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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 75

"Lorena"

Eu só consegui convencer o Érick a me deixar sair do quarto dele quando o dia amanheceu. A mim ele deixou sair, mas o meu sutiã ele não entregou, dizendo que ele ficaria com a peça sequestrada até que eu pagasse o resgate, como fiz com o outro. Eu voltei para o meu quarto rindo baixinho e quando fechei a porta atrás de mim eu me sentia como uma ladra que havia deslizado furtivamente pelo corredor enquanto todos ainda dormiam. A minha pele ainda formigava onde as mãos do Érick a tocaram e o cheiro dele parecia ter se tornado meu novo perfume natural.

Eu fui para o banheiro e deixei a água cair sobre o meu corpo, lavando o suor e os beijos dele da minha pele. Eu fechei os olhos e senti como se ele ainda me tocasse, meu corpo inteiro respondia a ele, ainda que fosse só a lembrança ou o cheiro dele na minha pele. Mas eu não tinha tempo para sonhar acordada, eu precisava ser a babá em cerca de uma hora. A Lorena discreta. A profissional. Mas, ao olhar para o espelho, eu soube que eu não era uma ladra, eu era na verdade uma mentirosa que escondia dele um segredo monumental.

Depois de me arrumar e caprichar no corretivo sobre a nova marca de posse do Érick que começava a arroxear no meu pescoço, eu fui acordar a Alice. Eu me sentei em sua cama e a toquei com cuidado, ela ainda dormia como um anjo, então eu me abaixei e dei beijos em seu rosto.

- Bom dia, minha menina! Está na hora de acordar. - Eu sussurrei e vi seus olhinhos azuis se abrirem preguiçosamente com um sorrisinho de quem teve bons sonhos.

- Bom dia, Lolô! - Ela saiu debaixo do edredom e pulou no meu pescoço.

Depois de ajudar a Alice a se arrumar, nós descemos as escadas e, assim que entramos na sala de jantar, o mundo pareceu parar por um instante e voltar a girar me fazendo quase perder o equilíbrio0. O Érick já estava lá. E ele se virou para observar a nossa entrada.

Quando nossos olhos se cruzaram, foi como um curto-circuito. Ele não desviou. Pelo contrário, o canto dos seus lábios subiu um milímetro. Ele estava usando uma camisa branca impecável e uma gravata preta com listras douradas que me fez parar de respirar. Não era só uma gravata, era um lembrete.

- Bom dia, papai! - A Alice se atirou no pai.

- Bom dia, pequena! Que alegria, hein?! - Ele comentou e a menina sorriu.

- Eu sempre acordo feliz quando a Lolô está aqui. Ela me acorda com beijos! - Ela contou com satisfação.

- Olha que interessante! - Ele me encarou. - Acordar com beijos realmente deixa qualquer um feliz, Alice. Bom dia, Lorena. Dormiu bem? - A voz dele saiu profunda, com aquela vibração que me fez lembrar instantaneamente do seu gemido no meu pescoço horas antes.

- Bom dia, Sr. Albelini. Dormi... o necessário. - Eu respondi, sentando-me ao lado de Alice com o coração martelando.

- O papai está feliz hoje, Lolô! - A Alice observou enquanto eu servia o seu suco. - Ele está com o olho brilhando igual ao seu. Vocês dois acordaram com beijos também?

Eu engasguei com o ar e quase deixei a jarra de suco escapar das minhas mãos. A Adelaide, que estava colocando o bule de café sobre a mesa, parou o movimento no ar. O olhar dela era uma lâmina fria, alternando entre o pescoço do Érick, onde eu sabia que havia uma marca sutil, e a minha postura excessivamente nervosa tentando não parecer tão trêmula.

- Eu sei! É quentinho e macio, não é, papai? - Ela perguntou com um sorrisinho feliz e o pai concordou, finalmente voltando para o seu lugar. - Já sabe, Lolô, tem que acordar o papai com beijos também agora.

- Ah, mas eu posso te acordar para você acordar o seu pai com beijos, porque os seus são muito melhores que os meus. - Eu sorri para ela.

- Ah, não, Lolô, se você fizer isso eu vou ter que acordar mais cedo, mas se você acordar o papai antes de mim eu durmo um pouquinho mais. - Ela resmungou com um biquinho manhoso.

- Olha que esperta! - Eu brinquei com ela.

- Inteligente como o pai! - O Érick respondeu, levando a sua xícara de café aos lábios com um sorrisinho convencido.

O café seguiu com uma troca de olhares que beirava o perigoso. O Érick era incapaz de ser discreto quando estava satisfeito. Ele me passava a geleia e seus dedos demoravam-se nos meus, ele fazia comentários carregados de duplo sentido e piscava pra mim quando a Alice não estava olhando para ele.

- Eu levo vocês hoje. - Ele anunciou ao final do café, levantando-se e ajustando o relógio no pulso. - Quero garantir que a Alice chegue bem e que a Lorena... não seja incomodada por nenhum professor no caminho.

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