POV: ROCCO BLACKWOOD
Voltei correndo para o quarto. No caminho pelo corredor, alguns funcionários da equipe Garcia até tentaram me cumprimentar, mas passei apressado por eles, ignorando as formalidades. Eu estava ensopado, com o terno grudando no corpo e o orgulho em frangalhos.
Entrei no quarto quatorze trancando a porta atrás de miim e ouvi o barulho do chuveiro. A Sky já estava lá dentro, escondida no banheiro. Arranquei aquelas roupas molhadas com pressa, jogando o tecido pesado no chão, e fiquei apenas de cueca box e uma toalha no ombro esperando a madame sair do banho, esperando a minha vez de tomar banho para tirar o rastro daquela piscina morna da minha pele.
Ela demorou uma eternidade lá dentro. Quando a porta finalmente se abriu, a ruiva saiu enrolada apenas em uma toalha branca, com as gotas de água brilhando na pele clara e os cabelos úmidos grudados nos ombros.
Cruzei os braços, medindo-a de cima a baixo com o meu pior sorriso de canto.
— Nossa... você resolveu voltar para o quarto? Pensei que você ia fugir — comentei, a voz descendo num tom baixo e carregado de ironia.
A Sky travou o passo, segurando o nó da toalha contra o peito com força, e me fuzilou com aqueles olhos esmeralda.
— Infelizmente eu tive esse desprazer de voltar para cá, e ter que olhar para a sua cara infeliz — ela retrucou na hora, ácida como sempre.
— Olhar para a minha cara infeliz? — dei um passo à frente, soltando uma risada nasalada. — Engraçado você falar de cara infeliz, Bittencourt, logo você, que estava quase engolindo a minha cabeça.
— Ah, cala a boca, Blackwood! — ela gritou, dando um passo defensivo para trás. — Foi você que me beijou primeiro!
— Foi você que me beijou! — rebati, avançando mais um palmo no espaço dela.
— Não! Foi você que me beijou! — ela insistiu, o peito subindo e descendo de forma acelerada.
— E você gostou, não é? Nem quis parar.
— Você é um arrogante, prepotente, convencido de merda! — ela disparou, as bochechas vermelhas de ódio, apontando o dedo e caminhando na minha direção.
— E você é uma louca, metida — devolvi, a voz rouca, parando a centímetros dela. — Bruta, ignorante.
— Você que é um bloco de concreto de tão grosso! — ela soltou, batendo o pé.
— E você é uma barata de saia das bem barulhentas — provoquei, colando meu corpo quase no dela.
— Você que se acha. O seu ego é do tamanho do Everest, Blackwood! Não cabe nesse hotel!
— Ah, o meu ego é grande mesmo! — dei um passo na frente dela. — E o Big Black também é.
— Você é um mural de prepotência, um monumento da arrogância ambulante! — ela gritou, o rosto a centímetros do meu. — E quer saber? Esse seu Big Black nem é tão grande assim — ela afirmou, cruzando os braços com um desdém fingido.
— Engraçado... porque na hora em que os seus dedos se fecharam em volta dele antes, testando a resistência do material, você não pareceu reclamar do tamanho, Bittencourt. Ficou agarrada ali como se fosse o câmbio de um carro. Várias outras já usaram e nenhuma jamais questionou a estrutura.
— Você tem minhoca no lugar da cabeça, então se ilude com qualquer coisa! — ela sibilou. — Fica aí se achando o rei do sexo, quando na verdade só é um sem-vergonha mesmo.
— Ah, sua doida safada varrida... Sou o rei do sexo mesmo. Você já tirou as medidas e pegou no mastro com toda a intimidade do mundo enquanto dormia, agora só falta subir e fazer o teste-drive de fato. Quer aproveitar que está acorda...
Ela interrompeu a minha fala dando um tapa ardido no meu rosto.
— A culpa é sua! Você é um safado sem-vergonha que não sabe manter as mãos e o pau dentro da roupa!
— E você é a que fica se pegando por aí com o Gael no meio do deque.

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