Entrar Via

A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 126

"Julian"

Eu já estava com a mão na maçaneta quando o furacão de cabelos pretos se moveu. Marcelina deu um passo à frente, cruzando os braços sobre a blusa curta, seus seios quase pulando do decote e os meus olhos quase pulando neles, aquela mulher era uma perdição!

Ela me lançou um olhar que tentava ser de repreensão, mas gritava descontração. Então ela desviou o olhar para a Lorena, que parecia ansiosa, um pouco nervosa. Ela não queria mesmo que eu me aproximasse da amiga?

- Olha que safado, Lô! J**a charme pra mim, mas já quer ir atrás da Dalvinha. - A Marcelina brincou.

- Ah, baby, eu preciso manter as opções em aberto. - Eu ri, porque já sabia que a Dalvinha era uma senhora "muito gentil e respeitável", como disse o advogado.

- Tá certo, é uma ótima ideia. - A Marcelina respondeu e se virou para a Lorena. - Lô, por acaso o gostosão do seu Albelini tem mais algum amigo interessante e que não seja só um rostinho bonito e um terno caro?

- Eu não sei se gosto de ouvir você chamando o Albelini de gostosão. - Eu comentei e a Lorena riu.

- Mas ele é um gostosão, Julian! - Os olhos da Lorena brilharam, sempre brilhavam quando ela falava do Érick. - E o gostosão tem outro amigo sim, Lina! Eu posso te apresentar o Andrey. - Ela ergueu as sobrancelhas para mim, e eu franzi a testa, o sorriso desaparecendo do meu rosto. O Andrey cairia matando em cima da Marcelina e essa coisinha linda eu tinha visto primeiro.

- Você não seria tão má assim, Lolô. - Eu perguntei, quase sofrendo por antecedência e ela deu um riso curto.

- Seria! Ah, seria! Então comporte-se. - A Lorena avisou.

- Eu prometo! - Eu sorri e coloquei a mão sobre o coração. - Meu interesse na outra amiga é puramente profissional. Podemos ir?

- Olha, Lô, ele está me dispensando para ir ver a Dalva. - A Marcelina me provocou. Ela era atrevida e espontânea, eu gostava muito disso.

- Imagina, baby, você vai comigo. Eu ainda vou te convencer a me dar o seu número. - Eu passei o braço sobre o ombro dela, a puxando para perto. O corpo dela se moldou ao meu com perfeição e o calor dela se fundia ao meu.

- A Dalva não deve estar em casa agora, Julian. - A Lorena tentou me fazer desistir. - Além do mais, eu preciso buscar a Alice na escola.

Eu olhei para a Lorena. Ela parecia nervosa, como se quisesse me manter longe da casa da Dalva. Mas por que? O Mariano me contou que a Dalva foi quem recebeu a Lorena na vila. Esse visível receio da Lorena foi o empurrão que o meu instinto precisava.

- Não se preocupe com a Alice, o Alberto sabe que deve buscá-la se demorarmos muito aqui. Vamos até a casa da Dalvinha, quem sabe não temos a sorte de encontrá-la? E se ela não estiver, nós podemos dar uma volta pelo lugar, você me apresenta outros vizinhos, talvez até dê tempo dela chegar. - Eu insisti. - Lolô, para o que vamos fazer, seria interessante conhecer as pessoas que te apoiaram. O que você acha?

Nós chegamos à casa da Dalva. Era como a casa do Mariano, a construção era a mesma, ali pareciam apartamentinhos que davam para um pátio. O lugar era humilde, mas extremamente limpo, cheirando a café fresco. A Lorena correu para abraçar a senhora que sorria para ela, em uma cena digna de comercial de margarina, eu comecei a escanear o ambiente.

Depois da apresentações, enquanto as mulheres preparavam o café que eu aceitei sem cerimônia, meus olhos mapearam a sala modesta conjugada com uma cozinha que parecia improvisada no canto. Havia um sofá pequeno sob o qual havia uma mala grande, uma mesinha redonda de madeira com quatro cadeiras em volta e uma pequena estante de madeira compensada cheia de bibelôs e retratos antigos. Eu dei dois passos à frente, fingindo interesse nas fotos de família.

Eu procurava por qualquer rastro, algo que me dissesse mais do que a Lorena parecia disposta a compartilhar. Qualquer coisa que não batesse com a narrativa da contadora falida. Mas não havia nada. Apenas o mais comum e esperado na casa de uma senhora gentil e humilde que agora enchia a Lorena de mimos.

Eu ouvia a conversa fluida e os risos das três e me convencia de que realmente eram amigas e o afeto entre a Lorena e a Dalva era inquestionável, realmente genuíno e me fez acreditar que aquela senhora teria sido capaz de abrir não apenas as portas para a Lorena, mas os bolsos também.

As rachaduras que eu pensei ter farejado pareciam ter sido meticulosamente cobertas. A visita era limpa demais, perfeitamente dentro do esperado para uma vida de dificuldades.

- Julian? - A Lorena me chamou do outro lado, segurando uma xícara de café com um sorriso gentil, como se ali estivesse em sua pele, no seu lugar seguro. - Não vai se juntar a nós?

- Claro! - Eu respondi com um sorriso e me sentei com elas à mesa. Eu precisava encontrar o ponto fraco na história da Lorena. O que ela não queria me contar era o que realmente poderia destruir o que estávamos construindo. Mas por que ela se recusava a se abrir se eu estava ali para ajudar a esconder os erros?

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite