Theo estava acostumado às duas caras dela e riu. — Então a senhorita Beatriz me deve um favor?
— Eu não te compensei ontem à noite?
Beatriz respondeu sem pensar.
— Uma coisa é uma coisa. Ontem eu ajudei a senhorita Beatriz...
Ela travou e acordou de vez.
— Ontem foi você quem mandou o Enzo me ajudar?
— O que você acha?
Não era à toa...
Ela tinha achado estranho Enzo aparecer, será que tinha segundas intenções com ela?
Pelo jeito ela tinha se achado demais.
— Por que não me contou?
Se Enzo não aparecesse, o gerente e Gabriel armariam juntos. Sem provas, ela teria que engolir o prejuízo calada.
— Não contei agora?
— ...
Beatriz baixou os olhos e apertou o celular. — E como o Theo quer que eu retribua?
Antes que ele respondesse, ela se apressou.
— A sua vontade não deve ser tão grande, né?
Theo ergueu as sobrancelhas. — Não pensei ainda, fica na conta.
— ...
...
— Achou?
No escritório do presidente da Vanguard Tech em Vila Serena.
Arthur estava sentado no sofá, com o rosto fechado e o clima pesado.
— A senhorita Beatriz deixou Vila Serena e... — O assessor hesitou. — No dia do casamento, ela comprou uma passagem para Metrópolis.
Desde que Melissa engravidou e se afastou, ele foi posto para trabalhar com o senhor Vasconcelos.
Toda a empresa ouviu os boatos do que aconteceu no casamento.
Quem diria que o grande senhor Vasconcelos trairia a senhorita Beatriz pelas costas com a secretária.
Um traste!
Mas com o trabalho e o salário alto, ele só podia sentir desprezo em silêncio.
— Metrópolis?
— Sim.
Arthur franziu a testa em silêncio.
Por que ela iria para Metrópolis? Teria ela coragem de largar três anos de história e ir para uma cidade estranha?

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