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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 76

"Lorena"

O trajeto até a escola foi preenchido pela empolgação de Alice. A menina estava radiante porque o pai a levava e buscava na escola com frequência agora. Mas no banco da frente, a tensão era palpável e crescia à medida que nos aproximávamos da escola.

Quando paramos no portão, o Professor Renato estava lá, de sentinela como sempre. Aquele homem parecia o porteiro e não o professor, estava sempre ali no portão observando o entra e sai! Mas, ao ver o SUV preto e o olhar de desafio que o Érick lançou ao descer do carro para abrir a porta para mim, o professor apenas se virou e caminhou apressado para dentro.

- Melhor assim! - O Érick balbuciou perto do meu ouvido enquanto eu ajudava Alice com a mochila.

Eu não aguentei. Soltei uma risadinha baixa, cúmplice, aliviada por ter me livrado da insistência do professor, mas um pouquinho decepcionada porque não teria o Érick me agarrando em um canto da casa ou dentro do carro só para me avisar que o professor jamais me tocaria como ele. O que ele não sabia é que ninguém nunca havia me tocado como ele e eu duvidava muito que existisse outro homem no mundo que me despertasse as sensações que Érick Albelini despertava.

- Você é impossível, Albelini. - Eu sussurrei.

- Você ainda não viu nada! - Ele murmurou, o tom voltando a ser o do homem que não aceita nada menos que a vitória total.

A Alice se despediu e entrou na escola e, assim que ficamos sozinhos no carro para o trajeto de volta, o clima mudou drasticamente. O Érick não deu a partida imediatamente. Ele se virou para mim, o rosto voltando àquela seriedade analítica que me dava calafrios.

- Agora, Lorena... sem Alice, sem amigos e sem lingerie dourada para me distrair... - Ele deu um longo suspiro segurando a gravata entre os dedos e olhando para ela. Mas logo voltou a sua atenção para mim, a voz voltando ao tom de cobrança. - Vamos falar sobre o Dr. Mariano. E por que você está tentando resolver um problema jurídico de tamanha magnitude sozinha, sabendo que com a minha ajuda isso desaparece em menos de uma semana.

- Eu já te disse, Érick. Nós já falamos sobre isso. - Eu tentei manter a voz firme.

- Sim e eu avisei que o meu advogado ligaria para o seu. Lorena, vamos, tem algo acontecendo, eu vi a movimentação do seu advogado. Ele está tentando blindar algo que você não quer que eu veja. Por que você prefere correr riscos sozinha do que confiar em mim? O que te assusta tanto a ponto de você preferir manter esse muro entre nós? O que você está escondendo de mim, que te faz preferir enfrentar tudo isso sozinha à ter minha proteção?

Eu senti o ar faltar. A Scarlat estava arranhando a minha garganta, implorando para sair. Eu abri a boca para falar, para confessar que a mulher pela qual ele era obcecado na boate e a que ele possuiu no seu quarto eram a mesma pessoa. Eu ia falar. Eu ia confessar. mas o celular dele, jogado no console do carro, vibrou violentamente.

O Érick atendeu no viva-voz, irritado pela interrupção.

- Julian, agora não é um bom momento... - Ele começou a falar, mas foi interrompido pela voz apressada do amigo.

- Érick, você precisa vir para a empresa agora! - A voz de Julian estava tensa, desprovida de qualquer vestígio do bom humor da noite anterior. - O conselho de administração convocou uma reunião de emergência para as dez horas. Alguém vazou informações sobre os seus gastos pessoais com a investigação do golpe e eles estão alegando que você está usando recursos do Grupo Albelini para fins particulares. Estão questionando sua liderança, Érick. Dizem que você está "distraído" demais.

- Eu vou te deixar em casa. E o muro, Lorena... - ele sussurrou, a voz saindo baixa e perigosa. - Esse muro que você insiste em manter entre nós está começando a rachar a minha estrutura lá fora. Eles acham que eu estou fraco porque estou cuidando de você. Nós precisamos estar juntos, Lorena, eu não estou brincando quando eu digo que você é minha e eu vou cuidar de você!

Ele deu a partida no motor, os pneus cantando no asfalto enquanto ele fazia uma manobra brusca.

- Eu vou resolver essa merda no conselho. Mas quando eu voltar, Lorena, não haverá mais espaço para segredos. Ou você me conta porque o Dr. Mariano está dificultando as coisas, ou eu mesmo vou derrubar essa porta e descobrir da pior maneira possível.

Ele me deixou na porta da mansão sem um beijo de despedida, apenas com aquele olhar que prometia que a leveza do café da manhã tinha sido sufocada pela fumaça da guerra que estava por vir.

Eu entrei na casa sentindo o chão fugir sob meus pés. O conselho estava de olho nele por minha causa. E se eles investigassem a fundo... descobririam que o problema não era o advogado. Eles encontrariam a Scarlat. Isso estrava crescendo rápido demais e iria explodir na minha cara. Eu precisava ir atgé a vila e dessa vez eu precisava falar sério com o Mariano e entender o que estava acontecendo, mas agora eu não agiria pelas costas. Eu peguei o celular na bolsa e enviei uma mensagem para o Érick:

"Estou indo falar com o advogado, você terá suas respostas. E não se preocupe, eu vou usar o motorista."

E apertei o botão enviar e caminhei em direção ao motorista que estava de pé diante do carro, mas antes que eu o alcançasse, o meu celular vibrou, era uma mensagem do Érick: "Ótimo!"

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