"Érick"
O abraço da Lorena foi o sinal que eu precisava para ir em frente. Sentir o corpo dela relaxar contra o meu me deu a certeza de que, não importava o tamanho do rombo financeiro que eu teria que abrir, valeria a pena. E quando ela se afastou, limpando o rastro da lágrima, eu percebi que eu achava que ela já soubesse tudo o que eu sentia, mas eu me dei conta que ela precisava realmente ouvir as palavras.
- Você está bem, Lô? - Eu segurei a sua mão e ela me deu um sorriso, como aqueles que ela reservava para Alice e que eu invejava, um sorriso que transparecia que ela sentia por mim mais do que eu merecia.
Eu me virei e vi que o Julian e o Andrey já tinham se recomposto do choque do que presenciaram e assumido suas posturas de combate, com notebooks ligados e pastas espalhadas sobre a mesinha de centro. Agora estava na hora de agir para nos proteger, era hora de tratar da minha sobrevivência no Grupo Albelini.
- Lô, nós vamos travar uma batalha e eu preciso de você ao meu lado. Você precisa entender o que está acontecendo, porque você é o motivo de eu estar prestes a quebrar todas as minhas próprias regras. - Eu respirei fundo, olhando para o Julian, que já antecipava o desastre financeiro que eu ia propor.
- O que você vai fazer, Érick? - A Lorena perguntou ansiosa, quase com medo de ouvir a resposta.
- O Conselho acha que pode decidir o nosso futuro, mas eles acabaram de nos dar a arma que precisávamos para destruí-los por dentro. - Eu respondi e me sentei em frente ao meu computador, puxando a Lorena para perto.
Eu virei a tela do meu computador para ela, a tela exibia o mapa dos meus ativos. A Lorena me encarou com os olhos quase saltando das órbitas.
- O que isso significa, Érick? Por que você está levantando os seus ativos? O que me assumir está custando para você? - Ela não era boba, sabia muito bem que a situação estava exigindo uma medida extrema.
- Eu vou comprar as ações deles, Lô. Cada uma. Eu quero o controle total e absoluto da minha empresa. Ou quase isso porque eu não vou comprar as ações dos dois panacas ali. - Eu apontei para o Julian e o Andrey. - Mas vou comprar todas as outras. Eu quero que, quando o Simão abrir a boca, ele não tenha mais uma cadeira onde se sentar, porque aquele Conselho não vai mais existir.
O Andrey soltou um assobio preocupado.
- Albelini, quando eu falei que queria chutar a bunda deles da empresa, você sabe que foi uma coisa no sentido figurado, não sabe? - O Andrey comentou.
- O Simão não quer apenas um casamento, ele quer controle. Eles acham que podem usar a Lorena como uma coleira para me manter sob as ordens do Conselho. - Eu sorri, mas não havia alegria ali. - Eles se esqueceram que eu não sou um cão domesticado. Minha estratégia não é ceder ao ultimato... é extinção. Eu vou comprar o Conselho. Eu vou colocá-los pra fora, Andrey, mas talvez eu chute a bunda deles de verdade. - Eu respondi.


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