Ele baixou os olhos, encontrou o olhar úmido dela e o coração amoleceu na hora.
— Hum. — Ele concordou baixinho, deixando ela segurar firme.
— Então agora nós... estamos namorando? — O tom dela era suave, arrastando o final da frase como um gancho pequeno que arranhava o coração dele.
Theo se abaixou, arrumou a coberta dela e falou com voz grave:
— Não quer?
— Não, só acho surpreendente. — Beatriz riu baixo, olhando para ele. — Por que o Sr. Hoffman gosta de mim? Foi porque... eu dormi com você?
— Gostar de alguém precisa de motivo?
Theo encostou a testa lisa dela, a respiração fresca se misturando ao cheiro de álcool ao redor dela, a voz rouca e sedutora.
— Gosto de você, não tem a ver com luxúria, só porque é você.
Essa frase caiu no coração dela como uma pedra, pegando-a desprevenida; as ondas revelavam o nervosismo que ela não conseguia esconder e a confusão nos olhos.
O álcool bateu forte nesse momento, misturado com o cheiro fresco e bom dele, deixando o corpo dela todo mole.
Ela olhou pasma para o rosto do homem tão perto, os cílios tremendo.
— Theo, por quanto tempo... seu gosto vai durar?
O sentimento de tantos anos entre ela e Arthur Vasconcelos terminou em traição num piscar de olhos, e ela conhecia Theo há menos de um mês.
Os lábios de Theo se curvaram levemente.
— O tempo dirá, sinta aos poucos.
Assim que ele ia se levantar, braços macios envolveram a cintura dele, com uma teimosia infantil.
— Quero saber agora.
Ele não respondeu mais.
No segundo seguinte, abaixou a cabeça e o beijo caiu pesado.
Não foi um toque superficial, mas um beijo profundo, quase predatório, moendo os lábios, cheio de uma obsessão e calor reprimidos por muito tempo, como se quisesse devorá-la.

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