POV: SKY BITTENCOURT
O Christian desceu os degraus do palco com aquela imponência pesada e caminhou direto na minha direção. Ele parou bem na minha frente, me analisando com aqueles olhos castanhos e sérios.
— Tudo bem com você? — ele perguntou, o tom de voz descendo um pouco.
— Sim... obrigada — consegui responder em um fio de voz.
Christian fez um sinal com a cabeça e me guiou para fora do auditório, me levando para o corredor dos elevadores e que levava para a recepção me sentando em uma das cadeiras da antessala.
— Fique aqui e tente se recompor. Eu preciso voltar lá para dentro com o Nathan para assinar os papéis oficiais do destrato da Garcia — ele avisou, e em seguida virou-se para a Moon e para a Sakura que tinham acabado de chegar correndo. — Cuidem dela. Ela não está com uma cara boa.
— Pode deixar, senhor — Moon disse, com a voz trêmula de timidez, observando o Christian afastar-se com passos longos pelo corredor.
A Sakura se ajoelhou na minha frente e segurou o meu rosto com as duas mãos.
— Sky! Meu Deus, você está branca como um papel! Olha a sua boca, está completamente descorada, branca! — Sakura exclamou, o semblante tenso de preocupação. — Você está tendo outra crise, não está? Respira, pelo amor de Deus.
Minha cabeça latejava tanto que a visão começou a falhar de novo. O suor frio escorria pelo meu pescoço e eu começou a arfar, tentando puxar o ar que parecia ter sumido do corredor.
— Eu vou buscar um copo de água com açúcar ou sal na lanchonete! Fica aqui com ela, Sakura! — Moon gritou desesperada, correndo na direção do elevador.
— E eu vou ali no banheiro pegar umas toalhas com água fria para colocar na sua nuca, Sky! Não se mexe! — Sakura avisou, levantando-se correndo e batendo a porta do banheiro feminino que ficava logo ao lado.
Encostei a cabeça na parede fria da antessala, fechando os olhos e tentando controlar o tremor que sacudia os meus braços. O silêncio durou poucos segundos. O barulho das portas do auditório se abrindo trouxe o pesadelo de volta.
Paulo Gouveia e Sérgio Lacerda saíram da sala de apuração marchando com passos brutos. Assim que bateram os olhos em mim, os dois desviaram a rota e avançaram, parando bem na minha frente, me prensando contra o estofado com as suas presenças arrogantes.
— Achou que ganhou alguma coisa hoje, não é? — Lacerda destilou o veneno, incluindo o corpo gordo na minha direção. — Você pode ter passado de fase por causa daquele chato, mas a sua palhaçada tem prazo de validade. Todo mundo nesta cidade vai saber que a Zênite é uma farsa gerenciada por uma garotinha desequilibrada.
— Por que estão fazendo isso? — perguntei.
As lágrimas de humilhação e ódio começaram a escorrer pelo meu rosto, borrando tudo. Minha cabeça girava tanto que eu não conseguia formular uma única palavra para rebater. Eu só queria sumir. Olhei ao redor, mas o movimento no corredor começou a aumentar; vários funcionários e estagiários da Blackwood pararam para assistir à cena, formando uma aglomeração opressiva ao nosso redor.
Eu estava exposta, sendo humilhada no meio do meu novo emprego e sem conseguir respirar direito.
Tentei apoiar as mãos no banco para me levantar, determinada a empurrar os dois e fugir dali de uma vez, mas no segundo em que fiquei de pé, o Paulo Gouveia deu um passo à frente e agarrou o meu braço com uma força bruta.
— Me solta! — tentei puxar, mas ele apertou os dedos com violência, cravando as unhas no meu blazer e me sacudindo no meio do corredor.
— Você vai ficar parada e escutar, Sky! — Paulo Gouveia rosnou bem perto do meu rosto, com os olhos castanhos faiscando de fúria pura. — Quem você pensa que é para virar as costas para mim? Eu te ajudei a criar! Eu sustentei a sua casa e paguei os médicos do seu pai por sete anos quando você não era ninguém! Você me deve respeito aos mais velhos, sua menina insuportável! Você vai assinar a porra daquele distrato do terreno por bem ou eu coloco você e o seu pai no meio da rua! Entendeu?!
— Larga ela! Para com isso! — a Moon surgiu e veio na nossa direção e gritou desesperada, tentando empurrar o Gouveia para chegar até mim.
— Sai, garota! — Lacerda puxou a Moon pelo antebraço.
— Por favor!! — eu disse entre lágrimas. — Por favor....
— Sky.... — Moon sussurrou, tentando se soltar.
— Larga a porra do braço dela antes que eu quebre ele em três partes — a voz de trovão do Christian cortou o saguão.
Lacerda soltou o braço da Moon, que quase desequilibrou e caiu.
— Só estávamos conversando — ele disse, sorrindo.
— Solte ela também — Christian disse, passando o seu olhar do Lacerda para o Gouveia.
Ele estendeu a mão para Moon que andou na direção dele quase correndo, Sakura voltou com as toalhas e a puxou para um abraço, mesmo parecendo confusa com a situação.
— Agora!!! — uma voz rouca e grossa surgiu atrás de nós. — Tira a porra da sua mão de cima dela antes que eu decida que a sua construtora vai ser demolida com você dentro hoje mesmo — a voz de trovão do Rocco cortou o corredor, fazendo o chão de mármore vibrar.
Ele brotou de dentro do elevado caminhando com passos brutos, o semblante totalmente transfigurado pelo ódio.
O Gouveia me soltou, mas o Rocco avançou, arrancou e empurrou o Paulo para o lado e me puxou com força possessiva para debaixo do braço dele, me prensando contra o seu peito largo.

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