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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 72

"Lorena"

O jantar foi uma tortura de subtextos. O Érick teve a brilhante idéia de trocar os lugares novamente e a Alice achou tudo uma grande diversão. Desta vez, ele me inverteu de posição com a Alice, me mantendo diretamente ao seu lado. O Julian e o Andrey, sentados à minha frente, logo perceberam a tensão possessiva do anfitrião e não perdiam uma chance de provocar.

- Interessante essa mudança de lugares à mesa, não é, Adelaide? - O Julian perguntou, fazendo a governanta quase explodir de raiva.

- Não acho interessante tumultuar o bom andamento da casa, Sr. Beaumont. - A Adelaide respondeu azeda.

- Mas o papai gosta! - A Alice rebateu imediatamente e eu congelei, eu não precisava da minha menina dando informações por aí. - Hoje no almoço ele sentou bem aqui nessa cadeira, do lado da Lolô.

Meu Deus, eu estava prevendo um desastre!

- É mesmo, Lili? - O Julian olhou para o Érick com o sorriso de quem não perdia a oportunidade.

- Foi mesmo! Sabia, Juju, que o papai e a Lolô agora são amigos de abraço?! - A Alice disse, entre uma garfada e outra. - O papai disse que é para ela ter o cheiro dele e o bicho-papão não morder ela. Mesmo ele não resistindo e mordendo de vez em quando.

O Julian engasgou com o vinho, rindo abertamente. Eu queria me enfiar embaixo da mesa.

- Alice, é melhor prestar atenção aos seus legumes, tem que comer todos. - Eu tentei desviar o foco da conversa e fazer a Alice ser menos falante, mas o estrago já estava feito.

- Você sabe que eu como todos, Lolô. - Ela me encarou com aquele sorrisinho que me desmanchava.

- Amigos de abraço, é? Albelini, você sempre foi um mestre da estratégia, mas essa de "marcar com o cheiro" é nova até para você. - O Julian comentou, enquanto o Andrey se acabava de rir ao seu lado.

- Concentre-se nos seus legumes, Julian! - O Érick rebateu, mas sua mão, por baixo da toalha de mesa, encontrou o meu joelho, tocando a minha pele com a mesma audácia demais cedo, e me fez quase derrubar a taça.

- Eu não sabia que o bicho-papão tinha ficado tão... afetuoso. - O Andrey não perdeu a oportunidade de provocar o amigo. - Eu também posso ganhar um abraço de amigo, Lorena?

Eu senti o meu rosto esquentar instantaneamente. O Érick não se abalou. Ele levou a taça aos lábios, fixando o olhar nos amigos com uma calma letal.

- Tente e você vai descobrir como é o meu aperto de mão quando estou de mau humor, Andrey. - O Érick respondeu, o tom de aviso fazendo o amigo levantar as mãos em sinal de rendição, rindo.

- A Lorena traz o melhor de todos nesta casa. Até do bicho-papão. - Ele respondeu. - Algo que você, com sua agenda lotada de conquistas baratas, dificilmente entenderia, Andrey.

O Andrey soltou uma gargalhada, mas seus olhos continuavam analíticos, alternando entre o Érick e eu.

No momento em que ficamos sozinhos, ele se aproximou, segurou meu rosto com as duas mãos, seus polegares traçando o contorno da minha mandíbula.

- O vestido... - Ele sussurrou, a voz rouca. - Você me deixou orgulhoso e ao mesmo tempo louco o jantar inteiro, Lorena. Ver aqueles dois te despindo com os olhos... quase me fez perder o controle.

- Você disse para eu estar impecável. - Eu provoquei, sentindo a eletricidade entre nós.

- E você cumpriu a ordem com perfeição. - Ele desceu as mãos para a minha cintura, puxando-me para o seu corpo. - Escritório. Em dez minutos. É tempo suficiente para a Alice estar dormindo. E espero que você tenha argumentos muito bons para me convencer a não te trancar naquele quarto comigo pelo resto da semana.

- Não posso prometer nada, Albelini! - Eu dei um beijo superfial nos lábios dele, nossas bocas se tocando levemente como uma brisa.

Ele soltou minha cintura relutante e caminhou em direção ao escritório, a postura de quem já tinha o controle da situação. Eu o observei ir e subi as escadas e fui direto para o quarto da Alice, sequer olhando para a Adelaide, simplesmente disse "pode ir".

Eu cuidei da minha menina e a coloquei na cama, os olhinhos dela já estavam se fechando quando eu dei o beijo de boa noite. Depois eu fui para o meu quarto e encostei a porta, o coração descompassado no peito.

Eu me despi do vestido champanhe e o me preparei, coloquei a lingerie que a Marcelina havia encontrado na minha mala, vesti um robe de seda, reapliquei o batom e me olhei por um momento no espelho. Eu era a Lorena Valente e eu não perderia aquele homem para uma sombra criada por mim.

Essa noite eu não seria a funcionária tímida e contida que tentava se esconder, como ele dizia. Essa noite, se ele achava que mandava na mansão, eu ia mostrar que ele não mandava nem no próprio batimento cardíaco. Eu saí do meu quarto e atravessei o corredor, mas não em direção às escadas.

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