"Lorena"
O Érick se transformava quando era desafiado, ele me devorou naquele escritório. Ele não era um homem de movimentos suaves quando estava possuído por aquele desejo de manter o controle e mostrar que ele não era desafiado, ele era o desafio. E quando o nosso tempo acabou, eu não sabia quem tinha ganhado a disputa, mas eu estava bastante satisfeita com o resultado.
- Eu disse que não devolvia nada sem pagamento - Ele sussurrou enquanto abotoava o objeto da nossa pequena disputa nas minhas costas, a respiração quente no meu ouvido. - Mas dessa vez, eu vou deixar você acreditar que está no controle. Apenas dessa vez.
Ele subiu o meu vestido e passou os braços em mim, me fazendo recostar no seu peito enquanto abotoava o meu vestido, terminando com um beijo que me deixou sem fôlego.
- Vai! - Ele sussurrou, me dando um último beijo rápido e possessivo. Mas antes que eu pudesse abrir a porta ele me chamou: - Lorena. Isso foi apenas um pagamento parcial.
Eu saí do escritório sentindo minhas pernas como se fossem feitas de gelatina, ao mesmo tempo que tentava apagar os vestígios da mulher que acabara de ser possuída no sofá. O sutiã de renda branca de volta ao meu corpo era como um segredo escondido sob o tecido do vestido, um lembrete físico e quente de que eu tinha acabado de desafiar Érick Albelini e saído com o prêmio.
Ajeitei o vestido freneticamente, torcendo para que minhas bochechas coradas passassem por "calor do dia" e não pelo rastro das mãos do Érick na minha pele. Mas, assim que eu dobrei o corredor em direção à sala de música, dei de cara com o meu maior detector de mentiras: Alice. A minha menina tinha um dom natural para perceber as sutilezas, embora ainda fosse inocente demais para perceber a mentira.
A aula de piano tinha acabado. E ela vinha caminhando ao lado da professora pelo corredor.
- Lolô! - Ela correu e me deu um abraço apertado pela cintura, afundando o rosto na minha barriga.
- Oi, minha menina...
A professora, passou por nśo com um aceno de despedida. Depois que ela se distanciou a Alice se afastou um pouco, mas não me soltou. Ela franziu o narizinho, farejando o ar, e depois encostou o rosto em mim outra vez, inspirando profundamente. Meu coração deu um salto. Eu sabia o que ela estava fazendo.
- Lolô... que cheiro é esse misturado com o seu cheiro de doce? - Ela perguntou, confusa, olhando para cima com aqueles olhos curiosos.
- Cheiro? Que cheiro, querida? Deve ser o perfume das flores do jardim, eu estava dando uma volta lá... - Eu tentei rir, mas minha voz saiu um oitava acima do normal.
- Não é cheiro de flor. - A Alice balançou a cabeça, convicta. - Você está com o cheiro do papai! É o cheiro que fica no travesseiro dele. Eu também fico com o cheiro dele quando ele me dá um abraço bem forte antes de ir trabalhar. É tão gostoso quanto o cheiro no jardim quando chove.
Senti o sangue fugir do meu rosto. O cheiro de sândalo e couro do perfume do Érick. Eu estava literalmente impregnada por ele. O suor, o perfume, Érick Albelini estava na minha pele. Antes que eu pudesse inventar uma desculpa sobre ter esbarrado em um casaco dele no corredor, ouvi o som de passos lentos vindo de trás de mim.
- O que tem o meu cheiro, Alice? - A voz do Érick ecoou, profunda e carregada de uma diversão sombria.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite