Entrar Via

A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 98

"Lorena"

Eu olhei para o lado. Ele estava sentado na poltrona do canto, na penumbra, mal iluminado pela luz do abajur. Ainda usava a calça social, mas a camisa estava aberta no colarinho e as mangas dobradas, revelando os antebraços fortes que me faziam vibrar quando apertavam a minha cintura. Com os cabelos desalinhados, ele parecia um predador que esperou pacientemente pela presa o dia todo.

- Érick? - O nome dele saiu como um suspiro, um misto de susto e uma expectativa que eu sentia sempore que estava trancada sozinha com ele. - O que você está fazendo aqui? - Eu sussurrei, meu coração batendo furiosamente no peito.

- Eu não terminei de falar com você, Lorena. - Ele se levantou, e o quarto pareceu pequeno demais com ele ali. - No jantar, você me deu uma resposta funcional. Mas eu não venho aqui para ouvir a babá da minha filha. Eu vim ver a minha mulher.

Ele caminhou até mim, parando a centímetros de distância. Eu ainda estava encostada na porta, sentindo a madeira dura contra as minhas costas enquanto o calor que emanava dele e o seu cheiro me envolviam.

- Érick, eu já disse... o uniforme... - Eu tentei começar, mas ele colocou um dedo sobre os meus lábios, me silenciando.

- O uniforme é o seu disfarce, Lorena. É quem você finge ser enquanto se recusa a aceitar quem você realmente é nesta casa.

As suas mãos grandes e quentes tocaram as minhas, que estavam geladas, subindo pelos meus braços devagar, e encontraram os meus ombros, deslizando lentamente até os botões daquele tecido azul marinho.

- Se você não tem coragem de se livrar desse disfarce, Lô, se você não tem coragem de aceitar quem você realmente é... - Ele abriu o primeiro botão, os olhos fixos nos meus. - Eu farei isso por você.

Eu deveria ter protestado. Deveria ter dito que ele estava invadindo o meu espaço. Mas quando o segundo botão cedeu sob os dedos experientes dele, eu senti um alívio condenável. Era como se, a cada botão que ele abria, uma peça da armadura fosse desmontada e o peso da Scarlat e da babá ficasse para trás, sobrando apenas a mulher que desejava desesperadamente ser amada por aquele homem.

- Eu disse que esse uniforme morreu hoje e você insiste em se esconder atrás dele. - A voz era baixa, mas parecia se conectar com cada nervo no meu corpo que vibrou na mesma cadência. - Você é muito mais do que qualquer um desses idiotas pode supor.

Ele abriu mais alguns botões, deixando o vestido escorregar pelos meus quadris até virar uma poça de seda sem vida no chão. Eu me senti terrivelmente nua e não era pela falta de roupa, era porque o Érick parecia enxergar através da minha pele. Ele me encarou com aqueles olhos azuis faiscantes e o que eu vi ali me assustou mais do que qualquer outra coisa, era adoração pura.

Se ele soubesse o que eu omiti dele... quando ele descobrisse... o pensamento gritou na minha mente. A culpa ardeu no meu peito. Eu queria contar tudo, acabar com a mentira ali mesmo, mas o medo me paralisava, medo por ele perder tudo... medo de perder aquele olhar.

- Você é minha, Lorena. - Ele declarou, suas mãos me tocando e me fazendo perder o fôlego. - Não como uma posse, mas como o meu próprio destino. Eu não estou te marcando, entenda. Eu estou me entregando.

Quando a boca dele encontrou a minha, não houve hesitação. Foi uma reivindicação. Ele me carregou para a cama e, ali, no silêncio daquele quarto, ele me adorou. Cada toque, cada carícia lenta, era como se ele estivesse apagando as marcas de todos os meus medos. Naquela noite, sob o domínio dele, eu me senti, pela primeira vez, a dona de tudo e eu me permiti esquecer o mundo lá fora por algumas horas. No calor do abraço dele, entre beijos que prometiam proteção e toques que exigiam entrega total, eu tentei silenciar a culpa. Naquela noite, eu era apenas a mulher dele.

Mas, enquanto ele dormia com o braço pesado sobre a minha cintura, eu olhava para o teto, sabendo que o amanhecer traria o mundo de volta. E com ele, as sombras que eu tanto tentava esconder e os inimigos que tentavam me destruir.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite