"Lorena"
O escritório do Érick era como um lugar sagrado para ele, envolto em silêncio, a temperatura constante mantida pelo ar condicionado e uma luz branca que brilhava em pontos estratégicos do teto.
Geralmente ele ocupava a cadeira atrás da mesa, como se fosse um rei ocupando o trono em seu castelo, mas hoje o Érick não estava na mesa principal. Ele estava jogado no sofá de couro branco, cercado por montanhas de contratos e relatórios espalhados. A camisa de linho estava com as mangas dobradas até os cotovelos que ele apoiava nas pernas, se curvando para frente, e ele segurava um documento com as duas mãos, franzindo o cenho com uma irritação evidente.
Eu girei a chave na fechadura com um clique perceptível, nos trancando ali no espaço de trabalho dele em casa. Ele nem sequer levantou os olhos quando ouviu o clique da porta. Talvez porque estivesse atento a voz do Julian saindo pelo viva-voz do celular sobre a mesinha de centro.
- ... e o conselho está pressionando, Érick! Eles querem saber que história é essa de você estar pessoalmente envolvido na investigação do golpe que afetou alguns dos nossos clientes. - A voz de Julian ecoava, estridente e impaciente.
- Adelaide, eu pedi para não ser interrompido. Deixe o café e saia. - O Érick murmurou, sem levantar os olhos dos papéis, achando que a porta se abrira para a governanta. - Agora não, Julian. Eu já disse que cuido disso, mantenha o conselho fora do meu caminho.
- Se quer saber, Érick, eu acho que o conselho não está nem aí para essa investigação, mas eu acho que eles usarão isso para conseguir alguma coisa...
Eu não disse uma palavra,não fiz nada para chamar a atenção dele. Apenas caminhei em direção ao sofá, meus passos abafados pelo tapete grosso que cobria quase todo o piso. Eu tentei monter minha postura confiante, mas o meu coração estava disparado no peito, batendo tão forte que as batidas soavam nos meus ouvidos e abafava, o que quer que o Julian estivesse dizendo do outro lado da linha.
Eu parei bem na frente do Érick, os papéis que ele segurava roçando o meu vestido. Ele levantou a cabeça devagar. A surpresa em seu rosto durou apenas um segundo antes de ser substituída por aquela intensidade que me fazia tremer.
Ele notou o botão desfeito do meu vestido no mesmo instante. Seus olhos desceram, demorando-se ali. Lentamente, eu levei a mão ao decote e terminei de abrir o segundo botão do vestido. A expressão de CEO irritado se dissolveu em puro choque quando ele percebeu o início da curvatura dos meus seios sem nenhuma proteção por baixo do tecido do vestido. Naquele momento eu soube que a reunião com o Julian tinha acabado de morrer na mente dele.
- Érick? Você ainda está aí? - A voz do Julian continuava, alheia ao fato de que o melhor amigo tinha acbado de perder o interesse pelo trabalho.
O Érick estendeu a mão e, com um movimento brusco, desligou a chamada no viva-voz sem tirar os olhos de mim. O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor, preenchido apenas pela nossa respiração pesada. Talvez ele fosse me colocar para fora, irritado por ter sido incomodado quando deu ordens para que ninguém o interrompesse. Mas eu já estava ali, não dava para voltar atrás, era mehor fazê-lo salivar.
- Eu não sou a Adelaide, Sr. Albelini. - Eu falei por fim, abrindo o terceiro botão, minha voz saindo mais firme do que eu esperava.
- Se você diz. Mas nós temos um problema aqui, Lorena, como você não pediu de volta até hoje, eu assumi que não precisava mais e incorporei ele ao meu patrimônio. Agora ele é meu! - A resposta dele foi baixa, no meu ouvido.
- Acontece, Albelini, que eu te emprestei, não doei. O tempo que ele ficou com você foi gentileza minha, mas ele continua sendo meu. Preciso dele de volta agora. - Eu falei tentando não dissolver nos braços dele enquanto ele atiçava a minha pele com o roçar de lábios no meu pescoço.
- Discordo. Mas posso negociar, se você precisa dele tanto assim. O que você vai me dar em troca, Lorena? - Ele sussurrou contra meus lábios, sua mão entrando sorrateira pelo meu decote e tocando o meu seio. - Porque eu não devolvo nada que considero meu sem um pagamento à altura.
- Eu não sou sua propriedade, Albelini. - Eu provoquei, deslizando as mãos pelo peito dele, sentindo o coração dele martelar tão rápido quanto o meu. - E como eu disse, é você quem tem que me compensar. Mas eu só tenho quarenta minutos, Albelini, você consegue lidar com a pressão do tempo?
- Pressão do tempo... - Ele bufou e me jogou no sofá se deitando sobre mim. - Eu vou te mostrar o que é pressão, Srta. Valente!
Eu não era mais a babá doce. Pelo menos não naquele momento. Eu era a mulher que ia fazê-lo esquecer até o próprio nome.

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