta de que tinha se devotado a pessoa errada. Ela desabou em lágrimas e tremores ao se dar conta de que tinha sido usada e descartada como lixo. Ela olhou para a minha mãe, buscando um fino fio de socorro, mas a D. Heloísa apenas pousou a xícara com um estalo ruidoso e a encarou como se desse um basta nos seus choramingos.
- S-Sr. Érick... D. Heloísa... eu fiz pela honra do sobrenome! - A Adelaide gaguejou, a sua mentalidade subserviente tentando se defender de forma desesperada. Eu tirei o celular das suas mãos. - Aquela babá era uma qualquer de boate...
- Cuidado! Não fale dela. - Eu rosnei.
- Sr. Albelini... acredite, minha intenção era a melhor. E... e... a Sra. Victória Lemos é diferente... eu acho que é diferente. Ela é uma herdeira de boa família, uma dama legítima com um sobrenome de elite à altura dos Albelini! Conhece todas as famílias importantes. O senhor está casado com uma mulher da sua categoria! Eu jamais armaria nada para prejudicar o senhor, eu juro! E eu a ajudei... não entendo porque ela ia querer se livrar de mim.
- Herdeira? - Eu dei um riso curto. - Numa coisa você tem razão, Adelaide, a Victória Lemos é totalmente diferente da Lorena. Porque a Victória é uma cobra manipuladora que está recebendo um bom dinheiro do Simão para se enfiar na na minha vida! O Simão mandou aquela sonsa para me destruir! E você, Adelaide... você foi a idiota útil que serviu de marionete para ele outra vez. E por que, Adelaide? Simplesmente porque você é uma preconceituosa, que tem uma mentalidadezinha tacanha e acredita que classes sociais devem se manter devidamente separadas. E por causa disso, Adelaide, você me traiu, mentiu pra mim e enfiou uma cobra na minhna casa.
A governanta travou por completo, a boca aberta em choque absoluto ao ouvir o que eu disse.
- O... o Sr. Simão? - Ela balbuciou, completamente atônita, o pânico emergindo no seu rosto presunçoso. - Não... isso não é possível... A Sra. Victória me apresentou toda a árvore genealógica dela, os portfólios das propriedades da família dela no interior, os documentos das contas... os Lemos são uma família tradicional! Ela conhece as pessoas. Ela conhece o Sr. Simão, claro e aquela meretriz da Verônica Albuquerque, mas estava tão enojada quanto eu com aquele escândalo do filho bastardo. Sr. Albelini, eu fotografei os documentos, discretamente claro, e verifiquei antes de aceitar ajudá-la! Ela não pode ter ligação com aqueles dois sórdidos!
Eu troquei um olhar com a minha mãe. A Adelaide estava apavorada, ela não estava mentindo naqueles tremores; ela havia sido genuinamente enganada pela farsa da Victória Lemos. Mas a menção aos papéis e propriedades do interior que era o rastro que nós precisávamos para começar a cavar.
- O que você fez exatamente pela Victória? - Eu perguntei, embora imaginasse a resposta.
- Eu a ensinei a ser a mulher para quem o senhor olharia. - A Adelaide pelo menos teve a decência de abaixar a cabeça. - Eu contei a ela sobre todos os seus hábitos, suas preferências, como ela deveria se comportar, o tipo de roupa usar... até o perfume que a sua falecida esposa usava. Eu a ensinei a ser compreensiva e amável. Falei sobre os seus amigos, a sua mãe e a menina Alice. E contei sobre a dançarina de boate.
- Ela nunca foi uma dançarina de boate e você sabe! - Eu vociferei, perdendo o resto da minha paciência. - É inacreditável! Você entregou a minha cabeça numa bandeja de prata para uma vigarista!
- Senhor, eu não...

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