"Érick"
A mensagem da Lorena deixou duas coisas muito claras para mim, a primeira era que ela estava disposta a baixar a guarda e me deixar fazer parte, e a segunda me dizia que ela realmente estava escondendo alguma coisa. Eu não gostava de não saber e ter essa certeza só aumentou a minha irritação.
Eu entrei no prédio do Grupo Albelini como uma tempestade, a fúria emanava pelos meus poros em ondas silenciosas. Os funcionários mal ousavam respirar enquanto eu cruzava o saguão. Eu não estava apenas irritado, eu estava prestes a explodir aquele prédio.
O Julian me interceptou antes que eu chegasse à sala da diretoria. Ele me puxou para o meu escritório particular e trancou a porta.
- Que merda está acontecendo aqui, Julian? O conselho nunca questionou o que eu faço. - Eu o encarei irritado.
- O Albuquerque está jogando sujo, Érick. - Ele disparou, jogando um tablet na minha mesa. - Ele está tentando se esconder, mas está passando informações duvidosas. Ele entregou uma espécie de dossiê ao Conselho.
- O que tem nesse dossiê?
- Fotos suas na escola com a Lorena de uma maneira muito próxima, registros de pagamentos que o nosso advogado está fazendo por aí para levantar a situação da Lorena, a versão do golpe financeiro em que a Lorena aparece como culpada e até depoimentos forjados da escola da Alice sugerindo que a babá intimidou as crianças e as mães para criar uma história para te manipular.
- Que absurdo! - Eu bufei. Se eu tinha uma certeza em relação a Lorena era que ela não usou a situação da escola para me manipular.
- Senta, vou te mostrar o que o conselho tem. - O Julian me encarou e se sentou.
Eu me sentei e ouvi o Julian. Eu li tudo o que o Julian tinha e vi o vídeo, da forma como aquele dossiê foi montado a Lorena era uma mulher cruel, interesseira e criminosa, que só queria se dar bem pra cima de mim para resolver os próprios problemas. O Albuquerque estava fazendo uma verdadeira lambança na minha empresa e isso custaria caríssimo para ele.
- Se eles soubessem que eu estou irritado justamente porque ela não quer aceitar a minha ajuda. - Eu bufei.
- Você vai ter que convencê-los disso.
- Como você descobriu isso? Porque eu duvido muito que alguma daquelas raposas do Conselho tenha te dado todas essas informações.
- Não deram. Mas, afinal, parece que a nossa secretária atrapalhada serve para alguma coisa. - O Julian revelou.
- A secretária da recepção? A que você queria demitir? - Eu perguntei e ele fez que sim.
- É, já desisti de demitir. É mais difícil encontrar alguém leal do que alguém competente. - O Julian explicou e ele tinha toda razão.
- A Lorena Valente salvou a dignidade da minha filha de uma crueldade orquestrada pela esposa do Albuquerque. Se eu gasto um centavo ou um bilhão para proteger a mulher que comprou uma bela briga para defender a minha filha, isso sai do meu bônus pessoal, do meu patrimônio. Se algum de vocês quiser questionar a minha liderança baseada em fofocas de um homem que não consegue nem educar o próprio filho, que o faça agora. E preparem-se para a liquidação total de suas ações, porque eu retirarei cada investimento Albelini deste Conselho antes do pôr do sol.
Ninguém se mexeu. Em termos práticos eu ameacei simplesmente retirar todo o meu capital da empresa e eu tinha mais ações do que todos eles juntos, a ameaça de uma quebra de mercado causada por mim era real demais, porque eu não ameaçava se não pudesse cumprir.
O Conselho recuou, balbuciando desculpas e encerrando a pauta. Mas uma coisa estava muito clara ali, eles estavam à espreita e eu precisava liquidar qualquer coisa que ameaçasse a imagem da Lorena o quanto antes.
Eu saí da sala sentindo a adrenalina ainda queimando. O Julian me seguia, tentando conter um sorriso de triunfo. No corredor, encontramos o Andrey, que parecia alheio a tudo aquilo.
- Senhores! Você desistiu mesmo da Infernal, Albelini? Se desistiu, fique sabendo que na sexta eu vou caçar a Scarlat. Aquela mulher não me escapa. - O Andrey declarou com um sorriso.
Eu parei de caminhar. A menção à Scarlat, logo agora que eu estava lutando para manter a Lorena segura, foi a gota d'água.
- Esquece a Scarlat, Andrey! - Eu rosnei, me virando para ele com uma fúria que o fez perder o sorriso. - Se você tem tanto tempo sobrando, vá ajudar o Albuquerque a recolher os cacos da empresa dele, porque eu vou destruí-lo hoje ainda. Eu não quero ouvir o nome dela, nem ver você rondando aquela boate. E se você me desafiar terminará como o Albuquerque.
Eu deixei o Andrey e o Julian parados lá, perplexos, e entrei no elevador. Eu precisava de ar. Precisava da Lorena. Mas, acima de tudo, eu precisava que ela cumprisse a promessa de me dar as respostas para que eu soubesse exatamente como lidar com o Conselho da próxima vez.

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