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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 117

"Adelaide"

O Sr. Albelini havia me dispensado do serviço do lanche, alterando mais uma vez a ordem da casa, me humilhado na frente daquela... babá. E a D. Heloísa, que deveria ser a guardiã da nossa dignidade, estava agindo como a melhor amiga de uma usurpadora.

Mas também, o que se poderia esperar de uma mulher como ela. Eu sempre soube, desde o dia em que ela entrou para a família Albelini, que a D. Heloísa não era a mulher certa para o Sr. Albelini. E foi justamente para manter o controle daquela casa que a Sra. Rosenda Navarro de Albelini me tirou da casa da sua mãe e me mandou para a casa do seu filho quando a minha mãe faleceu.

Os Navarro sim, tinham uma postura irretocável, prezavam pela linhagem. Mas o avô do Sr. Érick, esse deixou o filho casar por amor e deu no que deu, a Sra. Rosenda teve muito trabalho com aquela nora, tornar a Heloísa uma dama foi um sofrimento. Felizmente o Sr. Érick tinha pelo menos se casado com uma mulher mais adequada, uma pena que tenha morrido tão depressa. E agora a casa que eu cuidei como uma governanta exemplar, mantendo a ordem, a disciplina e lustrando a nobreza dos Albelini, estava ameaçada por uma... babá!

Eu andava irritada de um lado para o outro na cozinha. O som das risadas vindas da sala de jantar atravessava as paredes como pregos sendo martelados em meus ouvidos. O Sr. Érick tinha sido categórico: "Adelaide, pode sair, a Lorena conduz o serviço hoje". Ora, quem aquela mulherzinha pensava que era para conduzir qualquer coisa?

Eu fui dispensada... dispensada como uma estagiária incompetente na frente de pessoas que eu vi crescer.

Eu me recolhi ao meu quarto, o único lugar nesta casa onde a minha autoridade ainda parecia ser respeitada, porque até a Eunice na cozinha já me olhava diferente.

Minhas mãos tremiam de raiva enquanto eu pegava o celular. O Sr. Albelini ainda ia me agradecer por estar ajudando neste momento em que ele parecia cego, enfeitiçado por aquela... babá!

Sim, eu não estava traindo os Albelini ao me unir a Sra. Verônica Albuquerque, eu estava tentando salvar o Sr. Érick da mesma fraqueza que quase destruiu o pai dele: o amor por mulheres que não pertencem ao nosso círculo, que não servem nem como... babás. Porque no fim das contas, você pode até lustrar o metal e fazê-lo reluzir como ouro, mas ele sempre volta a escurecer porque não passa de bijuteria barata e não uma jóia de verdade.

Eu disquei para a Sra. Verônica Albuquerque. Ela, sim, era uma dama que entendia o valor de um sobrenome.

- Adelaide! - A voz da Sra. Verônica soou cansada e aflita. - As coisas aqui estão um inferno. O banco nos enviou notificações de execução de dívidas. O meu marido não dorme. Aquele maldito do Érick retirou cada centavo do aporte. Estamos vivendo de aparências, Adelaide. Em uma semana, não teremos como pagar nem os seguranças. Me diga que você encontrou alguma coisa.

- É um absurdo, senhora, um absurdo! - Eu sussurrei, vigiando a porta. - Uma família como a sua, de linhagem impecável, sendo humilhada por um capricho. O Sr. Érick perdeu o senso de realidade. Ele acaba de me dispensar de servir o lanche para que a "Lorena" conduzisse o serviço. Na frente da D. Heloísa e daqueles dois amigos arruaceiros.

- A Heloísa está aí? - A Verônica sibilou. - Mas o que ela está fazendo aí? Espero que tenha ido colocar algum juízo na cabeça do filho. Seria maravilhoso se pudéssemos contar com ela, Adelaide.

Capítulo 117: A guardiã da "nobreza" 1

Capítulo 117: A guardiã da "nobreza" 2

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