Entrar Via

A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 127

"Julian"

Eu me sentei à mesa e aceitei a xícara de café com um sorriso confiante. O aroma de bolo de fubá e café fresco preenchia o espaço. Eu olhei para a Dalva, ela tinha recusado ser tratada por "dona" ou "senhora" desde o primeiro momento. Ela era o estereótipo da doçura, aquele tipo de mulher acolhedora e sempre disposta a ajudar. Eu achava que seria uma presa fácil para as minhas perguntas disfarçadas. Ou assim eu pensei.

- O café está maravilhoso, Dalva. - Eu elogiei, apoiando os cotovelos na mesa. - O Mariano me contou que a senhora foi um anjo na vida da Lorena, que foi através da senhora que ela chegou aqui. Imagino que a Lorena tenha tido uma adaptação difícil depois de tudo o que aconteceu.

A Lorena, sentada ao meu lado, ficou imóvel. Eu conseguia sentir a tensão irradiando do corpo dela.

- Ah, meu filho, a Lorena sempre foi uma menina de ouro. - A Dalva sorriu, os olhos brilhando de afeto genuíno. - Ela tinha conquistado as coisas dela na vida, porque foi ela quem conquistou tudo, aquele aproveitador do Carlos Eduardo nunca teria nada se não fosse por ela. Mas ela sempre foi humilde.

- Esse Carlos Eduardo foi um cafajeste. Conseguiu armar tudo pelas costas dela. - Eu dei um gole no café. -

- Ah, meu filho, o pior cego é aquele que não quer ver. O mal da Lorena é confiar cegamente em todo mundo. Aquele homem não prestava, a tal "amiga" era uma falsa invejosa. Mas a Lorena tem um coração de ouro e não percebe o mal a rondando. - A Dalva declarou.

- É engraçado isso, às vezes as coisas estão debaixo do nosso nariz e nós não conseguimos ver. - A minha reflexão era mais para mim mesmo do que para a Lorena.

- Ah, mas isso é porque a Lorena é uma boa menina. - A Dalva sorriu. - Sabe, eu trabalhava para ela alguns dias da semana, mas ela sempre me tratou como se eu fosse da família. E aí aconteceu aquilo, eu queria que ela soubesse que contava comigo. E ela bateu na minha porta, desamparada. Mas ela não desanimou, começou logo a procurar emprego. Nunca reclamou de nada. Sempre foi muito batalhadora.

Eu fui surpreendido com a Dalva, ela foi acessível, gentil, disposta a falar. Ela me contou em detalhes como foi trabalhar com a Lorena e o ex noivo, como o tal Carlos Eduardo negligenciava a noiva, como ele a abandonou.

A Dalva chorou me contando como a Lorena foi despojada de praticamente tudo, só lhe sobrando roupas e itens pessoalíssimos e como ela teve que vender várias roupas e sapatos para arrumar algum dinheiro. A história era um grande drama e a canalhice do homem que abandonou a Lorena daquela forma era de embrulhar o estômago. Quando o Érick soubesse de todos aqueles detalhes, ele iria querer caçar o tal Carlos Eduardo e matá-lo com as próprias mãos.

- Então foi assim que você se virou, Lorena? Vendendo as suas coisas? - Eu perguntei, sentindo uma mistura de raiva e compaixão. Como um homem poderia ser tão canalha? Tratar uma mulher dessa forma era inaceitável!

- Eu vendi praticamente tudo, roupas e sapatos de grife, até perfumes. Mantive só as roupas e sapatos de trabalho. - A Lorena deu um sorriso triste, olhando para baixo. - Aquele vestido do dia em que você e o Andrey apareceram para jantar a primeira vez, foi o único que sobrou, porque essa louca da Marcelina não me deixou vendê-lo.

- De jeito nenhum! O vestido é maravilhoso e aquela esperta do brechó queria pagar uma ninharia por ele. - A Marcelina contou.

Capítulo 127: Acessível, gentil e disposta a falar 1

Verify captcha to read the content.VERIFYCAPTCHA_LABEL

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite