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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 336

"Lorena"

O relógio já marcava três horas da madrugada de sábado quando nós descemos as escadas do Trono para sair da boate. A noite tinha sido perfeita. A Marcelina e eu assumimos o camarote como antes, foi a nossa despedida, um encerramento perfeito para a vida que deixamos para trás. Mas a Marcelina ainda não estava satisfeita, ela me puxou até o caixa para nos despedirmos das nossas fãs. E estavam as três lá, reunidas, como se maquinassem um novo plano infalível.

- A noite não foi boa para vocês, capetinhas? - A Marcelina perguntou com um sorriso debochado e os três resmungaram. - Pois a nossa foi ótima!

- Você nunca vai ser digna de um Albelini, babá! - A Verônica me olhou com desdém, me fazendo rir.

- Ah, não?! Para ser digna tem que ser uma piranha mentirosa ou uma golpista? - Eu perguntei e respondi na sequência. - Ah, não, já sei! Tem que ser as duas coisas.

- Ai, ai, você está achando grande coisa passar o resto da vida com o Albelini? Querida, ele é só um cara bonito com a carteira cheia. Na cama, ele é chato, monótono... um, dois, três e vira para o outro lado. Te aconselho a comprar um vibrador, um dos bons. - A Victória destilou o seu veneno e aí eu dei uma gargalhada sincera.

- Ai, Vicky! Posso te chamar de Vicky? Claro que posso. - Eu olhei para ela, que sem querer fez a minha noite ficar ainda melhor. - Você nunca esteve de verdade com o Érick Albelini. Você esteve só com a sombra dele. Porque, amiga, aquele homem não tem nada de monótono, nem na cama, nem na bancada da cozinha da minha casa, aquela onde você se hospedou, e muito menos no camarote privado lá em cima.

- Suas vulgares! - A Adelaide gritou. - Bem se vê que nenhuma das duas tem berço!

- E você tem, mortalha? Olha onde você veio parar... e do jeito que vai indo, a "grande mother" não vai te deixar sair do castigo tão cedo! - A Marcelina respondeu. Vou dar um conselho... para vocês três na verdade. Parem de cuspir para cima, porque sempre cai na testa!

- Adeusinho, minhas fãs! - Eu falei ainda rindo. - Eu tenho que ir, como vocês sabem, amanhã eu me torno oficialmente a Sra. Érick Albelini! - Eu peguei o braço da Marcelina e nós começamos a nos afastar, mas eu ainda falei por cima do ombro: - Cuidado, fãs, para não se afogarem na inveja!

Eu me sentia de alma lavada, todas as humilhações e tristezas que aquelas três me causaram, elas estavam sentindo na pele. Era o que alguns chamavam de "lei do retorno", ou apenas "jurtiça". E, embora em geral eu não desejasse o mal de ninguém, depois de tudo o que eu passei, ver aquelas três aprendendo que a vida não é um passeio no parque me deixava um pouquinho feliz.

As quatro da manhã, a Marcelina e eu finalmente entramos em casa. Tiramos os sapatos de salto e entramos em casa com passos leves para não quebrar a calmaria e o repouso das crianças.

No entanto, a minha intenção de manter o silêncio não durou muito. Ele evaporou no mesmo milésimo de segundo em que nós encontramos as babás na sala de TV e os meus olhos focaram no cenário mais psicodélico instalado ali.

A Morgana e o Lucas estavam esparramados no sofá de linho, grudados e encolhidos debaixo do mesmo edredom de casal, segurando a babá eletrônica com mãos trêmulas. A Alice estava apertada no meio deles, com os olhos arregalados, e os três assistiam fixamente à tela da TV onde um filme de terror antigo exibia gritos, risos maléficos e uma profusão de sangue.

- Mas o que está acontecendo aqui? - Eu perguntei alto, acendendo a luz e não conseguindo segurar uma gargalhada quando os três gritaram de susto e puxaram o edredom sobre as cabeças ainda gritando.

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