Beatriz reprimiu o pânico, tentou se acalmar e deu tapinhas na mão de Letícia.
— Não tenha medo, não vai acontecer nada.
Ela pegou o celular e ligou para Theo.
— Sr. Hoffman, aconteceu algo com a Letícia. — Ela baixou a voz e explicou de forma concisa sobre o pássaro morto.
Do outro lado da linha, o tom de Theo era grave, com um toque de sarcasmo.
— A Srta. Cavalcante está pedindo minha ajuda de novo?
Beatriz parou, só então percebendo que havia pedido ajuda a ele por instinto.
Quem era Theo? O líder mais jovem da família Hoffman, implacável, um magnata de Wall Street capaz de decidir projetos bilionários em meio a risadas.
Como ela poderia dar ordens a ele?
Além disso, eles tinham apenas um acordo de casamento, sequer estavam noivos oficialmente.
Foi porque ele a tratou tão bem ultimamente que ela se iludiu achando que sob a fachada cínica havia um bom temperamento.
— ...Pode ser? — Ela perguntou suavemente.
Os lábios de Theo se curvaram, incapaz de recusar.
— Hoje é o aniversário da esposa de Ricardo Valente, venha comigo.
Ricardo Valente, o Chefe de Polícia de Metrópolis.
Alguém em uma posição tão alta que ela normalmente nem teria o direito de se aproximar.
— Tudo bem. — Ela concordou. — Você me busca ou eu vou até você?
— Eu busco.
Com essas duas palavras curtas, a ligação caiu.
Letícia não conseguiu ouvir, e assim que Beatriz desligou, ela se aproximou para perguntar.
— E aí?
— Ele não disse abertamente, mas não deve ter recusado. Mais tarde vou sair com ele.
— Não me diga que é...
Letícia olhou para o pescoço dela com um olhar ambíguo e abraçou seus ombros.
— ...
— Amiga, por mim, você está sofrendo!
Beatriz lembrou-se da bagunça da noite anterior e pensou: esse homem não seria tão bestial assim, seria?
Vinte minutos depois, a voz de Breno soou do lado de fora.

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