"Lorena"
A contagem regressiva para o casamento parecia fazer o tempo voar e se eu soubesse que, após aquela manhã, os sessenta dias se desdobrariam em uma avalanche de compromissos, detalhes e provas de vestido, se transformando em semanas alucinantes, eu teria pedido seis meses... talvez um ano! Não era fácil equilibrar ser mãe, ser noiva e ser uma mulher que trabalha.
Enquanto os dois meses voavam, as reformas na casa avançaram a passos largos sob a minha supervisão cuidadosa. O maldito quarto de hóspedes foi completamente desfeito e redecorado do zero, enquanto o meu antigo quarto na ala de serviço foi preservado com um carinho sagrado pelo Érick, tornando-se o nosso esconderijo particular dentro de casa. Vários móveis foram substituídos e o jardim passou a exibir uma infinidade de cores e flores graças a D. Heloísa e os seus contatos. A casa antes austera, tinha ganhado vida e aquele ar acolhedor de lar, onde uma família compartilhava amor e sorrisos.
Mas a verdadeira loucura acontecia na holding. A Marcelina e eu nos consolidamos oficialmente na empresa e o retorno do Érick facilitou ainda mais as coisas, ao contrário do que eu pensei. Ele nos deu espaço e respeito. Como parceiro de trabalho ele era exigente, firme e nunca colocou em dúvida o que eu podia fazer, pelo contrário sempre insistia que eu podia dar vôos maiores.
Certa tarde ele me deixou sozinha numa reunião de diretoria simplesmente porque queria ir para casa ficar com as crianças e quando eu cheguei, encontrei o Érick e a Alice cobertos de farinha na cozinha e o marco dormindo no carrinho porque eles queriam fazer torta para o jantar. Tivemos que pedir pizza, mas só depois que eles deixaram a cozinha brilhando sob a supervisão da Marcelina que se divertiu dando ordens para o chefe.
E enfim havia chegado, a véspera do casamento. Eu abri os olhos e continuei deitada olhando para o teto. O Érick já havia se levantado e levado com ele a babá eletrônica, o que significava que ele já estava cuidando das necessidades do Marco. Eu pensei em fechar os olhos e dormir só mais um pouquinho, era tudo o que eu queria, mas a minha família tinha outros planos.
- Lô, você precisa lembrar ao Albelini o que significa "fazer do seu jeito". - A Marcelina abriu a porta e entrou de uma vez, seguida pelo Érick pronto para o trabalho e com o Marco no colo. A Alice correu e pulou ao meu lado na cama, me apertando em seus pequenos braços e dando um beijo no meu rosto.
- Bom dia, Lolô! - A alice falou baixinho. - A Tia Lina falou que vai chutar o traseiro do papai. - Ela deu uma risadinha.
- Ela fala isso todos os dias, minha linda. - Eu sussurrei de volta e me sentei na cama, abraçando a Alice e contemplando a contenda do dia.
- Tsunami, não tem ameaça que você possa fazer para conseguir me manter uma noite inteira longe da minha Fada! - O Érick reclamou e eu já sabia o que estava acontecendo.
- Albelini, o noivo não pode ver a noiva antes do casamento. - A Marcelina se virou para ele de braços cruzados.
- O noivo não pode ver a noica vestida de noiva antes do casamento. - Ele respondeu.
- Albelini eu não tenho nenhum problema em paghar uns caras para te sequestrarem e só te soltarem amanhã na porta da igreja. - A Marcelina ameaçou e a Alice deu uma risadinha deliciosa.
- Minha Fada... - O Érick olhou para mim suplicante.
- Érick, a Marcelina preparou uma festinha só para mulheres, nós vamos falar coisas constrangedoras, fazer brincadeiras idiotas e elas vão beber. Acho que você não vai querer ser maquiado e obrigado a usar um vestido e salto alto. - Eu o encarei com as sobrancelhas erguidas.
- Eu fico quietinho aqui no quarto, vocês nem vão me ver. - Ele ainda tentou.
- Mas vamos saber que você está aqui. - A Marcelina soltou. - Olha só, Albelini, eu vou te contar... seus amiguinhos prepararam uma festinha pra você também. Vocês vão beber, conversar e fazer o que vocês homens fazem quando se juntam, ou seja, qualquer coisa tão idiota quanto um garoto de dez anos faria, tipo um concurso de quem cospe mais longe.
- Nós não fazemos isso. - O Érick olhou para ela como se tivesse sido ofendido.


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