"Lorena"
A D. Heloísa não se moveu. O anúncio de que o filho pretendia comprar o Conselho, uma manobra arriscada demais que poderia lhes custar tudo, não a fez nem sequer piscar. Ela apenas olhou para o Érick com uma serenidade que chegava a ser assustadora. Aquela mulher nunca se abalava com nada? Eu comecei a invejar o controle emocional dela.
- Comprar o Conselho, Érick? - Ela repetiu, a voz calma. - É um movimento audacioso. O seu pai tentou isso há vinte anos e quase nos levou à falência porque não teve paciência para esperar o momento da liquidez. Você tem o capital disponível?
- Vou usar as reservas de emergência e os dividendos retidos. - O Érick respondeu, cruzando os braços, simples e objetivo. - Eu não vou aceitar que eles usem a Lorena como moeda de troca.
- D. Heloísa, por favor, diz ao Érick que existe outra saída. Eu prefiro que ele não vá por esse caminho. - Eu supliquei e ela deu dois tapinhas na minha mão.
E, ao contrário do que eu esperava, a D. Heloísa apenas balançou a cabeça, sequer precisou de fôlego para responder.
- Infelizmente não há, querida. - Ela respondeu para mim, mas olhou para o filho. - O que o Érick quer fazer é proteger o seu império. Não se pode viver sob ameaças, Lorena. Esse era um desejo do seu pai, Érick, consolidar o grupo Albelini sob o domínio total dos Albelini, porque o Conselho sempre foi... difícil. Ele recuperou muitas ações, essa é a razão de você ter a maioria absoluta do controle acionário, mas nunca conseguiu todas.
- Eu vou fazer uma jogada arriscada, mãe. Tem uma chance de dar errado. Mas eu acho que se fizer nos bastidores, sem que eles percebam, pode dar certo.
- Faça o que tem que fazer! - A D. Heloísa incentivou o Érick a ir em frente e eu senti um calafrio percorrer o meu corpo. - É um risco alto por uma questão de honra. - A D. Heloísa comentou, mas eu vi um brilho de orgulho no seu olhar. - Se você decidiu, então que seja feito com a força de um furacão. O Julian e o Andrey são leais, mas você precisará de silêncio absoluto.
- O Julian já está fragmentando as ordens, ele sabe como fazer isso. - O Érick garantiu.
A D. Heloísa se levantou e tocou o ombro do filho.
- Excelente! Agora vamos fazer uma pausa para o lanche. O exército precisa comer antes da batalha. E onde está a Alice?
- Já foi para a sala de jantar com o Andrey e o Julian. - O Érick respondeu ao se levantar e me oferecer a mão.
Na sala de jantar, o ambiente já era outro. O Julian e o Andrey estavam sentados à mesa com a Alice, discutindo seriamente qual era o melhor sabor de pizza do mundo, enquanto a menina ria das piadas sem sentido do Julian. O contraste entre a seriedade do escritório e a bagunça na sala de jantar era o que tornava aquela casa, finalmente, um lar.
- Vocês realmente são uns arruaceiros que transformam a minha casa em uma bagunça. - O Érick falou para os amigos, que se levantaram para cumprimentar a D. Heloísa.
- Agora você falou igualzinho a fofa da Adelaide. - O Julian sorriu e piscou para a Adelaide que bufou e revirou os olhos.
- A Alice e eu gostamos da bagunça que eles fazem. - Eu comentei e a Alice riu pra mim, concordando com o que eu disse.
- Eu sei que gostam. - O Érick sorriu e me deu um beijo no rosto.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite