— Não foi você que disse para eu ir até as academias ou aos clubes de luta ver se encontrava alguém durão para fazer a cobrança?
— E o lugar que eu falei é igual a esse mercado negro onde você se meteu?
Letícia calou a boca.
— Fica aqui por enquanto e só sai quando tiver certeza de que é seguro. — Beatriz alertou.
Na noite anterior, ela havia descrito os suspeitos, os policiais já tinham feito os retratos falados e os colocaram na lista de procurados por tráfico. A busca já tinha começado em toda a cidade.
— É. Se não der, vou me mudar para o Brisa do Campo e me esconder lá por um tempo.
— Espera um pouco, talvez peguem o cara rápido.
Letícia concordou com a cabeça. O olhar dela parou no pescoço de Beatriz e, ao puxar o lenço, várias marcas surgiram na pele.
A boca dela abriu tanto que caberia um ovo inteiro.
— O Theo é bruto assim?
...
— Você me disse que ia num encontro a cegas e não me deu mais notícias. Conta tudo! Ele ficou louco quando viu uma gata como você?
— Não é isso que você tá pensando. — Beatriz pegou o lenço de volta e amarrou para cobrir as marcas.
— E como é que foi? Ele é bonito? — Letícia ficou bem curiosa.
— Bem bonito.
— Mais bonito que o Arthur?
— Sim, muito mais.
Os dois nem se comparavam.
O máximo de Arthur era ter boa aparência e um ar calmo. Já Theo era incrivelmente atraente de cara, mas com um aspecto de impor respeito.
Letícia fechou os olhos e deu um sorriso malicioso. — O que eu acho é que ninguém tirou vantagem de você. Você que se apaixonou mesmo.
A orelha de Beatriz esquentou. — Só tô sendo realista.
— Realista? — Letícia franziu a testa. — Então as marcas no seu pescoço também foram feitas assim?
— Fui me entregar para te salvar e você ainda vem rir da minha cara! — Beatriz resmungou.

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