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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 123

"Julian"

O contraste não poderia ser maior, para mim era como dois mundos se chocando. O sedã de luxo dos Albelini parecia uma nave espacial perdida nas ruas estreitas e esburacadas daquela vila. De um lado, eu: terno sob medida, sapatos italianos e a mente calculando riscos corporativos. Do outro, a realidade crua de onde a Lorena tinha surgido. Varais de roupas estendidas, crianças correndo e o cheiro de café coado.

Paramos em frente a uma construção simples, de pedredes sujas, onde um amplo portão aberto deixava ver um pátio onde a vida pulsava, vozes eram ouvidas, pessoas transitavam. Enquanto na mansão Albelini reinava o silêncio e a calma, aqui reinava uma agiotação efervescente. Alguns vizinhos cumprimentaram de longe a Lorena quando chegamos, mas ninguém se aproximou. Nós fomos direto para o segundo andar e batemos numa porta, onde uma placa de madeira indicava o escritório do Dr. Mariano.

- É aqui. - A Lorena falou, ajeitando a saia. Ela estava visivelmente tensa.

Eu bati a porta, que foi aberta rapidamente por um jovem que não tinha mais que vinte e quatro ou vinte e cinco anos, provavelmente recém-formado, vestindo uma camisa social que parecia ligeiramente grande demais para o seu porte físico. Ele era jovem demais e provavelmente com pouca experiência para um caso do tamanho que a Lorena enfrentava, no entanto, aquele rapaz também parecia obstinado demais e, pelo que eu sabia, tinha impressionado muito o advogado do Érick.

- Lorena! Que surpresa boa. - Ele sorriu calorosamente, mas logo travou ao me ver.

- Não deixe o Albelini te ver sorrindo assim para ela. Ele arranca a sua cabeça. - Eu comentei com um sorriso. - Eu sou o Julian.

- Ah, sim, o Dr. Barros me falou sobre o senhor. Me disse que provevelmente ia querer falar comigo. Parece que a Lorena se meteu em outra confusão. - Ele olhou para ela com um sorriso indulgente, quase como se dissesse que tudo ficaria bem.

- Parece que essa é a especialidade dela. - Eu sorri, mas não pude deixar passar despercebido algo que ele comentou. - Então o Dr. Barros antecipou a nossa chegada?

- Por favor, entrem. - Ele nos convidou para dentro. - O Dr. Barros tem nos dado um suporte incrível nos trâmites finais do processo dela. E nós temos tido um bom entrosamento profissional. Ele me ligou agora a pouco para passar alguns detalhes do processo e comentou que você provavelmente iria querer falar comigo.

- É, eu havia comentado com ele que gostaria de conhecê-lo. - Eu respondi, apertando a sua mão e já analisando o ambiente. - Sabe o que é, Doutor, o senhor está no processo desde o início e eu gostaria de saber exatamente dessa parte em que o Dr. Barros não participou. O início de tudo. Quero entender a raiz do problema da Lorena com o ex-noivo.

Ele fez um dinal para que nos sentássemos nas cadeiras ao redor da mesa onde ele tinha um computador ligado e muitos papéis espalhados. Enquanto Mariano buscava as pastas, notei a forma como Lorena batia o pé no chão. Um tique clássico de ansiedade. Ela não estava confortável comigo ali... ou estava pensando em como se livrar de mim por alguns minutos.

Não demorou cinco minutos para a porta do escritório ser aberta com um estrondo alegre e sem nenhuma cerimônia.

- Lô! Eu não acreditei quando a molecada da vila disse que o carro do seu chefe estava parado aí fora!

Uma mulher entrou como um furacão. Ela era deslumbrante. Espontânea, cheia de vida, vestindo roupas coloridas e muito curtas que gritavam jovialidade e leveza. Mas ela congelou ao me ver, paralisou, com a boca colorida por um batao coral vibrante tão aberta que eu podia ver o chicletes que ela estava mascando.

Eu me recostei na cadeira e a encarei, de alto a baixo, e se a primeira vista ela era deslumbrante, olhando de novo ela me arrancou o fôlego. Pernas torneadas, curvas perigosas no corpo, longos cabelos pretos brilhantes e muito lisos, a pele em um tom que parecia discretamente dourado e grandes olhos negros que pareciam de boneca, destacados por muito rímel nos cílios.

Ela era um pouco mais jovem que a Lorena e com certeza muito mais atrevida. Enquanto a Lorena era quase aristocrática, aquela mulher era quase um vendaval que passaria tirando tudo do lugar.

Capítulo 123: A colisão de dois mundos 1

Capítulo 123: A colisão de dois mundos 2

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