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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 334

"Lorena"

Eu olhei pela vidraça e senti uma certa dificuldade em respirar. Aquilo era uma loucura completa, mas como eu poderia dizer não para a Marcelina, a Dalva e a D. Heloísa? Elas se juntaram para me fazer concordar com aquilo. Eu não podia negar que eu estava bastante curiosa, mas eu não estava muito certa de que era uma boa ideia.

- Anda, Lô, você merece essa revanche!

- Marcelina, Isso é loucura! Quando o Érick Albelini souber disso, ele vai ter um infarto!

- Ah, Lô, deixa o Albelini ter o ataque que quiser, se preocupa só em se divertir! - A Marcelina soltou uma gargalhada alta me arrastando para fora do carro.

Nós saímos juntas do carro e fomos em direção a entrada onde o nosso grupo já nos esperava. O lugar estava lotado, havia fila do lado de fora, mas nós fomos conduzidas para dentro sem nenhum problema. E assim que entramos fomos recepcionadas por ele, o Barão.

- Mas olha que honra eu tenho hoje! - O Barão se aproximou de braços abertos. - Minhas eternas rainhas! - Ele se curvou diante de mim e da Marcelina, numa reverência exagerada. - Hoje o Trono é de vocês.

- Não acredito que você dispensou os seus amados clientes podres de ricos para nos receber no Trono, Barão? - Eu o provoquei, sabendo muito bem que a D. Heloísa tinha providenciado a reserva do Trono e ele não podia negar.

- Eu reservaria a casa inteira só para vocês, Lorena! - O Barão deu um grande sorriso. - Então, deu tudo certo, não é mesmo? O Albelini finalmente se deu conta de que você é especial.

- É o que ele diz! - Eu brinquei. - Sim, Barão, deu tudo certo. Eu me caso amanhã.

- Eu sei! E te desejo toda felicidade do mundo, Lorena. Vou te dizer uma coisa... você era má com os clientes, mas eles te adoravam. - Ele riu. - Mas você me trouxe uma investidora poderosa, isso foi ótimo para mim. O ruim é que ela está me obrigando a manter três funcionárias péssimas! E eu acho que você está aqui por isso, não é?!

- Deixe os seguranças a postos, Barão! Mas diga a eles para não interferirem. - A Marcelina respondeu e deu uma gargalhada quando o Barão limpou o suor da testa com um lenço.

O nosso grupo subiu as escadas para o camarote. Além de mim e da Marcelina, também estavam a D. Heloísa, a Dalva, a Amália, a assessora do Érick, a D. Débora e até a D. Cecília. Era um grupo bem interessante e que despertou os olhares curiosos de vários homens na boate. Havia uma garçonete nova no Trono, com cara de tédio, mas quando olhou bem para o grupo que entrou, ela ficou confusa e então abriu um grande sorriso, quando o Barão apresentou para ela as "lendárias" Sacarlat e Pandora.

- Vamos descer! - A Marcelina sugeriu animada depois de virarmos algumas doses.

- Tá maluca, Marcelina? - Eu arregalei os olhos.

- Ah, se fosse eu descia. - A D. Heloísa sugeriu e se virou para mim. - Não faz mal nenhum em mostrar um pouco para o inimigo derrotado que ele não conseguiu tirar nada de você. Vai, deixe que elas te vejam e morram engasgadas com o próprio veneno. Lorena, deixe a Scarlat sair!

Eu pensei e tomei um fôlego de coragem. Nós fomos para a pista e escolhemos uma mesa no canto. Estávamos caçando e não demorou muito.

Lá estavam as três cobras.

A Adelaide estava no cubículo do caixa, usando a sua peruca preta lisa longa e o batom berrante. Ela estava olhando diretamente para o meio do salão, onde a Verônica e a Victória caminhavam entre as mesas, vestidas com o espartilhos escuros, saias curtas e perucas, uma curta laranja neon e a outra um chanel roxo, ambas usavam os chifrinhos vermelhos e o rabo de diabo preso na saia, mas a maquiagem delas não escondia o rosto, era só uma sombra preta nos olhos e batom preto. Era impossível não reconhecê-las, elas faziam caras de nojo o tempo inteiro.

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