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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 296

"Érick"

O ar dentro da casa parecia gelado, talvez pelos seguranças espalhados para irritar a Victória e reduzir drasticamente o seu acesso aos cômodos da casa. O solado do meu sapato rangeu sob o piso da entrada e eu parei no meio da sala. A Maria se aproximou com uma xícara de café fumengante que eu não tinha ideia de como ela sabia que eu precisava, mas ela sempre sabia o momento. Ela me lançou um sorriso quase imperceptível e aguardou com a bandeja enquanto eu sorvia lentamente um gole do café.

Mas a calmaria que eu desejava evaporou no mesmo milésimo de segundo em que eu tomei o primeiro gole de café. A Victória desceu as escadas parecendo furiosa. Ela veio para cima de mim num rompante, espumando de puro ódio.

- Seu bastardo maldito! O que você pensa? Você acha que vai me escorraçar daqui, Érick? - Ela gritou belicosa. - O seu advogado não vai conseguir nada com essa exigência para que eu apresente a relação dos meus bens. O que você pretende com isso? Vai me dizer que quer metade do que é meu? Você é ridículo Érick! Meu advogado já está tratando de mostrar ao juiz que o seu advogado está enrolando, litigando de má fé, e que tudo o que você quer é me prejudicar porque eu estou grávida! Grávida! E você não quer assumir a sua responsabilidade! Eu exijo os meus direitos, Érick! E nem sonhando eu vou aceitar que você tire o sobrenome Albelini de mim! Nem com o divórcio!

- Você quer metade de tudo que é meu, Victória. Alegou ao juiz que não tem onde morar e por isso deve ficar com a casa. Está exigindo uma pensão vultosa. O que você pensava? Que eu era tão idiota assim que te daria tudo o que você quer? Por favor, Victória, eu posso ter sido fácil de iludir, mas eu tenho excelentes advogados que não me deixam perder dinheiro. E, francamente, essa sua gravidez... ainda não me convenceu! - Eu respondi, tentando não gritar.

Eu mal tinha fechado a boca quando a mão dela estalou no meu rosto, deixando o lugar queimando.

- Você não vai se livrar de mim, Érick! Conforme-se! Eu não vou sair dessa casa. E eu vou atrasar tanto esse divórcio e fazer um escândalo tão grande que você não vai ter saída, vai ter que ficar casado comigo pelo resto da vida para não perder a sua preciosa reputação. Érick, conforme-se, você está preso a mim! E é melhor o seu advogado recuar ou eu vou deixar a mídia saber o canalha que você é querendo jogar a sua esposa e filho na rua, Érick!

Eu estava exausto, a minha mente triturada pelo cansaço tudo o que a Adelaide falou. Eu não aguentava mais as brigas e os gritos. Encarei a carcaça daquela vigarista com um nojo que me revirava o estômago. Então eu decidi que não valia a pena responder. Ignorando os berros dela, eu virei as costas, marchei em silêncio absoluto direto para o corredor dos fundos, a ala dos funcionários, para o quarto que havia se tornado o meu refúgio, longe da vigarista e perto do cheiro da minha Fada.

- Érick! Érick, não me dê as costas, eu estou falando com você!

Eu pedi e continuei caminhando a passos largos. A Victória tentou correr atrás de mim, destilando o seu veneno, mas um dos seguranças que eu havia destacado se antepôs no corredor e a barrou friamente. Eu abri a porta e entrei no antigo quarto da Lorena, trancando a fechadura atrás de mim. Ali dentro, deitado na cama simples de solteiro sentindo o cheiro de coco e açúcar mascavo, eu caí num sono profundo, sonhando com a única mulher que me fazia sentir vivo.

Após essa manhã caótica, as semanas que se desdobraram se transformaram em uma transição de agonia. Um mês inteiro havia se passado. O divórcio litigioso parecia travado no tribunal, e a minha casa havia virado a minha masmorra de punição. Eu tentava fugir da Victória, mas ela parecia viver de tocaia e assim que eu pisava em casa começava o escândalo. Eu tentava ignorar, conforme o Andrey e o advogado me disseram para fazer, mas não era tão simples, ela estava cada vez mais insuportável.

E para piorar a minha situação, a tal gravidez parecia realmente ser verdade. A sonsa da Victória desfilava com arrogância e vestidos absurdamente justos que exibiam a minúscula barriga que crescia. Era como um punhal cravado no meu coração. Eu não deveria me sentir mal por ter um filho a caminho, mas eu não conseguia aceitar aquele bebê, ele era a certeza de que eu tinha perdido a minha Fada para sempre.

Capítulo 296: Guiado pelo desespero 1

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