Entrar Via

A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 113

"Érick"

O abraço da Lorena foi o sinal que eu precisava para ir em frente. Sentir o corpo dela relaxar contra o meu me deu a certeza de que, não importava o tamanho do rombo financeiro que eu teria que abrir, valeria a pena. E quando ela se afastou, limpando o rastro da lágrima, eu percebi que eu achava que ela já soubesse tudo o que eu sentia, mas eu me dei conta que ela precisava realmente ouvir as palavras.

- Você está bem, Lô? - Eu segurei a sua mão e ela me deu um sorriso, como aqueles que ela reservava para Alice e que eu invejava, um sorriso que transparecia que ela sentia por mim mais do que eu merecia.

Eu me virei e vi que o Julian e o Andrey já tinham se recomposto do choque do que presenciaram e assumido suas posturas de combate, com notebooks ligados e pastas espalhadas sobre a mesinha de centro. Agora estava na hora de agir para nos proteger, era hora de tratar da minha sobrevivência no Grupo Albelini.

- Lô, nós vamos travar uma batalha e eu preciso de você ao meu lado. Você precisa entender o que está acontecendo, porque você é o motivo de eu estar prestes a quebrar todas as minhas próprias regras. - Eu respirei fundo, olhando para o Julian, que já antecipava o desastre financeiro que eu ia propor.

- O que você vai fazer, Érick? - A Lorena perguntou ansiosa, quase com medo de ouvir a resposta.

- O Conselho acha que pode decidir o nosso futuro, mas eles acabaram de nos dar a arma que precisávamos para destruí-los por dentro. - Eu respondi e me sentei em frente ao meu computador, puxando a Lorena para perto.

Eu virei a tela do meu computador para ela, a tela exibia o mapa dos meus ativos. A Lorena me encarou com os olhos quase saltando das órbitas.

- O que isso significa, Érick? Por que você está levantando os seus ativos? O que me assumir está custando para você? - Ela não era boba, sabia muito bem que a situação estava exigindo uma medida extrema.

- Eu vou comprar as ações deles, Lô. Cada uma. Eu quero o controle total e absoluto da minha empresa. Ou quase isso porque eu não vou comprar as ações dos dois panacas ali. - Eu apontei para o Julian e o Andrey. - Mas vou comprar todas as outras. Eu quero que, quando o Simão abrir a boca, ele não tenha mais uma cadeira onde se sentar, porque aquele Conselho não vai mais existir.

O Andrey soltou um assobio preocupado.

- Albelini, quando eu falei que queria chutar a bunda deles da empresa, você sabe que foi uma coisa no sentido figurado, não sabe? - O Andrey comentou.

- O Simão não quer apenas um casamento, ele quer controle. Eles acham que podem usar a Lorena como uma coleira para me manter sob as ordens do Conselho. - Eu sorri, mas não havia alegria ali. - Eles se esqueceram que eu não sou um cão domesticado. Minha estratégia não é ceder ao ultimato... é extinção. Eu vou comprar o Conselho. Eu vou colocá-los pra fora, Andrey, mas talvez eu chute a bunda deles de verdade. - Eu respondi.

- Eu faço qualquer coisa por você, Érick. Mas isso... - A Lorena estava tensa.

- Você está falando sério sobre comprar o Conselho, Albelini? Estamos falando de adquirir quase quarenta por cento das ações que circulam fora das suas mãos. O mercado vai entrar em colapso se perceberem um movimento hostil dessa magnitude. - O Andrey se recostou no sofá, cruzando os braços.

- Érick, se o mercado detectar um movimento hostil de compra nessa magnitude, o preço das ações vai disparar antes de terminarmos a primeira rodada. E você não tem essa liquidez imediata. - O Julian disse, a voz tensa. - Isso pode falir a empresa e te deixar arruinado. Você pode perder tudo.

- Eu sei. - Eu me inclinei para a frente. - Por isso não faremos um movimento hostil. Faremos uma infiltração. Julian, quero que você fragmente as ordens de compra através de várias corretoras menores fora do país. Use o capital dos nossos fundos de reserva no exterior.

- Érick, esse dinheiro está lá para emergências! - O Julian quase gritou. - Se houver uma flutuação brusca ou se um dos conselheiros perceber a movimentação, eles podem pedir uma intervenção por má gestão dos fundos de reserva. Você ficaria vulnerável.

- Eles não vão perceber. - A minha voz saiu fria, com a certeza de um jogador experiente. - O jantar do Conselho é em duas semanas. Até lá, o foco deles será a Lorena. Eles vão estar ocupados demais analisando o "currículo" dela, procurando falhas e tentando encontrar o "grão de areia" que o Simão mencionou, e não perceberão que o chão sob seus pés está sendo vendido.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite