"Érick"
Dez minutos. Eu tinha dado dez minutos para que Lorena colocasse Alice na cama e aparecesse no meu escritório. Eu não era um homem acostumado a ser contrariado ou repetir ordens, muito menos a esperar. Mas ali estava eu, batucando os dedos na madeira brilhante da minha mesa, consultando o relógio no meu pulso a cada cinco segundos, enquanto a irritação subia pela minha garganta como fumaça. Não era possível que ela começaria a fugir de mim de novo.
Eu estava ansioso, desde a tarde, depois daquela inavasão dela ao meu escritório reivindicando o sutiã que eu pretendia roubar de novo em breve, só porque tinha gostado muito do jeito como ela o exigiu de volta. Mas aqueles minutos roubados esta tarde apenas tinham me deixado mais sedento por ela.
E aó tivemos o jantar... aquilo tinha sido uma tortura. Aquele vestido... ver o Julian e o Andrey a devorando naquele vestido champanhe quase me fez expulsá-los da minha casa. Sentir o cheiro dela ao meu lado, sua pele macia, enquanto eu tinha que manter a compostura na frente da minha filha... eu estava no limite. E eu nem estava me importando mais com as respostas que eu queria dela sobre aquele maldito advogado. Eu só queria... não, eu precisava... sentir o corpo dela no meu. Mas os ponteiros estavam girando e a porta não se abria.
Quinze minutos. Vinte.
- Onde você está, Lorena? - Eu rosnei para o silêncio do escritório sentindo a irritação me dominar.
Eu me levantei bruscamente, batendo as mãos sobre a mesa. A paciência tinha acabado. Se ela achava que podia me dar um beijo de boa noite e se esconder no quarto, ela estava prestes a descobrir que não havia trancas nesta mansão que me mantivessem do lado de fora. A diplomacia tinha acabado! E a culpa era dela.
Eu subi as escadas com passadas pesadas, o som dos meus sapatos ecoando no hall como um aviso. A penumbra que caía sobre a casa e o silêncio da noite faziam os meus passos soarem muito mais como um aviso perigoso.
Eu levei a mão a maçaneta e a girei de forma abrupta. Abri a porta do quarto da Lorena sem bater, com o ímpeto da irritação que ela criou em mim por me deixar esperando. O quarto estava mergulhado na escuridão. Eu caminhei até a cama, pronto para arrancá-la das cobertas, mas parei antes de tocar o edredom. A cama estava vazia!
O perfume dela ainda estava no ar, mas ela não estava lá. O vestido champanhe estava jogado displicentemente sobre a poltrona, eu me aproximei e corri os dedos sobre o tecido macio. Procurei no banheiro, no closet, depois no quarto da Alice, que dormia como um anjinho. Mas ela não estava lá.
Eu desci as escadas novamente, a irritação cada vez maior, e verifiquei a cozinha, a sala de música, voltei ao escritório. Nada. Será que ela havia voltado para o antigo quarto? Onde nós começamos. Seria interessante. Eu dei um sorriso e fui até lá, mas nada, estava vazio.
O pânico começou a se misturar à irritação que já se transformava em fúria. Onde diabos ela tinha se enfiado? Será que ela tinha fugido? O pensamento de que a "minha" Lorena pudesse ter desaparecido de repente como a Scarlat atravessou a minha mente e fez meu sangue gelar. Não, ela não podia sumir assim, não depois do que nós compartilhamos na casa de campo.
- Demorou, Albelini! - Ela provocou, a voz baixa, sedutora, carregada de uma audácia que eu ainda não tinha percebido nela. - Achei que o bicho-papão fosse mais rápido para encontrar o que é dele.
O homem que tinha o domínio sobre tudo morreu naquele instante. O CEO que ditava as regras e não admitia ser contrariado desapareceu. Sobrou apenas o homem que estava a um passo de perder o controle total. Joguei o meu paletó no chão, arranquei a gravata, meus dedos lutando com os botões da camisa enquanto eu caminhava em direção à cama, meus olhos fixos nela como se ela fosse a única coisa real no mundo.
- Você não tem ideia do erro que acabou de cometer, Lorena! - Eu sussurrei, a voz rouca de desejo. - Você queria me tirar do escritório? Pois agora você tem a minha atenção total. E não é para conversar. Eu garanto que você vai implorar para que eu volte a... ser diplomático, antes que a noite termine.
- O homem diplomático eu posso encontrar na mesa de jantar, Albelini. O que eu vim buscar aqui... foi a mordida do "bicho-papão"! - A confiança com que ela me respondeu e me encarou era de uma sensualidade absurda.
Eu a derrubei contra o colchão, meu corpo cobrindo o dela, e a última coisa que vi antes de mergulhar no doce dos seus lábios foi o sorriso de triunfo dela. Ela tinha ganhado a rodada, me desafiou e me surpreender pela terceira vez apenas hoje. Mas a noite... a noite seria inteiramente minha.

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